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As Sete Lágrimas de um Preto Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava.

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete.

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma.

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Religiões Afro-brasileiras

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São consideradas religiões afro-brasileiras, todas as religiões que tiveram origem nas Religiões tradicionais africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, na condição de escravos. Ou religiões que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos.

  • Babaçuê- Maranhão, Pará
  • Batuque - Rio Grande do Sul
  • Cabula - Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • Candomblé - Em todos estados do Brasil
  • Culto aos Egungun - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
  • Culto de Ifá - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
  • Encantaria - Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas
  • Omoloko- Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo
  • Pajelança - Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas
  • Quimbanda- Em todos estados do Brasil
  • Tambor-de-Mina - Maranhão
  • Terecô - Maranhão
  • Umbanda- Em todos estados do Brasil
  • Xambá - Alagoas, Pernambuco
  • Xangô do Nordeste – Pernambuco
  • Toré – Chapada da Diamantina - Bahia
  • Jarê – Piaçabuçu – Alagoas
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As religiões afro-brasileiras na maioria são relacionadas com a religião yorùbá e outras religiões tradicionais africanas, é uma parte das religiões afro-americanas e diferentes das religiões afro-cubanas como a Santeria de Cuba e o Vodou do Haiti pouco conhecidas no Brasil.

Crenças

De todas as religiões afro-brasileiras, a mais próxima da Doutrina Espírita é um segmento (linha) da Umbanda denominado de "Umbanda branca", e que não tem nenhuma ligação com o Candomblé, o Xambá, o Xangô do Recife ou o Batuque. Embora popularmente se acredite que estas últimas sejam um tipo de "espiritismo", na realidade trata-se de religiões iniciáticas animistas, que não partilham nenhum dos ensinamentos relacionados com a Doutrina Espírita. Entretanto, outros segmentos da Umbanda podem ter algumas semelhanças com a Doutrina Espírita, mas também com o Candomblé por causa da figura dos Orixás.

No tocante especificamente ao Candomblé, crê-se na sobrevivência da alma após a morte física (os Eguns), e na existência de espíritos ancestrais que, caso divinizados (os Orixás, cultuados coletivamente), não materializam; caso não divinizados (os Egungun), materializam em vestes próprias para estarem em contacto com os seus descendentes (os vivos), cantando, falando, dando conselhos e auxiliando espiritualmente a sua comunidade. Observa-se que o conceito de "materialização" no Candomblé, é diferente do de "incorporação" na Umbanda ou na Doutrina Espírita.

Em princípio os Orixás só se apresentam nas festas e obrigações para dançar e serem homenageados. Não dão consulta ao público assistente, mas podem eventualmente falar com membros da família ou da casa para deixar algum recado para o filho. O normal é os Orixás se expressarem através do jogo de Ifá, (oráculo) e merindilogun.

Dependendo da nação ou linha de candomblé, os candomblés tradicionais não fazem a princípio contato com espíritos através da incorporação para consultas, é possível mas não é aceito.

Já o candomblé de caboclo tem uma ligação muito forte com caboclos e exus que incorporam para dar consultas, os caboclos são diferentes da Umbanda.

E existem os candomblés cujos pais de santo eram da Umbanda e passaram para o candomblé que cultuam paralelamente os Orixás e os guias de Umbanda.

No Candomblé, todo e qualquer espírito deve ser afastado principalmente na hora da iniciação, para não correr o risco de um deles incorporar na pessoa e se passar por orixá, o Iyawo recolhido é monitorado dia e noite, recorrendo-se ao Ifá ou jogo de búzios para detectar a sua presença. A cerimónia só ocorre quando este confirma a ausência de Eguns no ambiente de recolhimento.

Afastam todo e qualquer espírito (egun), ou almas penadas, forças negativas, influências negativas trazidas por pessoas de fora da comunidade. Acredita-se que pessoas trazem consigo boas e más influências, bons e maus acompanhantes (espíritos), através do jogo de Ifá poderá se determinar se essas influências são de nascimento Odu, de destino ou adquiridas de alguma forma.

Os espíritos são cultuados, nas casas de Candomblé, em uma casa em separado, sendo homenageados diariamente uma vez que, como Exú, são considerados protetores da comunidade.

Existem Orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem as árvores sagradas que são as mesmas das religiões tradicionais africanas onde Orixás são cultuados pela comunidade como é o caso de Iroko, Apaoká, Akoko, e também os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do Orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o Orixá divinizado.

Ou seja uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual é uma parte daquele Xangô divinizado com todas as características, ou como chamam arquétipo.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o Orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

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Vocabulario Lucumí

Vocabulario Lucumí


El lucumí o lacumí es el lenguaje yoruba como es hablado en Cuba y los Estados Unidos.  El yoruba es un lenguaje tonal como el chino.  Los acentos se utilizan para hacer énfasis en los tonos para aquellos de nosotros que no estamos familiarizados con el lenguaje tonal.  También, algunos de los sonidos difíciles como el sonido de la letra "p" africana, el cual es pronunciado más o menos como el sonido de "kp" es aproximado utilizando "kp" o "cu".  El siguiente vocabulario sigue la ortografía española con unas pocas excepciones para ayudar a los de habla inglesa:

• La "ch" en español se usa sencillamente porque no existe el sonido "sh". En inglés se usa "sh".

• La "y" en española tiene un sonido que se aproxima al sonido de la "j" en inglés y en yoruba. 

• El sonido de la "ñ" es usado muy escasamente aquí, y es usualmente substituído en la siguiente lista por la "y".

• Como en el español, el acento es en la segunda o última sílaba a menos que haya un acento sobre otra sílaba.

Debo aclarar que el lacumí es una tradición oral y que las versiones escritas fueron hechas más bien como "forros" o "trampas" y no como otra cosa, y no deben ser utilizadas como "prueba" de la descomposición del lenguaje.  Los que hablan lukumí en Matanzas y otras áreas, lo hacen muy parecido a como hablaría un yoruba.  He hablado en lacumí con personas que hablan yoruba nacidos en Nigeria sin ninguna clase de dificultad.  De hecho, en una ocasión fuí saludado por un asombrado yoruba al que le estaba hablando, con la frase llena de sorpresa "tú hablas Yoruba!!!"
A continuación, una lista de palabras lucumí para que vaya aprendiendo:

Abó Adié: Gallina
Abó: Carnero
Abebé: Abanico
Aberinkulá: Una persona o cosa no iniciada
Abure: Hermano, hermana
Adé: Corona
Afefé: Viento
Agó: Pedir permiso, tocar a una puerta
Agogó: Campana, hora
Agoya: Entre
Aikú: Salud, larga vida
Ayuba: Nosotros le saludamos....
Akukó: Gallo
Ala: Tela blanca
Ala: Sueño
Alagba, Agbalagba: Respetado
Aleyo: Intruso, extraño
Aná: Camino
Ara: Trueno
Arayé: Envidia, mala fé
Arun: Enfermedad
Achá: Cigarro, tabaco
Aché: Así sea, El Poder Espiritual del Universo, Talento
Achelú: Policía
Acheogún Otá: Victoria Sobre Enemigos
Achere: Maraca, maruga
Acho: Tela
Ataná: Vela
Awó: Secreto
Ayán: El Orisha de los Tambores
Babá: Padre
Babalawo: Padre de los Secretos
Babalocha: Padre de Orisha, Sacerdote
Busi: Bendecir
Didé: Levántese
Dudu: Obscuro
Egun: Los Muertos
Eiyele: Paloma
Ejá: Pescado
Eje: Sangre
Ejo: Caso de Cortes
Ekó: Harina de maíz
Ekú: Jutía, Hutía
Ekún: Leopardo
Ekpó: Aceite de Palma
Ení: Estera
Ení: Persona
Ese: Pie
Eyín: Huevo
Fe:  Amor
Foribale: Postrarse para saludar
Fun: Para, dar
Funfún: Blanco
Gbogbo: Todos
Gidigidi: Mucho
Iñá: Fuego
Ibú: Arroyo, río
Ibaé Bayé T'orún: Descanse en Paz (Saludo a los muertos)
Igba: Calabaza
Ikú: Muerte
Ilé: Casa
Ilé: Tierra, suelo
Ilekún: Puerta
Iré: Bendiciones
Irawo: Estrella
Ichu: Boniato africano
Iworo: Sacerdote
Iyá: Madre
Iyalocha: Madre de Orisha, Sacerdotisa
Iyawó: Esposo/Esposa
Kosí: No haya
Kunlé: Arrodillarse
Lo: Ir
Maferefún: Alabado sea...
Mi: Mi
Mo: Yo
Moducué: Gracias
Moforibale: Yo te saludo postrándome
Moyuba: Yo te saludo
Nlo: Va
Obá: Rey
Obí: Coco, Nuez Obí Kola
Obirín: Mujer
Odo: Río
Ododó: Flor
Ofún: Yeso (hecho de cáscaras de huevo)
Ofo: Pérdida
Ogun: Brujería
Okún: Mar, Océano
Oke: Montaña
Oko: Hombre, esposo
Olo: Dueño, el poseedor...
Oluwo: Señor de los Awos (Babalawo que previamente fué un sacerdote de los
orishas)
Omí Dudu: Café
Omí: Agua
Omo: Hijo, niño
Ona: Camino
Oni: Dueño de...
Opolopo: Suficiente
Orí: Cabeza
Orí: Manteca de Cacao
Orún: Cielo, Paraíso
Orún: Sol
Oshe: Hacha doble
Osogbo: Influencia negativa
Otí: Ron
Owó: Dinero
Owú: Algodón
Oyín: Miel
Chiché: Trabajo
Surefun: Bendecir
Temí: Mi, mío
Tie: Tu, su
Timbelese: Al pie de...
Tobí: Que parió
Tutu: Fresco
Wa: Ven
Waní: El que viene
Yeye: Mama
Yuba: Saludo

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Língua iorubá

Língua iorubá

O iorubá ou ioruba (Èdè Yorùbá, "idioma iorubá") é um idioma da família linguística nigero-congolesa, e é falado ao sul do Saara, na África, dentro de um contínuo cultural-linguístico, por 22 milhões a 30 milhões de falantes.

A língua iorubá vem sido falada pelo povo iorubás há muitos séculos. Ao lado de outros idiomas, é falado na parte oeste da África, principalmente na Nigéria, Benim, Togo e Serra Leoa.

No continente americano, o iorubá também é falado, sobretudo em ritos religiosos, como os ritos afro-brasileiros, onde é chamado de nagô, e os ritos afro-cubanos de Cuba (e em menor escala, em certas partes dos Estados Unidos entre pessoas de origem cubana), onde é conhecido também por lucumí).

Classificações linguísticas

O iorubá faz parte da sub-família linguística benue-congo, pertencente à família nígero-congolesa. No tocante à fonética, o iorubá é um idioma tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar dois fonemas.

A ordem básica dos constituintes é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO).

Iorubá como segunda língua

O idioma oficial da Nigéria é o inglês no entanto muitas pessoas também falam outros idiomas, os principais deles sendo igbo ou ibo e hausa ou hauçá. O inglês funciona mais é como língua franca no país, e possui características próprias bem distintas. Portanto, falantes de iorubá da Nigéria muitas vezes utilizam curtas expressões em inglês, intercaladamente, em suas conversações no idioma materno.

A maior parte das publicações e projetos online, como dicionários e gramáticas, visando auxiliar as pessoas interessadas no aprendizado do idioma iorubá, se encontram nas combinações linguísticas iorubá-inglês e iorubá-francês (e vice-versa).

No entanto, existem vários projetos similares de português-iorubá, especialmente dicionários, sendo estes reconhecidos por instituições culturais nacionais renomadas, como a Fundação Cultural Palmares, etc. As referidas obras, por serem produzidas no Brasil, geralmente abordam este idioma africano dentro do contexto da experiência cultural-religiosa afro-brasileira.

Ortografia iorubá

A B D E F GGb H I J K L M N O P R S Ş T U W Y
a b d e f ggb h i j k l m n o p r s ş t u w y

As letras c, q, v, x, z não são usadas.

Letras que se utiliza o ponto embaixo: Ọ, Ẹ e Ş

  • Ş com ponto embaixo tem o som de X ou CH
  • Ọ e Ẹ com ponto embaixo tem som aberto

As vogais são sete: A, E, Ẹ, I, O, Ọ, U, quando seguidas de N terão som nasal.

A acentuação é utilizada da seguinte forma: o A é pronunciado com som aberto (agudo); o Ẹ é pronunciado com som aberto (agudo); o E é pronunciado com som fechado (grave); o Ọ é pronunciado com som aberto (agudo); o O é pronunciado com som fechado (grave); o U é pronunciado com som aberto (agudo); o acento agudo é pronunciado em tom alto; o acento grave é pronunciado em tom baixo; a ausência de acentuação é pronunciada em tom médio; o til significa a repetição da vogal (ã = aa, õ = oo); o sublinhado sob uma vogal indica que seu som é aberto; o sublinhado sob a consoante S

  Fonemas Vogais            
  Consoantes A E I O U
  B bi
  D di
  F fi
  G guê gué gui
  GB güá güê güé güi güô güó güú
  H rrá rrê rré rri rrô rró rrú
  J djá djê djé dji djô djó djú
  K quê qué qui
  L li
  M mi
  N ni
  P puá puê pué pui puô puó puú
  R ri
  S ssá ssê ssé ssi ssô ssó ssú
  Ş xi
  T ti
  W
  Y

Uma mesma palavra só depende do tom para ser distingüida:

Ọkò = carro, espada

Ọko = marido

Ọkó = enxada

Números

  1 - Ení, Ókan 6 - Èfà 11 - Ókànlà 16 - Érìndinlógún
  2 - Èjì 7 - Èje 12 - Éjìlà 17 - Étàdinlógún
  3 - Èta 8 - Èjo 13 - Étàlà 18 - Éjìdinlógún
  4 - Èrin 9 - Èsàn 14 - Érìnlà 19 - Ókàndinlógún
  5 - Àrùn 10 - Èwà á 15 - Èdogún 20 - Ogún

 

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Oya Egunitá

Egunitá é uma das nove Oyas de culto Igbalé e sem dúvida a mais famosa, por ser habitante da floresta sua kizila (Ewo) é a fumaça.

Egunitá é a deusa do espirito dos mortos e por isso não possuía filhos, mas desejava ser mãe, então dentro da floresta da morte ela conseguiu parir nove vezes.

Oyá estava nos dias de ganhar o primeiro filho e então ela fez a gigante tempestade de Eboykó e nesse dia foi atacada pelas Iyami, as bruxas rasgaram-lhe a barriga e raptaram o bebê, o cobriram com panos velhos e sujos e o alimentaram com Okete, o rato do cemitério. Nisso o bebê foi chamado Emalegan, o primeiro Egun, símbolo do poder sobre o Vento.

No segundo dia da tempestade Oyá pariu novamente, esse dia a tempestade foi muita bruta e nisso Oyá mostrou toda sua força. No meio da tempestade pariu o segundo Egun Yorugãn. Este Egun foi criado nas folhas de bananeira e é ele quem cuida da Sopeira do ibá de Oyá e é o símbolo de sua vaidade. Yorugãn é o filho que Oyá mais ama.

No terceiro dia da tempestade Oyá iluminou o céu e então pariu Akugan, este que é o Egun que bate os pés no chão fazendo ruídos e barulhos. Foi criado comendo brotos de bambu, é rebelde e simboliza a rebeldia de Oyá.
No quarto dia da Tempestade Oyá estava apreensiva e então pariu Orugã, que é o Egun sério, frio e calculista, caiu no milharal e foi criado lá. De Oyá ele ganhou um Atori chamada Pason, se veste de Mariwo e mora em buracos cavados no chão, é o lado sério de Oyá.
No quinto dia da Tempestade de Eboykó nasceuRungan, o Egun valente que salvou a Yabá Olossá da perseguição de Ikú. Rungan se alimenta de Bambu velho e é a coragem de Oyá.
No sexto dia da Tempestade nasceu Gyogan, que auxiliou Oxossi na caçada do pássaro Ororú para o rei de Ifé. Gyogan se veste com o couro do Búfalo de Oyá.
No sétimo dia nasceu Ungã, que é o Egun que vive rondando as covas no cemitério e castigando quem viola os túmulos. É o lado sombrio de Oyá.
No oitavo dia Oyá estava no auge do poder de destruição da tempestade e então pariu Bungan, o Egun maligno e perverso que ataca o ser humano e induz o homem a loucura e a desgraça, é o mais poderoso filho de Oyá.
No nono e último dia da tempestade de Eboykó nasceu Segi, chamado Egungun, que tinha poder de incorporar ou manipular os homens. 
Oyá Egunitá agora tinha nove filhos Eguns e ela então recebeu o encargo de guiar os mortos nas nove fazes do desencarne:
* Leito de Morte 
* Velório 
* Caminho até o cemitério 
* Porta do Cemitério 
* Caminho até a cova
* Descida a sepultura 
* Asese
* Despacho do Carrego 
* Subida ao Orum
Caso haja a necessidade de reencarnação, Egunitá guiará o Egun no processo.
Egunitá na batalha de Ajimudá, usou uma máscara de madeira para lutar junto a seu exercito de Eguns, hoje substituímos esta máscara pela pintura de Efun em seu rosto, geralmente em forma de caveira.
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Orixás, Òrisás

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Orixás

Orisàs

História

Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

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Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

  • Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
  • Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
  • Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
  • Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
  • Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e os animais.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos e tempestades. Também é a orixá das paixões.
  • Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquezas materias e espirituais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
  • Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
  • Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. É mãe de Obaluaiê e junto com ele, dona das doenças cancerígenas. Mais velha orixá do panteão africano.
  • Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.
  • Obá, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas.
  • Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô.
  • Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
  • Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Omulu, Orixá da morte.
  • Onilé, orixá do culto de Egungun.
  • Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
  • Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Olokun, orixá divindade do mar.
  • Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
  • Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
  • Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.

África

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Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

  • O culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
  • O culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
  • O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
  • O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
  • O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.

Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

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Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

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Deuses primordiais da mitologia africana

DEUSES PRIMORDIAIS DA MITOLOGIA AFRICANA

Deuses primordiais é um termo que se refere aos primeiros deuses, anteriores à própria criação e responsáveis por ela. Em todos os tempos e eras, a humanidade sempre acreditou num ser primordial, o "grande criador", que deu origem primeiro a si mesmo e depois ao universo, ao mundo e por fim ao próprio homem.

O grande problema no estudo desses mitos, é que são tão antigos, tanto quanto a própria humanidade, datando desde quando o homem começou a se organizar em grupos e sociedades, que ao longo dos tempos muitas vezes sua concepção original vai se modificando a cada período histórico. Outra grande dificuldade é a falta de registros escritos, pois esses mitos tem sua origem desde a pré-história, de forma que muitas vezes o que se sabe deles foi estudado, pesquisado e concluído eras depois.

Na mitologia Africana em particular essa dificuldade é talvez ainda maior e ainda mais marcante.

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OLORUN

Os estudos e registros mais importantes e detalhados datam mais ou menos do século dezenove apenas, antes disso o conhecimento, a cultura e até a mesma a religião eram passadas verbalmente, o que por si só já bastaria para que esses mitos fossem se modificando ao longo do tempo; mais tarde então, quando o povo africano foi colonizado pelo europeu e se espalhou pelo mundo traficado como escravos, sua cultura original geralmente mesclou-se de alguma forma à cultura do país ou região onde ficaram confinados ou a de seus colonizadores.


Embora haja muitas interpretações e versões diferentes, de acordo com o país ou tribo de origem, um ponto em comum pode ser observado, o primeiro grande deus, a força primordial, esse todos concordam que seja Olorun.

Na verdade, seriam, três deuses considerados como forças primordiais e "criadores": Olorun, Odudua e Obatalá.

Quando existia somente o nada, o vazio, quem primeiro surgiu foi Olorun, em seguida ele criou o Orun e o Aiye, ou seja, o céu e a terra.

Mas aqui já começam as divergências, alguns dizem que ele primeiro criou, ou gerou, o segundo ser, o que veio logo após ele mesmo, que seria Odudua, e aí ele e Odudua criaram juntos o universo e o mundo, e tudo o que há nele.

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OBATALÁ


Orun é o céu, portanto Olorun seria o Dono do Orun (dono do céu), ele é o grande criador, o "Deus Pai Criador" de tudo e de todos.

Embora reconhecido e louvado como Único e Soberano, não existe templo individual para Ele.


Olorun é o ser imaterial, invisível e eterno, a vontade suprema que criou e governa todas as coisas.


A exemplo de deuses de outras mitologias, Olorun é conhecido por diferentes nomes, entre estes Olodumarê.

De acordo com um dos mitos da criação yoruba, Olorun, ou Olodumare, delegou os poderes de criação do Aiye (terra) para seu primeiro e mais velho filho, Orisanla (Orixalá) ou Obatalá.

Segundo alguns mitos Olorun gerou a partir de seu próprio corpo, como se fosse uma espécie de bipartição, os seres seguintes, que seriam Odudua e Obatalá.

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ODUDUA


Odudua é visto normalmente como uma entidade masculina, mas nos mitos mais antigos, era uma entidade feminina. Segundo alguns Odudua era uma deusa, uma das forças primordiais do universo, mas também existiu na terra, em seus primórdios, um grande guerreiro, rei de seu povo, chamado também Odudua, que seria de fato o lado humano da própria Odudua, portanto o próprio, ou a própria, Odudua. Ou seja, Odudua em sua forma divina primordial seria de fato uma deusa, mas ao se manifestar na terra como ser humano, o fez na forma de homem, daí a confusão quanto ao seu verdadeiro gênero. Mas não se trata de um ser bissexuado, e sim de um único ser com duas diferentes manifestações, uma puramente divina, a grande deusa-mãe africana, e outra humana, como homem, que viveu carnalmente e um dia veio a desencarnar e se divinizar novamente.

Odudua, então, de certa forma dividiu-se em dois, a grande deusa criadora do universo, e o grande guerreiro que uma vez desencarnado tornou-se também um deus.

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Odudua, a deusa-mãe, surgiu a partir de Olorun, juntos eles criaram o universo e, erroneamente alguns acreditam que juntos também geraram Obatalá. Na verdade, porém, Obatalá teria surgido também a partir de Olurun, que o gerou sozinho e espontaneamente, e não de uma suposta união com Odudua.

Embora ambos tenham surgido de Olorun, Odudua não é sua filha e sim sua igual, co-participadora na criação do universo, enquanto Obatalá sim seria seu primeiro filho, pois Odudua teria simplesmente surgido, gerando a si mesma também, mas a partir do próprio Olorun e de seu corpo, enquanto Obatalá teria sido gerado por Olorun, mas também a partir de seu próprio corpo. A diferença é que Odudua surgiu de Olorun, mas gerou a si mesma, como se Olorun fosse dividido em duas partes iguais e distintas, e Obatalá foi gerado, ou talvez fosse melhor dizer "criado", por Olorun. Ou seja, primeiro surgiu Olorun que foi dividido em dois, surgindo assim Odudua, e por último surgiu Obatalá que foi gerado por Olorun.

Obatalá, portanto, é filho de Olorun, que depois de criar o Aiye (terra), deu a seu filho os poderes e direito de gerar a vida.

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Isso de certa forma fez de Obatalá o criador do mundo, pois foi ele que gerou, aliás, criou os animais, as plantas e o homem.

Obatalá é conhecido como "O Grande Òrìsà" ou "O Rei do Pano Branco". Foi o primeiro Orixá criado por Olodumare (Olorun), é considerado o maior e mais velho dos os Orixás e conhecido como o rei de vestes brancas.

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OBATALÁ

Segundo alguns, Oxalá e Obatalá, são diferentes nomes do mesmo orixá, segundo outros são orixás diferentes e distintos entre si.

Pessoalmente, pelo que pude observar, Obatalá seria uma espécie de Oxalá, porém mais velho, antigo, primordial, não mais cultuado, porém ainda reverenciado.


Nos cultos de origem africana, ao redor do mundo, os orixás comumente incorporam nos fiéis, ou seja, manifestam-se nos corpos de médiuns que são preparados para este fim através e a partir de uma série de rituais de iniciação. Mas os deuses primordiais, aqueles que são responsáveis pela criação do universo, do mundo e dos homens, esses não se manifestam através de incorporação mediúnica. É o caso de Obatalá, que não dá incorporação, mas cujo mito está intimamente ligado ao de Oxalá, sendo, portanto, uma qualidade ou tipo de Oxalá.


Há duas qualidades de Oxalá que incorporam, o mais velho é Oxalufan, que é filho de Obatalá, e o mais novo é Oxaguian, que por sua vez seria filho de Oxalufã, o mais velho. Os "Oxalás", portanto, seriam os descendentes diretos de Olorun: Filho (Obatalá), neto (Oxalufan) e bisneto (Oxaguian).

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OXALUFÃ

Esses três seriam, portanto, diferentes qualidades de Oxalá, sendo que os dois últimos são distinguidos e chamados por seus próprios nomes, Oxalufã e Oxaguiã, cujos nomes na verdade seriam contrações de Oxalá Alufan e Oxalá Aguian, já quando se fala simplesmente de Oxalá, menos comumente chamado também de Orixalá, mas sem determinar sua qualidade, na verdade estamos falando de Obatalá.

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OXAGUIÃ

Como já dito, Obatalá não se manifesta em médiuns, logo não existem templos dedicados a ele, mas todos os templos o reverenciam como um dos grandes criadores e, segundo o mito, é tão grande o seu poder que sua palavra transforma-se imediatamente em realidade.

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Aliás, foi Obatalá que, ao criar o homem, deu também a ele à habilidade da fala, por isso, quando se presta homenagem a ele, não se fala, pois a palavra pertence a ele e durante suas festas guarda-se silêncio por um período de três semanas.


Obatalá representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte.

É também o responsável pelos defeitos físicos, e é corcunda porque se recusou a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e Èsù, que é conhecido por sua esperteza e por conseguir enganar e "aprontar" com todo mundo, castigou-o pregando-lhe a cabaça nas costas, razão pela qual Obatalá não come sal: comer sal para ele constitui um ato de alto canibalismo.

Obatalá é o filho direto de Olorun, o criador do universo.
Depois de criado o universo e a terra em específico, depois de milhares de anos Olorun resolveu dar vida a terra e enviou seu filho direto "Obatalá" para esse fim à terra que até então era composta de água.

Vindo com o saco da criação, Obatalá trouxe consigo uma galinha d'angola que foi responsável por espalhar a terra sobre as águas, dando desta maneira forma a terra sobre a água.

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Depois de criar a terra, os montes e etc., Obatalá criou os vegetais, os animais e por último, usando a própria terra que ele já havia criado, com a ajuda de Nanã moldou o ser humano com o barro e então lhe deu o sopro da vida. Como foi ele que gerou a humanidade, é comum recorrer-se a ele quando se trata de grandes problemas de saúde, pois já que deu a vida ao homem, pode também lhe restituir a saúde.

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Olubajé

Olubajé

O Olugbajé é a festa anual em homenagem a Obaluayê, onde as comidas são servidas na folha de mamona. Rememorando um itan (mito) onde todos os Orixás para se acertarem com Obaluaiyê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.

Nessa festividade, todos os Orixás participam (com exceção de Xangô), principalmente Osanyin, Oxumarê, Nanã e Yewá, que são de sua família. Oyá tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão de festas a esteira, sobre a qual serão colocadas as comidas.

Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluayê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé. No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada "Ewe Ilará" conhecida popularmente como mamona assassina, "altamente venenosa" simbolizando a Morte (iku).

Olubajé é um ritual sagrado comemorado geralmente no mês de agosto, em homenagem a Obaluayê que alguns fazem sincretismo com São Roque e São Lazaro.

Este ritual antigamente tinha seu início sempre em meados de julho, que era quando as comunidades pertencentes ao candomblé traziam o ibá (assentamento) de Obaluayê ou Omolu de seu quarto de santo para o centro de seu barracão, com suas vestes e paramentos, para ser ali reverenciado por todos os adeptos e visitantes da dita comunidade, e ao mesmo tempo para que fossem depositados em seu redor os donativos para conclusão de seus festejos no mês de agosto. Estes donativos não se resumiam em dinheiro, também eram ofertados vinhos, azeites, mel, feijões, arroz, farinha, fubá, camarão seco, inhames, batatas, animais de duas e quatro patas, velas, enfim tudo que fosse necessário para o preparo das oferendas dedicadas aos orixás.

Quando faltavam entre sete ou quatorze dias para festividade, dependendo da casa, para conclusão deste preceito era preciso “pedir esmola”, em nome do orixá, pois se acredita que além de ser o Deus das Doenças, também é o Deus dos Desvalidos. Para isso, eram preparados tabuleiros: um com um assentamento muito bem arrumado de Obaluayê, que seria carregado por uma yawo com mais de três de anos de feita, ou seja, uma adosi, outro com pipoca, e um outro com guloseimas como cocadas, fubá de amendoim, de castanha, bolinhos, etc. Tudo pronto saía do barracão uma comitiva sob a supervisão de ou de ekedes, ou alabe, ou ogans, etc. Iam às ruas não só pra esmolar como para trocar pipocas e guloseimas por dinheiro e outros materiais ofertado ao orixá. O dinheiro era depositado no tabuleiro onde estava o assentamento do orixá, que só poderia ser contado no regresso ao barracão. Esta comitiva nos dias que ficavam fora do seu barracão de origem batia de porta em porta pedindo donativo, abordavam as pessoas nas ruas com muito respeito e agradeciam sempre a atenção a eles dispensada, com a palavra: “Olorunsan”, deus lhe pague.

Um momento importante desta peregrinação era quando batiam na porta de um barracão. Neste momento é que esta comitiva tinha que mostrar a educação e os princípios recebidos de seu barracão de origem. A começar por não levantar a cabeça por nada, salvo as ekedes e ogans responsáveis pela peregrinação. Ao entrarem no barracão visitado já encontravam uma esteira aonde iriam depositar seus tabuleiros, e várias outras a sua volta aonde iriam se sentar e bancos para os responsáveis pela comitiva.

Depois de algum tempo de descanso os visitantes começavam a rezar os seus àdúrás (suas rezas), ao terminar tomavam bênçãos aos mais velhos e trocavam de bênçãos entre si e com os outros que ali se encontrassem. As filhas do barracão anfitrião corriam para preparar uma comida para os visitantes; se esta visita fosse ao cair da tarde, elas se encarregariam de acomodá-los até o dia seguinte. E durante a noite, algumas com ordem do anfitrião se encarregavam de tomar conhecimento sobre o que estivesse acabado nos tabuleiros para repô-los, para que no dia seguinte pudessem continuar sua peregrinação com tranquilidade. Ao amanhecer então, após terem tomado um café reforçado era chegada à hora de partir, então todos se voltavam para o dono do barracão visitado batiam paó e a benção. Um responsável pelo cortejo dizia: “EREBE OLORÚNSAN, BABA MIM, ADUPÉ”, Deus lhe pague por tudo meu pai, obrigado. E escutavam um alegre: OLÓRUN ÍBEWÓ SAN, e Deus lhe paguem pela visita, e assim a comitiva seguia em frente para completar sua peregrinação. Quando retornavam ao seu barracão de origem eram recebidos com festa pelos seus superiores, irmãos e outros que faziam parte de sua comunidade.

Nesta mesma noite ou na noite seguinte tinha início à segunda parte do ritual com o sacrifício dos animais oferecidos aos orixás. Para então começar os festejos próprios do Olubajé.

Para falar de OLUBAJÉ é preciso me reportar ao início do século XX até os meados dos anos noventa, quando este ritual e suas oferendas eram sinônimos de fé, amor e paz. Este era o momento pelo qual às comunidades que professavam o candomblé reuniam seus adeptos e simpatizantes para festejar o deus das doenças de pele, Obaluayê. Momento este que seria aproveitado para agradecer a ele a proteção recebida contra todos os tipos de doenças e também para pedir paz e saúde para sua vida como para os seus. A comunidade e seus simpatizantes se reuniam na maior união e comunhão de fé para preparar os alimentos para um abundante banquete que seria oferecido a todos os presentes nos festejos em homenagem a Obaluayê. Este era um momento de reflexão em busca de saúde, paz, liberdade, compreensão e união. Ocasião de extremo respeito, pois ali estavam também em busca de milagres para alguns males que estivesse a afligir, não só a si como para os seus. Sabiam também que este era o momento único no decorrer do ano que todos tinham com exclusividade não só agradar e reverenciar o Deus da peste e das doenças de modo geral, como também cantarem seus lamentos, dançarem, além de serem agraciados com um rico repasto dedicado a ele.

A PALAVRA OLUBAJÉ

Bajé = convite para comer.

Olu = senhor, mestre, dono.

OLUBAJÉ = CONVITE PARA COMER COM O MESTRE.

Termo original: OLU BA NI JÉ = O MESTRE NOS CONVIDA PARA COMER.

UM MANÁ DOS DEUSES

OBALUAYÊ: deus da peste, da varíola, da catapora, das doenças de pele, etc.

Seu banquete era e é composto de um tipo de comida específicos para cada orixá, e de dois ou três tipos especifico para ele, além disso, os animais anteriormente sacrificados em sua homenagem. Tudo deve ser preparado com muito amor, carinho e respeito; tudo muito bem cozido e condimentado, a base de: camarão defumado, cebola, gengibre, noz moscada, kioiô, gergelim, gemas de ovo, sal, azeite doce, azeite de dendê, etc. O necessário para que o seu banquete se torne não só o mais saboroso possível, como também medicinal pela ação de ervas, raízes e frutos contidos no seu preparo.

Enquanto as pessoas filhas de yabás se desdobram no preparo das comidas, um outro grupo colhe folhas de mamona as lava e as enxuga para só então colocá-las em um balaio para que nelas sejam servidas as comidas.

DISTRIBUIÇÃO DOS ALIMENTOS

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Este era e é um momento mágico, que todos esperam, o qual tem início logo pós as louvações com cânticos e danças de todos os outros orixás. Neste instante começa o ritual do OLUBAJÉ. Quando então, ao som dos atabaques, vão saindo do quarto de santo onde as oferendas estão arriadas e imantadas pela energia dos orixás e pelos orins e àduras (cânticos e rezas). Em primeiro lugar vem a yalorixá ou babalorixá com seu adjá puxando o cortejo; em segundo uma yabá carregando uma ou duas esteiras, em terceiro um filho (a) de santo carregando o balaio contendo as folhas de mamona, e em seguidas, filhos e filhas, ekedes, ogans, etc. trazendo sobre suas cabeças as panelas, oberós ou bacias contendo os alimentos, os quais devem ser depositados sobre as esteiras estendidas no centro do barracão, para serem distribuídas a todos iniciados ou não. Após comerem o que desejarem junta as pontas da folha que pode estar totalmente vazia ou não e rodam em torno da cabeça três vezes, para só então depositarem dentro de outro balaio que já está a disposição para este fim, pois tudo faz parte das oferendas e logo no amanhecer do dia seguinte irá ser entregue às águas ou as matas.

Outra fato importante, é que o cântico, tanto da saída do quarto com os alimentos sobre a cabeça, como enquanto se alimentam até o final da distribuição dos mesmos quando se dá por encerrado este ritual deve ser este:

E ajeun bó

Olubajé ajeun bó

E, contração de èyi = isso, isto, este, esta.

Ajeun = comida, comer.

Bó = alimentar, comer.

Olubanijé = Olubajé = convite para comer com o mestre.

Ajeun = comida, comer.

Bó = alimentar, comer.

Tradução: ISSO É COMIDA PARA NOS ALIMENTAR, O MESTRE NOS CONVIDOU PARA COMER.

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