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Orixás (93)

Orixás, Òrisás Destaque

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Orixás

Orisàs

História

Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

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Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

  • Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
  • Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
  • Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
  • Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
  • Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e os animais.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos e tempestades. Também é a orixá das paixões.
  • Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquezas materias e espirituais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
  • Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
  • Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. É mãe de Obaluaiê e junto com ele, dona das doenças cancerígenas. Mais velha orixá do panteão africano.
  • Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.
  • Obá, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas.
  • Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô.
  • Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
  • Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Omulu, Orixá da morte.
  • Onilé, orixá do culto de Egungun.
  • Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
  • Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Olokun, orixá divindade do mar.
  • Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
  • Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
  • Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.

África

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Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

  • O culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
  • O culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
  • O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
  • O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
  • O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.

Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

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Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

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Deuses primordiais da mitologia africana Destaque

DEUSES PRIMORDIAIS DA MITOLOGIA AFRICANA

Deuses primordiais é um termo que se refere aos primeiros deuses, anteriores à própria criação e responsáveis por ela. Em todos os tempos e eras, a humanidade sempre acreditou num ser primordial, o "grande criador", que deu origem primeiro a si mesmo e depois ao universo, ao mundo e por fim ao próprio homem.

O grande problema no estudo desses mitos, é que são tão antigos, tanto quanto a própria humanidade, datando desde quando o homem começou a se organizar em grupos e sociedades, que ao longo dos tempos muitas vezes sua concepção original vai se modificando a cada período histórico. Outra grande dificuldade é a falta de registros escritos, pois esses mitos tem sua origem desde a pré-história, de forma que muitas vezes o que se sabe deles foi estudado, pesquisado e concluído eras depois.

Na mitologia Africana em particular essa dificuldade é talvez ainda maior e ainda mais marcante.

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OLORUN

Os estudos e registros mais importantes e detalhados datam mais ou menos do século dezenove apenas, antes disso o conhecimento, a cultura e até a mesma a religião eram passadas verbalmente, o que por si só já bastaria para que esses mitos fossem se modificando ao longo do tempo; mais tarde então, quando o povo africano foi colonizado pelo europeu e se espalhou pelo mundo traficado como escravos, sua cultura original geralmente mesclou-se de alguma forma à cultura do país ou região onde ficaram confinados ou a de seus colonizadores.


Embora haja muitas interpretações e versões diferentes, de acordo com o país ou tribo de origem, um ponto em comum pode ser observado, o primeiro grande deus, a força primordial, esse todos concordam que seja Olorun.

Na verdade, seriam, três deuses considerados como forças primordiais e "criadores": Olorun, Odudua e Obatalá.

Quando existia somente o nada, o vazio, quem primeiro surgiu foi Olorun, em seguida ele criou o Orun e o Aiye, ou seja, o céu e a terra.

Mas aqui já começam as divergências, alguns dizem que ele primeiro criou, ou gerou, o segundo ser, o que veio logo após ele mesmo, que seria Odudua, e aí ele e Odudua criaram juntos o universo e o mundo, e tudo o que há nele.

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OBATALÁ


Orun é o céu, portanto Olorun seria o Dono do Orun (dono do céu), ele é o grande criador, o "Deus Pai Criador" de tudo e de todos.

Embora reconhecido e louvado como Único e Soberano, não existe templo individual para Ele.


Olorun é o ser imaterial, invisível e eterno, a vontade suprema que criou e governa todas as coisas.


A exemplo de deuses de outras mitologias, Olorun é conhecido por diferentes nomes, entre estes Olodumarê.

De acordo com um dos mitos da criação yoruba, Olorun, ou Olodumare, delegou os poderes de criação do Aiye (terra) para seu primeiro e mais velho filho, Orisanla (Orixalá) ou Obatalá.

Segundo alguns mitos Olorun gerou a partir de seu próprio corpo, como se fosse uma espécie de bipartição, os seres seguintes, que seriam Odudua e Obatalá.

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ODUDUA


Odudua é visto normalmente como uma entidade masculina, mas nos mitos mais antigos, era uma entidade feminina. Segundo alguns Odudua era uma deusa, uma das forças primordiais do universo, mas também existiu na terra, em seus primórdios, um grande guerreiro, rei de seu povo, chamado também Odudua, que seria de fato o lado humano da própria Odudua, portanto o próprio, ou a própria, Odudua. Ou seja, Odudua em sua forma divina primordial seria de fato uma deusa, mas ao se manifestar na terra como ser humano, o fez na forma de homem, daí a confusão quanto ao seu verdadeiro gênero. Mas não se trata de um ser bissexuado, e sim de um único ser com duas diferentes manifestações, uma puramente divina, a grande deusa-mãe africana, e outra humana, como homem, que viveu carnalmente e um dia veio a desencarnar e se divinizar novamente.

Odudua, então, de certa forma dividiu-se em dois, a grande deusa criadora do universo, e o grande guerreiro que uma vez desencarnado tornou-se também um deus.

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Odudua, a deusa-mãe, surgiu a partir de Olorun, juntos eles criaram o universo e, erroneamente alguns acreditam que juntos também geraram Obatalá. Na verdade, porém, Obatalá teria surgido também a partir de Olurun, que o gerou sozinho e espontaneamente, e não de uma suposta união com Odudua.

Embora ambos tenham surgido de Olorun, Odudua não é sua filha e sim sua igual, co-participadora na criação do universo, enquanto Obatalá sim seria seu primeiro filho, pois Odudua teria simplesmente surgido, gerando a si mesma também, mas a partir do próprio Olorun e de seu corpo, enquanto Obatalá teria sido gerado por Olorun, mas também a partir de seu próprio corpo. A diferença é que Odudua surgiu de Olorun, mas gerou a si mesma, como se Olorun fosse dividido em duas partes iguais e distintas, e Obatalá foi gerado, ou talvez fosse melhor dizer "criado", por Olorun. Ou seja, primeiro surgiu Olorun que foi dividido em dois, surgindo assim Odudua, e por último surgiu Obatalá que foi gerado por Olorun.

Obatalá, portanto, é filho de Olorun, que depois de criar o Aiye (terra), deu a seu filho os poderes e direito de gerar a vida.

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Isso de certa forma fez de Obatalá o criador do mundo, pois foi ele que gerou, aliás, criou os animais, as plantas e o homem.

Obatalá é conhecido como "O Grande Òrìsà" ou "O Rei do Pano Branco". Foi o primeiro Orixá criado por Olodumare (Olorun), é considerado o maior e mais velho dos os Orixás e conhecido como o rei de vestes brancas.

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OBATALÁ

Segundo alguns, Oxalá e Obatalá, são diferentes nomes do mesmo orixá, segundo outros são orixás diferentes e distintos entre si.

Pessoalmente, pelo que pude observar, Obatalá seria uma espécie de Oxalá, porém mais velho, antigo, primordial, não mais cultuado, porém ainda reverenciado.


Nos cultos de origem africana, ao redor do mundo, os orixás comumente incorporam nos fiéis, ou seja, manifestam-se nos corpos de médiuns que são preparados para este fim através e a partir de uma série de rituais de iniciação. Mas os deuses primordiais, aqueles que são responsáveis pela criação do universo, do mundo e dos homens, esses não se manifestam através de incorporação mediúnica. É o caso de Obatalá, que não dá incorporação, mas cujo mito está intimamente ligado ao de Oxalá, sendo, portanto, uma qualidade ou tipo de Oxalá.


Há duas qualidades de Oxalá que incorporam, o mais velho é Oxalufan, que é filho de Obatalá, e o mais novo é Oxaguian, que por sua vez seria filho de Oxalufã, o mais velho. Os "Oxalás", portanto, seriam os descendentes diretos de Olorun: Filho (Obatalá), neto (Oxalufan) e bisneto (Oxaguian).

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OXALUFÃ

Esses três seriam, portanto, diferentes qualidades de Oxalá, sendo que os dois últimos são distinguidos e chamados por seus próprios nomes, Oxalufã e Oxaguiã, cujos nomes na verdade seriam contrações de Oxalá Alufan e Oxalá Aguian, já quando se fala simplesmente de Oxalá, menos comumente chamado também de Orixalá, mas sem determinar sua qualidade, na verdade estamos falando de Obatalá.

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OXAGUIÃ

Como já dito, Obatalá não se manifesta em médiuns, logo não existem templos dedicados a ele, mas todos os templos o reverenciam como um dos grandes criadores e, segundo o mito, é tão grande o seu poder que sua palavra transforma-se imediatamente em realidade.

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Aliás, foi Obatalá que, ao criar o homem, deu também a ele à habilidade da fala, por isso, quando se presta homenagem a ele, não se fala, pois a palavra pertence a ele e durante suas festas guarda-se silêncio por um período de três semanas.


Obatalá representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte.

É também o responsável pelos defeitos físicos, e é corcunda porque se recusou a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e Èsù, que é conhecido por sua esperteza e por conseguir enganar e "aprontar" com todo mundo, castigou-o pregando-lhe a cabaça nas costas, razão pela qual Obatalá não come sal: comer sal para ele constitui um ato de alto canibalismo.

Obatalá é o filho direto de Olorun, o criador do universo.
Depois de criado o universo e a terra em específico, depois de milhares de anos Olorun resolveu dar vida a terra e enviou seu filho direto "Obatalá" para esse fim à terra que até então era composta de água.

Vindo com o saco da criação, Obatalá trouxe consigo uma galinha d'angola que foi responsável por espalhar a terra sobre as águas, dando desta maneira forma a terra sobre a água.

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Depois de criar a terra, os montes e etc., Obatalá criou os vegetais, os animais e por último, usando a própria terra que ele já havia criado, com a ajuda de Nanã moldou o ser humano com o barro e então lhe deu o sopro da vida. Como foi ele que gerou a humanidade, é comum recorrer-se a ele quando se trata de grandes problemas de saúde, pois já que deu a vida ao homem, pode também lhe restituir a saúde.

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Olubajé

Olubajé

O Olugbajé é a festa anual em homenagem a Obaluayê, onde as comidas são servidas na folha de mamona. Rememorando um itan (mito) onde todos os Orixás para se acertarem com Obaluaiyê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.

Nessa festividade, todos os Orixás participam (com exceção de Xangô), principalmente Osanyin, Oxumarê, Nanã e Yewá, que são de sua família. Oyá tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão de festas a esteira, sobre a qual serão colocadas as comidas.

Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluayê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé. No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada "Ewe Ilará" conhecida popularmente como mamona assassina, "altamente venenosa" simbolizando a Morte (iku).

Olubajé é um ritual sagrado comemorado geralmente no mês de agosto, em homenagem a Obaluayê que alguns fazem sincretismo com São Roque e São Lazaro.

Este ritual antigamente tinha seu início sempre em meados de julho, que era quando as comunidades pertencentes ao candomblé traziam o ibá (assentamento) de Obaluayê ou Omolu de seu quarto de santo para o centro de seu barracão, com suas vestes e paramentos, para ser ali reverenciado por todos os adeptos e visitantes da dita comunidade, e ao mesmo tempo para que fossem depositados em seu redor os donativos para conclusão de seus festejos no mês de agosto. Estes donativos não se resumiam em dinheiro, também eram ofertados vinhos, azeites, mel, feijões, arroz, farinha, fubá, camarão seco, inhames, batatas, animais de duas e quatro patas, velas, enfim tudo que fosse necessário para o preparo das oferendas dedicadas aos orixás.

Quando faltavam entre sete ou quatorze dias para festividade, dependendo da casa, para conclusão deste preceito era preciso “pedir esmola”, em nome do orixá, pois se acredita que além de ser o Deus das Doenças, também é o Deus dos Desvalidos. Para isso, eram preparados tabuleiros: um com um assentamento muito bem arrumado de Obaluayê, que seria carregado por uma yawo com mais de três de anos de feita, ou seja, uma adosi, outro com pipoca, e um outro com guloseimas como cocadas, fubá de amendoim, de castanha, bolinhos, etc. Tudo pronto saía do barracão uma comitiva sob a supervisão de ou de ekedes, ou alabe, ou ogans, etc. Iam às ruas não só pra esmolar como para trocar pipocas e guloseimas por dinheiro e outros materiais ofertado ao orixá. O dinheiro era depositado no tabuleiro onde estava o assentamento do orixá, que só poderia ser contado no regresso ao barracão. Esta comitiva nos dias que ficavam fora do seu barracão de origem batia de porta em porta pedindo donativo, abordavam as pessoas nas ruas com muito respeito e agradeciam sempre a atenção a eles dispensada, com a palavra: “Olorunsan”, deus lhe pague.

Um momento importante desta peregrinação era quando batiam na porta de um barracão. Neste momento é que esta comitiva tinha que mostrar a educação e os princípios recebidos de seu barracão de origem. A começar por não levantar a cabeça por nada, salvo as ekedes e ogans responsáveis pela peregrinação. Ao entrarem no barracão visitado já encontravam uma esteira aonde iriam depositar seus tabuleiros, e várias outras a sua volta aonde iriam se sentar e bancos para os responsáveis pela comitiva.

Depois de algum tempo de descanso os visitantes começavam a rezar os seus àdúrás (suas rezas), ao terminar tomavam bênçãos aos mais velhos e trocavam de bênçãos entre si e com os outros que ali se encontrassem. As filhas do barracão anfitrião corriam para preparar uma comida para os visitantes; se esta visita fosse ao cair da tarde, elas se encarregariam de acomodá-los até o dia seguinte. E durante a noite, algumas com ordem do anfitrião se encarregavam de tomar conhecimento sobre o que estivesse acabado nos tabuleiros para repô-los, para que no dia seguinte pudessem continuar sua peregrinação com tranquilidade. Ao amanhecer então, após terem tomado um café reforçado era chegada à hora de partir, então todos se voltavam para o dono do barracão visitado batiam paó e a benção. Um responsável pelo cortejo dizia: “EREBE OLORÚNSAN, BABA MIM, ADUPÉ”, Deus lhe pague por tudo meu pai, obrigado. E escutavam um alegre: OLÓRUN ÍBEWÓ SAN, e Deus lhe paguem pela visita, e assim a comitiva seguia em frente para completar sua peregrinação. Quando retornavam ao seu barracão de origem eram recebidos com festa pelos seus superiores, irmãos e outros que faziam parte de sua comunidade.

Nesta mesma noite ou na noite seguinte tinha início à segunda parte do ritual com o sacrifício dos animais oferecidos aos orixás. Para então começar os festejos próprios do Olubajé.

Para falar de OLUBAJÉ é preciso me reportar ao início do século XX até os meados dos anos noventa, quando este ritual e suas oferendas eram sinônimos de fé, amor e paz. Este era o momento pelo qual às comunidades que professavam o candomblé reuniam seus adeptos e simpatizantes para festejar o deus das doenças de pele, Obaluayê. Momento este que seria aproveitado para agradecer a ele a proteção recebida contra todos os tipos de doenças e também para pedir paz e saúde para sua vida como para os seus. A comunidade e seus simpatizantes se reuniam na maior união e comunhão de fé para preparar os alimentos para um abundante banquete que seria oferecido a todos os presentes nos festejos em homenagem a Obaluayê. Este era um momento de reflexão em busca de saúde, paz, liberdade, compreensão e união. Ocasião de extremo respeito, pois ali estavam também em busca de milagres para alguns males que estivesse a afligir, não só a si como para os seus. Sabiam também que este era o momento único no decorrer do ano que todos tinham com exclusividade não só agradar e reverenciar o Deus da peste e das doenças de modo geral, como também cantarem seus lamentos, dançarem, além de serem agraciados com um rico repasto dedicado a ele.

A PALAVRA OLUBAJÉ

Bajé = convite para comer.

Olu = senhor, mestre, dono.

OLUBAJÉ = CONVITE PARA COMER COM O MESTRE.

Termo original: OLU BA NI JÉ = O MESTRE NOS CONVIDA PARA COMER.

UM MANÁ DOS DEUSES

OBALUAYÊ: deus da peste, da varíola, da catapora, das doenças de pele, etc.

Seu banquete era e é composto de um tipo de comida específicos para cada orixá, e de dois ou três tipos especifico para ele, além disso, os animais anteriormente sacrificados em sua homenagem. Tudo deve ser preparado com muito amor, carinho e respeito; tudo muito bem cozido e condimentado, a base de: camarão defumado, cebola, gengibre, noz moscada, kioiô, gergelim, gemas de ovo, sal, azeite doce, azeite de dendê, etc. O necessário para que o seu banquete se torne não só o mais saboroso possível, como também medicinal pela ação de ervas, raízes e frutos contidos no seu preparo.

Enquanto as pessoas filhas de yabás se desdobram no preparo das comidas, um outro grupo colhe folhas de mamona as lava e as enxuga para só então colocá-las em um balaio para que nelas sejam servidas as comidas.

DISTRIBUIÇÃO DOS ALIMENTOS

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Este era e é um momento mágico, que todos esperam, o qual tem início logo pós as louvações com cânticos e danças de todos os outros orixás. Neste instante começa o ritual do OLUBAJÉ. Quando então, ao som dos atabaques, vão saindo do quarto de santo onde as oferendas estão arriadas e imantadas pela energia dos orixás e pelos orins e àduras (cânticos e rezas). Em primeiro lugar vem a yalorixá ou babalorixá com seu adjá puxando o cortejo; em segundo uma yabá carregando uma ou duas esteiras, em terceiro um filho (a) de santo carregando o balaio contendo as folhas de mamona, e em seguidas, filhos e filhas, ekedes, ogans, etc. trazendo sobre suas cabeças as panelas, oberós ou bacias contendo os alimentos, os quais devem ser depositados sobre as esteiras estendidas no centro do barracão, para serem distribuídas a todos iniciados ou não. Após comerem o que desejarem junta as pontas da folha que pode estar totalmente vazia ou não e rodam em torno da cabeça três vezes, para só então depositarem dentro de outro balaio que já está a disposição para este fim, pois tudo faz parte das oferendas e logo no amanhecer do dia seguinte irá ser entregue às águas ou as matas.

Outra fato importante, é que o cântico, tanto da saída do quarto com os alimentos sobre a cabeça, como enquanto se alimentam até o final da distribuição dos mesmos quando se dá por encerrado este ritual deve ser este:

E ajeun bó

Olubajé ajeun bó

E, contração de èyi = isso, isto, este, esta.

Ajeun = comida, comer.

Bó = alimentar, comer.

Olubanijé = Olubajé = convite para comer com o mestre.

Ajeun = comida, comer.

Bó = alimentar, comer.

Tradução: ISSO É COMIDA PARA NOS ALIMENTAR, O MESTRE NOS CONVIDOU PARA COMER.

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Ori Destaque

Ori

O Orixá mais Importante

Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni

Nenhum Orixá abençoa uma pessoa antes de seu Orí

Este oriki não deixa dúvida sobre a suprema importância desta divindade pessoal, inclusive, acima dos outros Orixás! Orí porém, continua sendo um enigma no conhecimento popular do culto.

Traduzindo da língüa Yorubana, Orí significa cabeça, entretanto quando se busca aprofundar algo mais os devotos hesitam, titubeiam, emudecem. Se Orí é a mais importante de todas as divindades, pq este desconhecimento? Principalmente de uma divindade que reside justamente dentro de nós? Porque, de todos os Orixás, Orí é o mais misterioso?

Para responder a esta questão temos de voltar às origens do nosso culto na África. No continente africano o culto, assim como no Candomblé, é iniciático e hermético. Portanto os segredos, fundamentos e a sabedoria do culto está para apenas ser desvelado por seus iniciados ao decorrer de sua carreira religiosa e/ou sacerdotal. Desta forma, os segredos mais profundos e sérios do culto ficavam restritos aos mais altos sacerdotes. Permitindo ao público e aos mais novos iniciados apenas pequenas centelhas desta sabedoria. Para se atingir os mais profundos conhecimentos e sabedoria eram necessários muitos anos de profunda dedicaçao e disponibilidade de transcender sempre os próprios limites. Contudo, atualmente, vive-se na cultura das árvores impacientes q se dedicam a crescer tao apressadamente em detrimento do aprofundamento de suas raízes, e assim, estes profundos conhecimentos foram ficando restritos a um número cada vez menor de sacerdotes. Isto explica o desconhecimento geral deste supremo Orixá! Q é o ponto central do culto afro e afro-brasileiro! Dele depende a nossa existência, nosso sucesso, fracasso, saúde, doença, riqueza, pobreza, plenitude, felicidade. Sem a aprovaçao de Orí nenhum Orixá pode fazer nada pelo seu devoto. Por isso, para nós, Orí é o Orixá mais importante! É o único q nos acompanha na viagem dos mares sem retorno, como descrito no Itan de Ògúndá Méjì.

Voltando às Origens

No princípio dos tempos da Criaçao, Odùdúwà havia criado a Terra, Òṣàlà havia criado o homem, seus braços, pernas, seu corpo, Olórúm lhe insuflou o èmí(respiraçao divina), a vida. Mas Òṣàlà havia se esquecido da cabeça..Òṣàlà não fez a cabeça do Homem. Entao Olórúm pediu à Àjàlà, o oleiro divino, para confeccioná-la. Àjàlà quando foi confeccionar Orí pediu a ajuda de Odú, e assim todos os Odús ajudaram à Àjàlà a confeccionar Orí. E assim nasceu Orí.

Orí é composto da matéria divina dos Odús, misturados em quantidade e organizados segundo a sabedoria de Àjàlà a pedido de Olórúm. Do material (òkè ìpònrí) q Àjàlà utiliza para confeccionar Orí se constitui èwò (tabu) para quem possuir esse Orí. E assim se determina as interdiçoes alimentares dos indivíduos, pois, comer do próprio material de q foi constituído, caracteriza ofensa séria à matriz da qual foi criado.

Todo o homem quando vai para o Aiyé, invariavelmente, deve passar na oficina de Àjàlà e escolher o seu Orí. Esta escolha se chama Kàdárà, oportunidade e circunstância, e ao fazê-la, está determinando sua natureza e destino.

Este momento ocorre da seguinte forma: A alma se ajoelha(posiçao fetal) diante dos pés de Olórúm (O Criador) e entao lhe faz um pedido - Àkùnlé yàn - pedido esse q estará relacionando ao seu desejo de crescimento moral e espiritual. Entao Olórúm lhe fixa o destino - Àyàn mó Ipín - q Orí deverá seguir, em q geralmente atende aos desejos do próprio Olórúm e e às necessidades das restituiçoes q Orí deve cumprir. E entao recebe - Àkùn légbà - as circunstâncias q possibilitarao os acontecimentos, geralmente ligado às questoes de tempo/espaço, meio e todo o entorno necessário ao melhor cumprimento do destino.

Neste momento a alma recebe os seus èwós (tabus), interdiçoes alimentares, de vestuário, de açao, etc.

Afirma compromisso com o seu ancestral e tutor espiritual (Orixá). Afirma compromisso com o Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno q formou o seu corpo material, e q zela pelo desenvolvimento da família a q Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida q o são o destino se lhe vai fixando.

Entao Orí se dirige à Àkàsò (a fronteira entre Orúm-plano espiritual, e Aiyé-plano físico) e pede passagem à Oníbodè (o porteiro), q lhe interrogará o q fará no Aiyé, Orí lhe contará e mais uma vez se fixará nele o seu destino.

ORÍ - A fisiologia divina

Orí entao descerá e ocupará o seu lugar no Orí do corpo criado, através da chamada "moleira", abertura no crânio do bebê q irá se fechando conforme se desenvolve ao longo dos anos, onde se dá a "armadilha para Orí", uma vez encerrado lá Orí somente voltará a se libertar do corpo na última expiraçao, pela boca.

A princípio Orí assentar-se-á no cérebro (opolo) daquele corpo, onde comandará Orí Òde (cabeça externa).

  • ORÍ ÒDE - a cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro, sistema nervoso central, olhos, ouvidos, etc) e também pela personalidade e intelecto q resultará da interaçao daquele corpo com Orí Innú (cabeça interna), a cultura local onde se desenvolverá o indivíduo, e o aprendizado q receberá desde o seu nascimento. Ou seja, Orí òde é, além da cabeça física, a nossa pessoa como nós a conhecemos e como os outros a conhecem. É o mecanismo criado por Orí innú para lidar com o mundo exterior. Orí Òde é o nosso "eu exterior".
  • ORÍ INÚ - a cabeça interna, é a nossa personalidade divina, ou nosso "eu verdadeiro", ou nosso "eu supremo ou superior". Em resumo, nossa alma.

Abaixo de Orí inú reside Elénìnìí (o opositor de Orí), no cerebelo (ipakó), responsável pelo esquecimento de Orí de sua missao, aquele q o vem atrapalhar a realizar, cumprir sua missao para com Olórúm e a Criaçao, conforme descrito no Itan do Odú Irosún Méjì. Este, constitui o último nó para a transcendência de Orí innú, e o cumprimento de sua missao original.

Ainda existe Ipín jeun - o estômago, e obo ati oko - os órgaos sexuais, q são os outros nós q Orí innú deve superar: medo, desejo, ambiçao, vaidade, ciúme, ira, egoísmo, etc.

Orín inú ainda se divide em:

  • Orí aperé: o caminho predestinado, fenômeno narrado acima. O destino do indivíduo vem escrito em sua cabeça. "sua cabeça, sua sentença!"
  • Aparí innú: o caráter (ìwà), a personalidade divina. Q é a essência de Orí innú, a alma, e sua missao original. É através do desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, honesto, puro, bom) q Orí chegará à sua transcendência última! Enfim, como descreve o Odú Ogbè-Ègùndá: "Ìwà nikàn l´ó sòro o" " Caráter é tudo o que se precisa". Ìwà Pèlé (caráter reto) é o que conduzirá Orí innú até o Òrun rere (plano espiritual dos Orixás), em caráter definitivo.

Assim sabemos que nossa divindade pessoal é Orí innú ( cabeça interna-alma), responsável pelo nosso destino e felicidade. Q o nosso Orixá (orí- o primeiro) é o tutor espiritual de nosso Orí innú, mas q só poderá ajudar-nos se Orí o permitir. Q em nosso Orí innú reside o nosso Odú (destino) e somente através de Orí e Odú podemos transmutar o nosso destino, e assegurar o cumprimento da missao confiada por Olódùmarè. Q devemos nos resguardar de Elénìnìí, o inimigo de nossa missao e alma, aquele q pode nos trazer sofrimentos. E q nossa verdadeira essência, q devemos buscar, reside em Orí innú (cabeça interna-alma) e não em nosso Orí òde (cabeça externa-personalidade) q é tao somente o veículo de Orí innú aqui no Aiyé.

E, o mais importante: a missao maior de Orí innú, à qual cabe ao nosso Orixá ajudar-nos, é o desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, bom), nosso passaporte para o encontro definitivo com Olórun!!

Orí o!!

Ire o!

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Olórun Destaque

Ọlọ́run

Ọlọ́run - em Yorubá (ọlọ = Senhor + ọ̀run = céu) - Senhor do Céu - é o nome Yorùbá ao ser singular nas religiões teístas e deístas (e outros sistemas de crença), Quem é, ou a única entidade no monoteísmo, ou uma única entidade no politeísmo. De qualquer maneira, É considerado como um ser auto-existente.

Comumente chamado de Olódùmarè, É frequentemente considerado o governante infinito dos céus, abrangente, e o dono de todas as cabeças. Nenhum gênero lhe é atribuído. Por isso, é comumente referenciado como O ou Ele (embora este se destina a abordar uma singularidade plena). O criador divino e fonte de toda energia, o canal através do qual os pensamentos e ações de cada pessoa no Ayé (mundo) interagem com os de todos os outros seres vivos, incluindo o próprio universo.

Ọlọ́run também tem sido diversamente concebido como sendo incorpóreo, um ser pessoal, a fonte de toda obrigação moral e o maior existente concebível.

Nomes Associados a Ọlọ́run

  • Aditu
  • Alakoso-Orun
  • Alewi-Lese Olumoran-Okan
  • Atererekaye
  • Awamaridi
  • Ẹlẹ́da
  • Ẹlẹ́dàá
  • Eledua
  • Eledumare
  • Eledumaye
  • Oba-Ajiki
  • Oba Aiyeraye
  • Ogus
  • Olódùmarè
  • Olodumaye
  • Olofin-Orun
  • Olu-Ajiki
  • Olu-Eye
  • Olu-Iyi
  • Olu-Orun
  • Oluwa

Olódùmarè

Poucos sacerdotes falam de Olódùmarè, pois não existe nenhum altar, nenhum assentamento dedicado a ele e nenhum filho ou filha lhe é consagrado. A religião é parte essencial da cultura dos povos africanos, e acreditam que Olódùmarè seja o ser supremo, é o Ọba Orum, rei do céu. É ele acima de tudo; onipresente, ele é Ọlọ́run Alagbara, o Deus Poderoso.

Diz a mitologia yorubá que Olódùmarè, junto com a criação do céu e da terra , trouxe para a existência as outras divindades Orixás, para ajudar ele a administrar sua criação, e a importância de cada divindade depende da posição dentro do panteão yorubá. Olódùmarè é o Deus Supremo dos yorubás, merecedor de grande reverência , seu status de supremacia é absoluto.

Ele é onipotente – tão onipotente que para Olódùmarè nada é impossível, ele é o rei cujos trabalhos são feitos para perfeição.

Ele é imortal – Olódùmarè nunca morre, os yorubás crêem que seja inimaginável para Elemi (o dono da vida) morrer.

Ele é Onisciente – Olódùmarè sabe tudo, não existe nada que possa se esconder dele; ele é sábio, tudo está ao seu alcance. Alguns estudiosos dizem que a religião yorubá, é a religião monoteísta mais antiga da humanidade.

Vocabulário

ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | criador. ser supremo

ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | deus

ẸLẸ́DA  s.   | éléda  | ser supremo

ỌBA ÒGO  n.   | óba ôgo  | Rei da Gloria

ỌBA Ọ̀RUN  n., div.   | óba ôrun  | Rei do Céu. Título de Olodumaré

ỌBÁNGÍJI  n., div.   | óbánguídji  | O Todo Poderoso. Título atribuido a Olodumáre

ỌBÁNGÍJI  n., div.   | óbánguídji  | O Senhor. Título atribuido a Olodumáre

ÒDÙMARÈ  n., div.   | ôdùmarê  | Ser Supremo. Epíteto de Olodumaré

OLÓDÙMARÈ  n., div.   | olódùmarê  | Ser Supremo

OLÒFIN  n., div.   | olôfin  | Epíteto de Olodumare. Deus da Justiça, Tradução Literal: Dono da Lei

ỌLỌ́RUN  n.   | ólórun  | Deus

ỌLỌ́RUN  n., div.   | ólórun  | [ọlọ = Senhor + ọ̀run = céu]  Deus Supremo. um nome nunca aplicado a deuses menores ou orixás

ỌLỌ́RUN  n.   | ólórun  | O Senhor do Paraíso

Tag: orixas Atualização : 20/02/2012

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Erinlè Destaque

Erinlẹ̀

Erinlẹ̀, Inlẹ ou Ibualama é o orixá da caça de Ijexá, onde passa um rio do mesmo nome. Seu templo principal é em Ilobu, onde, segundo Ulli Beier, dois cultos teriam se misturado: o culto do rio e o do caçador de elefantes que, em diversas ocasiões, viera ajudar os habitantes de Ilobu a combater seus adversários.

Seu símbolo, de ferro forjado, é um passaro fixo sobre uma haste central, cirundada por dezesseis outras hastes sobre as quais se encontra também um pássaro. O culto de Erinlé realiza-se às margens de diversos lugares profundos do rio, chamados ibù. Cada um desses lugares recebe um nome, mas é sempre Erinlé que é adorado sob todos esses nomes. Um desses lugares profundos é chamado Ibùalámọ (Ibualama), um dos nomes pelo qual é conhecido no Brasil, embora geralmente considerado uma qualidade de Ọ̀ṣọ́ọ̀si

Lendas

Em Ijebu viveu um caçador chamado Erinlẹ̀, ele era generoso e imbatível na caça, por isso era admirado pela maioria da população, mas havia alguns moradores que invejavam Erinlẹ̀ e que conspiravam para arruinar o caçador, famoso pela caça de elefantes e de outros animais.

Decidiram roubar cabras e ovelhas do rei e culpar Erinlẹ̀, o rei intimou quem soubesse algo sobre o roubo a dizê-lo, os conspiradores foram até o rei fazer a acusação, disseram que Erinlẹ̀ roubava cabras e ovelhas, escondia as peles em casa e dizia que as carnes eram de animais selvagens.

O rei quis ouvir a defesa de Erinlẹ̀, houve testemunhos a favor dele, diante do impasse, o rei ponderou que Erinlẹ̀ parecia ser de fato um grande caçador, mas teria que provar sua inocência.

Erinlẹ̀ disse:

- Minha caça falará por mim.

- Minha caça será minha testemunha”.

Erinlẹ̀ foi até sua casa e trouxe coisas para o rei, Erinlẹ̀ trouxe as peles dos animais selvagens que havia caçado, presas de elefantes e de javalis, peles de gamos, veados e antílopes.

Então o rei reconheceu a inocência de Erinlẹ̀ e ordenou que ninguém mais tocasse no assunto, Erinlẹ̀ foi para casa, inocentado porém triste.

Erinlẹ̀ nunca se conformou com a acusação que sofrera, Erinlẹ̀ pensava e não entendia a razão de tentarem desgraça-lo, n ão quis mais caçar nem comer com os seus.

Em momentos de desespero fustigava o próprio corpo com a sua chibata de cavaleiro, seu bilala.

Imaginava que seria acusado novamente caso acontecesse outro roubo de animais.

Erinlẹ̀ perdera completamente a vontade de caçar, então entrou na água de um rio próximo e partiu de Ijebu, onde nunca mais foi visto, E se tornou o orixá do rio.

Erinlẹ̀ agora é o rio, o rio Erinlẹ̀ é Erinlẹ̀, o orixá caçador que já não caça.

Vocabulário - Yorùbá

ERINLẸ̀ AJÀJÁ  Trad. Lit. Ele que come cachorron., div.   | erinlê adjàdjá  | [jẹ = comer + ajá = cachorro]  Título Honorífico de Erinlé

ÌBÙALAMÒ  Trad. Lit. Um segredo profundon., div.   | ìbùalamô  | [ìbú = abismo, profunda + alamọ̀ = um segredo]  Título Honorífico do Orixá Erinlé

INLẸ̀  n., div.   | inlê  | [Erinlẹ̀]  Orixá Erinlé

ODÒ ERINLẸ̀  n.   | odô erinlê  | Rio Erinle. Erinle é um rio que hoje é um afluente do Osun. Não é um rio muito longo.

ỌPÁ ỌRẸRẸ  s.   | ókpá óréré  | cajado de erinlé

Referências

  • Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001
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Jàgún Destaque

Jàgún

Jagun é um Òrìṣà ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira… Apesar de ser Òrìṣà Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada (Ọ̀kọ̀) na mão e um facão ou adaga na outra, e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos, pois conta se um itan que Òṣàlà o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco.

Jágun é Òrìṣà jovem, quase chega ser um menino adolescente de Ọbàtálá. Ligado a Ọbàtálá (Rei do pano branco), tem caminhos com Ògún Já, Oṣoguian – Ajagunãn, e Ayrá. Têm caminhos também com Yèmọnja e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria.

Quem traz Jágun ao barracão é Oṣoguian. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oṣàlúfọ́n. Por ser considerado Òrìṣà Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce, banha de ori, adin e as vezes mel e de preferência a banha de Ori, suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obí funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Òṣàlà, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Ọbàtálá). Jágun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ògún e principalmente Oṣoguian e Oṣàlúfọ́n. A dança de Jágun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jágun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun, assim como Ògún, é um grande caçador, e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Ọ̀ṣọ́ọ̀si a caçar. Ele não deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro, mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.

Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn. Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Ọbàtálá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Òṣàlà e eram os Guardiões deste Òrìṣà. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Ọbàtálá. Eram considerados invencíveis por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Ọ̀ṣun. Ọ̀ṣun com a grande sabedoria dos poderes de Ya mi, foi avisada que seu reino seria atacado. Ọ̀ṣun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Orumila mandou fazer um ebó, sacrificar oito Igbis a Òṣàlà e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Oṣogbo. Assim Ọ̀ṣun fez, quando os guerreiros chegaram para invadirem as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ògún, e Ajagunã para as terras de Oṣoguian. Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a serem Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Ọbàtálá, seus caminhos se cruzam… os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Paz. Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também não era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amam até hoje, e essa linda mulher era Yewa. Lá, ele se juntou com o Òrìṣà Osayn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Osayn o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Ọ̀ṣun era rainha e Osagyan grande guerreiro e protetor do palácio e cidade de Ọ̀ṣun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Oṣogbo, para destruir a cidade e buscar Ọ̀ṣun, pois Ọ̀ṣun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, então por ordem de Olooke ele foi buscá-la. Depois de isso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oṣoguian trouxe Ọ̀ṣun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oṣoguian quem deu as terras de Ekiti para Ọ̀ṣun, mas não foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Ọ̀ṣun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai. Òrìṣà Olooke vendo o prejuízo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Ọ̀ṣun, intitulou Jagun Olu (Guerreiro senhor), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti). Òrìṣà Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças a Ọlọ́run, está sendo resgatado todos os preceitos e orôs. Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Ọdẹ, Arawe, Agaba e outros….Jagun é um lindo Òrìṣà de grande valor e na verdade seu culto é separado de Obaluaye….

Características

Fio de Contas Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de búzios e marfim.
Instrumento Ọ̀kọ̀ - Lança, Gbada - facão
Odu Ejionilê

Qualidades

  • Jagun Elewé - Ligado a família Unjí, esse caminho é o caminho que Jagun passou nas terras de Sapata e encontrou Orisá Ọ̀sónyìn e aprendeu a magia da cura e das folhas.Caminha com Ọ̀sónyìn.Sua ferramenta é um opere Ọ̀sónyìn prateado mas sem as folhas Faz Oro com Ọ̀sónyìn e ligado a Erinlẹ̀ e Ògún Já.Nesse caminho ele é muito guerreiro e ligado a cura e os mistérios de magia de Ìyámi Oṣoronga.
  • Jagun Alagba ou Jagun Abagba - Esse caminho de Jagun é muito melindroso,pois ele tem muita ligação com Ìyámi e Baba Egun.Pessoas desse caminho pelo menos tem que se tomar Bori ou Obi com Ejé dois vezes no ano.È um caminho muito quente,tem ligação com Yewa pois ele foi sua esposa e é bom arruma todas as Iyabás para acalmá-lo,alias todos os caminho é bom serca com muito Orisá Omi e Òṣàlà.Esse caminho é Ligado a Ajagunã e Já.Ele leva uma mão de pilão nas costas e mora no quarto de Orinssala ou em um quarto com Ajagunã/Betiode ou Betioco dependendo do Odu da pessoa e Já.Para mexer com esse Orisa independente de caminho tem que tratar bem de Ìyámi, Egun e Esú. Esse caminho de Jagun usa três ikeles um de Buzios,um de conta e outro de Branco de Osala.
  • Jagun Ọdẹ Ou Jagun Olodé - Ligado aos Odés.Inclusive mora no quarto dos Odés.Ligado a Ògún e Ọ̀ṣọ́ọ̀si.Ele usa um Ofá prateado.Faz Orô com Ọ̀ṣọ́ọ̀si e Ògún Já. Mas se arruma: Ọ̀ṣọ́ọ̀si,Otín e Logun Edé, Erinlẹ̀,Iya Otín ,Ajagunan Betiodé e Ògún..Ou seja ele é ligado a todos os Odés e mais ele sai também no abado de Ọ̀ṣọ́ọ̀si e nos mariows de Ògún.
  • Jagun Igbona - Ligaçao com Ayrá,nessa fase Jagun era lento como um igbí,que por isso Ayrá esquentou o casco do igbí para esquentalo E por isso nessa fase de Jagun é muito quente por se ligado aos Orisás do fogo.Ayrá e Oyá.
  • Jagun Agbá funfun - Ligado a Oṣàlúfọ́n, Yèmọnja e Oṣoguian. Esse caminho tem que fazer bastante oro a Ayrá pois ele é guerreiro mais é bem lento ....
  • Jagun Ajojí ou Jagun Seji Lonan - Ligado a Ògún, muito sanguinário. Ele é muito quente e guerreiro,nessa fazer Jagun usa mario ou abre caminho mara acalmá-lo.Faz orô com Ògún,esse caminho leva um ikele e umbigueira de ferro.Ligado a Esú Ona também..
  • Jagun Aisan - Esse caminho de Jagun é totalmente Fêmea ou seja Iyabá,esse caminho ele se cobre de palha ou mario.quase não se faz mais.Assim conta -se o itan que ele nesse caminho seria fêmea.E por mais um motivo que muitas pessoas confundirão Jagun c/ Obalúwaìye por esse caminho usar palha.Esse caminho só se arruma não se faz em Ori.
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Ìyá Ode Otín Destaque

Ìyá Ode Otín

Otín - Orixá da caça, companheira de Ọdẹ (a mãe de Ọdẹ chama-se Iyá Ọdẹ Apáòka, (cujo culto realiza-se em um pé de jaqueira), vive no mato em sua companhia, esta Iyagbá é pouco cultuada no Brasil, seu culto é mais conservado nas nações de Batuque no Sul do país. è raro encontrar filhos de Otín; é um Orixá feminino que alimenta-se de todo tipo de caça, porém seu alimento preferido é a carne de porco.

As filhas de Ọdẹ Otín são aquelas cujo metabolismo básico e características de personalidades herdadas geneticamente mais se identificam com uma matriz, a própria Ọdẹ Otín, que se manifesta em ambientes como florestas cerradas, parques onde animais são preservados, do contato do homem. Dois Orixás iorubas que não apreciam contato com muita gente é: o mago Ossaiyn, o solitário senhor das folhas, e Ọdẹ Otín, a caçadora. Possui em comum o gosto pelo individualismo e o ambiente que habitam; a floresta virgem, as terras verdes não cultivadas.

A floresta é a terra do perigo, o mundo desconhecido além do limite estabelecido pela civilização iorubana, é o que está além do fim da aldeia. Os caminhos não são traçados pelas cabanas, mas sim pelas árvores, o mato invade as trilhas não utilizadas, os animais estão soltos e podem atacar livremente. É o território do medo.

Ọdẹ Otín é um Orixá feminino responsável pela fundamental atividade da caça. É tradicionalmente associado à lua e, por conseguinte, à noite, as Iyá mi Ajés e os pássaros da noite, pois a noite é o melhor momento para a caça. Ọdẹ Otín e Ossaiyn têm na floresta o próprio fim, nela se escondem. O primeiro para capturar os animais, o segundo para poder estudar sozinho e recolher as folhas sagradas.

Otín mora nas águas com Iyemanjá, ErInlẹ̀ e Ọ̀ṣun e na floresta com os irmãos Ossaiyn, Ògún e Ọdẹ, no cultivo com Òrìsà Oko Ọdẹ Otín e Ossaiyn representam as formas mais arcaicas de sobrevivência, a apologia da caça em detrimento da agricultura, a apologia da magia e do ocultismo em detrimento da ciência.

No Candomblé, a cor verde é consagrada a Ossaiyn por sua proximidade com as folhas, ficando o azul para Ọdẹ Otín, um azul pouco mais vivo e claro que o de Ogum, numa transição cromática.

Outro dado que identifica e aproxima Ọdẹ Otín de Ogum, é o fato de ambos representarem atividades e possuírem temperamentos próprios de uma mesma faixa etária, a juventude (mas não a adolescência, pois são mitos adultos, viris), onde a energia se expressa fisicamente.

Ọdẹ Otín é um Orixá que vive ao ar livre e está sempre longe de um lar organizado e estável. Seu combate cotidiano, entretanto, está nas matas, caçando os animais que vão garantir a alimentação da tribo, sendo por isso consagrado como protetor dos caçadores e eterno provedor da subsistência do gênero humano. Protege tanto o que mata o animal como o próprio animal, já que é um fim nobre a morte de um ser para servir de alimento para outro. Protege os antagonistas, a caçadora, e a caça, pois são seres do mesmo espaço, a floresta. Por isso Ọdẹ Otín nunca aprova a matança pura e simples, para ele a morte dos animais deve garantir a comida para os humanos ou os rituais para os deuses, sendo símbolo de resistência à caça predatória. O conceito de liberdade e independência para Ọdẹ Otín é muito claro. Sua responsabilidade principal com relação ao mundo é garantir a vida dos animais para que possam ser caçados. Em alguns cultos, também se atribui a ela o poder sobre as colheitas, já que agricultura foi introduzida historicamente depois da caça como meio de subsistência.

Orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos. Seus símbolos são ligados à caça: no Candomblé, possui um ou dois chifres de búfalo dependurados na cintura. Na mão, usa o eruquerê (eiru), que são pelos de rabo de boi presos numa bainha de couro enfeitada com búzios, um ofá arco e flecha, uma lança.

O mito da caçadora identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados, num sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros.

Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Ọdẹ Otín o identifiquem não com uma negra, como manda a tradição, mas com uma Índia. Seu objeto básico é o arco e a flecha, o ofá. e o Ọdẹmatá.

Ọdẹ Otín é o que basta a si mesmo. A ela estão ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Ọ̀ṣun, Iyemanjá, Ìyásan.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE Ìyá Ọdẹ Otín

O filho de Ọdẹ Otín apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa a marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo. Ọdẹ Otín desconhece a agricultura, não muda o solo para ele plantar, apenas recolhe o que pode ser imediatamente consumido, a caça.

No tipo psicológico a ela identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, a fim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade da caçadora. Assim os filhos de Ọdẹ Otín trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver as observações tão importantes para seu Orixá.

Geralmente Ọdẹ Otín é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservada, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreta quanto ao seu próprio humor e disposição.

Os filhos de Ọdẹ Otín, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ela que recai o peso do sustento da tribo.

Os filhos de Ọdẹ Otín tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser maternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Ọdẹ Otín como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamento emocional muito estável. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ela é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Ọdẹ Otím compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá (ajuntó). São pessoas tipicamente extrovertidas, gostando de viverem sozinhos, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, os tipos coerentes com as pessoas que lidam bem com a realidade material sonham poucos, têm os pés ligados a terra.

Lendas

OKE, rei da cidade de Otã, tinha uma filha. Ela nascera com 4 seios e era chamada de Otín. O rei OKE adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de OKE, este era o segredo de Otín. Quando Otín cresceu, o rei aconselha-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que há amasse um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo. Otín ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, Otín viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de Otín, que insistiu em casar-se com ela. Otín recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impôs também sua condição: Otín jamais deveria por mel de abelhas na comida dele, porque isso era seu tabu, seu ewó.

Por muitos anos, Otín viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra Otín.

Era o dia de Otín cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador. Quando Otín deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida. Quando o caçador chegou a casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido.

Furioso, bateu em Otín e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo: "Tu, com teus quatro seios, sua filha de uma vaca, como ousaste a quebrar meu tabu?" A novidade espalhou-se pela cidade como fogo. Otín, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos.

Otín fugiu de casa e deixou a cidade do marido

Voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai. O velho rei a confortou, mas ele sabia que a noticia chegaria também a sua cidade. Em desespero, Otín fugiu para a floresta. Ao correr, tropeçou e caiu. Nesse momento, Otín transformou-se num rio, e o rio correu para o mar. Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha. Lá ia o rio fugindo para o mar. Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio Otín para o mar. Mas Otín contornou a montanha e seguiu seu curso. OKE, a montanha, e Otín, o rio, são cultuados até hoje em Otã. ODÉ, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.

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Ajé Saluga - Ajê Saluga

Ajê Saluga - Ajè Ṣaluga

A Dêusa da Riquêza

Ajè Saluga simboliza para o Povo Yorubá o poder de Ganhar e Obter dinheiro para uma vida sem dificuldades e com prosperidade extensiva a toda a familia.

É um orixá cultuado em todo o Panteão africano e nas Américas por Babalorixás e Babalawos, esses líderes espirituais, quando se defrontam em jogo com uma situação precária de vida do filho ou cliente que os procura, aconselham apropriadamente a estes que façam o ASSENTAMENTO DE AJÈ SALUGA.

É um fundamento que poucas casas de santo conhecem ou cultuam, para Assentar Ajè Saluga faz-se necessário ter os seus 4 fundamentos também assentados, para que se consiga atingir os intentos, mudar o destino, consagrar todo o ritual e atingir o objetivo que é o de prosperar quem o cultua.

Os 4 Fundamentos necessários para se ter Ajè Saluga são:

  • Esú Odará
  • Orunmilá       
  • Osanyín
  • Igbá Ori
  • image003

O iniciado que não tiver esses 4 assentamentos amarrados aos orôs de Ajè, com certeza não terá canalizado para si os poderes de Ajè Saluga.

Faz-se necessário ainda que esses Orixás estejam dispostos da seguinte forma na arrumação do Ojubó :

Orunmilá ao centro, Esú Odará a esquerda, Osanyín a direita, Igbá Ori a frente e o assentamento de Ajè esteja a frente do Igba Ori e abaixo, significando o caminho daquela pessoa e o que está no por vir dela.

Ajè é um Orixá do sexo feminino e tem seu poder em mejí ao centro de tudo, vive cercado de uma outra quantidade de peças importantes e primordiais para o seu devido encantamento.

Após longo Ritual de Consagração desse Igbá Ajè Saluga, com Rezas, Cânticos e Sacrifícios é entregue então ao seu novo Cultuador o Igbá Ajè, dizem os tabus brasileiros só quem manuseia e trata de Ajè é a pessoa que o recebeu, corre-se o risco de se perder tudo quando este Orixá é cuidado por outra pessoa que não a recebeu, mas no panteão africano Ajè pertence à comunidade e todos devem cultuá-la.

Ajẹ́ Ṣaluga, o fi ẹni iwaju silẹ ṣe ẹni ẹ̀hin ni pẹlẹ, orí kí ọ̀ran ki ọ tan

Ajê muitas vezes passa pela primeira caravana, como se fosse ao mercado, e carrega a última com bênçãos

 

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Ajé Saluga Destaque

Ajé Saluga

Ajẹ́ aluga é a irmã mais nova de Yèmọnja. Ambas são as filhas prediletas de Olóòkun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olóòkun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Aje aluga ganhou o poder sobre as marés. Eram nove as filhas de Olóòkun e por isso se diz que são nove as Yèmọnjas. Dizem que IYèmọnja é a mais velha Olóòkun e que Ajê Salugá é a Olóòkun caçula, mas de fato ambas são irmãs apenas. Olóòkun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece os segredos todos, que são os segredos de Olóòkun. Ajê Salugá era, porém, menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olóòkun saía para o mundo, Ajê Salugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olóòkun disse à sua filha caçula: O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares. Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso. Na próxima vez que Ajê Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olóòkun, seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo. Muitos homens e mulheres olhavam admirados o brilho intenso das ondas do mar e cada um com o brilho ficou cego. Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres. Mas quando Ajê Salugá também perdeu a visão, ela entendeu o sentido do segredo. IYèmọnja está sempre com ela, Quando sai para passear nas ondas. Ela é a irmã mais nova de Yèmọnja.

Este itan descreve a lenda do surgimento do Orixá Aje aluga. Quando se encontrava no céu perto de Mawu, o caramujo Aje se chamava Aina e era do sexo feminino. Naquela época, Fa Ayedogun passava por sérias dificuldades financeiras e, por ser muito pobre, não era convidado a participar de qualquer festa ou reunião social. Aina, recém nascida, era muito feia. Sua aparência terrível fazia com que todos evitassem sua companhia e ninguém aceitava tê-la em casa. Depois de ser rejeitada em todas as casas, Aina bateu na porta de Fa Ayidogun, que apesar do estado de miséria em que se encontrava, acolheu a menina. Uma bela noite, Aina acordou Fa, anunciando que estava prestes a vomitar. O hospedeiro apresentou-lhe uma tigela para que vomitasse, mas ela recusou-se. Uma cabaça foi trazida e também recusada e depois, uma jarra foi objeto de nova recusa. Fá perguntou então, o que poderia fazer para ajudá-la e Aina disse: "Lá no lugar de onde venho, costuma-se vomitar todos os dias, no quarto. Conduzida ao quarto, Aina começou a vomitar todos os tipos de pedras preciosas, brancas, azuis, vermelhas, verdes, etc. Naquele momento, um marabu que passava, penetrou na casa de Fá e perguntou por Aina. "Ela está no quarto, acometida por uma crise de vômitos." Respondeu Fá. O estrangeiro foi ver o que se passava e ao deparar com Aina vomitando pedras preciosas, exclamou: "Ha! Nós não conhecíamos os poderes de Aina, hoje revelados!" Disposto a serví-la, colocou-lhe o nome de Anabi ou Ainayi, que em Yoruba quer dizer: Aina vomita, Aina deu toda riqueza a Fá Ayidogun. Os muçulmanos, depois disto, fizeram de Aina uma divindade, conhecida entre eles, como Anabi

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