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Religiões Afro-Brasileira (25)

As Sete Lágrimas de um Preto Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava.

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete.

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma.

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Religiões Afro-brasileiras Destaque

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São consideradas religiões afro-brasileiras, todas as religiões que tiveram origem nas Religiões tradicionais africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos negros africanos, na condição de escravos. Ou religiões que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos.

  • Babaçuê- Maranhão, Pará
  • Batuque - Rio Grande do Sul
  • Cabula - Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • Candomblé - Em todos estados do Brasil
  • Culto aos Egungun - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
  • Culto de Ifá - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
  • Encantaria - Maranhão, Piauí, Pará, Amazonas
  • Omoloko- Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo
  • Pajelança - Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas
  • Quimbanda- Em todos estados do Brasil
  • Tambor-de-Mina - Maranhão
  • Terecô - Maranhão
  • Umbanda- Em todos estados do Brasil
  • Xambá - Alagoas, Pernambuco
  • Xangô do Nordeste – Pernambuco
  • Toré – Chapada da Diamantina - Bahia
  • Jarê – Piaçabuçu – Alagoas
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As religiões afro-brasileiras na maioria são relacionadas com a religião yorùbá e outras religiões tradicionais africanas, é uma parte das religiões afro-americanas e diferentes das religiões afro-cubanas como a Santeria de Cuba e o Vodou do Haiti pouco conhecidas no Brasil.

Crenças

De todas as religiões afro-brasileiras, a mais próxima da Doutrina Espírita é um segmento (linha) da Umbanda denominado de "Umbanda branca", e que não tem nenhuma ligação com o Candomblé, o Xambá, o Xangô do Recife ou o Batuque. Embora popularmente se acredite que estas últimas sejam um tipo de "espiritismo", na realidade trata-se de religiões iniciáticas animistas, que não partilham nenhum dos ensinamentos relacionados com a Doutrina Espírita. Entretanto, outros segmentos da Umbanda podem ter algumas semelhanças com a Doutrina Espírita, mas também com o Candomblé por causa da figura dos Orixás.

No tocante especificamente ao Candomblé, crê-se na sobrevivência da alma após a morte física (os Eguns), e na existência de espíritos ancestrais que, caso divinizados (os Orixás, cultuados coletivamente), não materializam; caso não divinizados (os Egungun), materializam em vestes próprias para estarem em contacto com os seus descendentes (os vivos), cantando, falando, dando conselhos e auxiliando espiritualmente a sua comunidade. Observa-se que o conceito de "materialização" no Candomblé, é diferente do de "incorporação" na Umbanda ou na Doutrina Espírita.

Em princípio os Orixás só se apresentam nas festas e obrigações para dançar e serem homenageados. Não dão consulta ao público assistente, mas podem eventualmente falar com membros da família ou da casa para deixar algum recado para o filho. O normal é os Orixás se expressarem através do jogo de Ifá, (oráculo) e merindilogun.

Dependendo da nação ou linha de candomblé, os candomblés tradicionais não fazem a princípio contato com espíritos através da incorporação para consultas, é possível mas não é aceito.

Já o candomblé de caboclo tem uma ligação muito forte com caboclos e exus que incorporam para dar consultas, os caboclos são diferentes da Umbanda.

E existem os candomblés cujos pais de santo eram da Umbanda e passaram para o candomblé que cultuam paralelamente os Orixás e os guias de Umbanda.

No Candomblé, todo e qualquer espírito deve ser afastado principalmente na hora da iniciação, para não correr o risco de um deles incorporar na pessoa e se passar por orixá, o Iyawo recolhido é monitorado dia e noite, recorrendo-se ao Ifá ou jogo de búzios para detectar a sua presença. A cerimónia só ocorre quando este confirma a ausência de Eguns no ambiente de recolhimento.

Afastam todo e qualquer espírito (egun), ou almas penadas, forças negativas, influências negativas trazidas por pessoas de fora da comunidade. Acredita-se que pessoas trazem consigo boas e más influências, bons e maus acompanhantes (espíritos), através do jogo de Ifá poderá se determinar se essas influências são de nascimento Odu, de destino ou adquiridas de alguma forma.

Os espíritos são cultuados, nas casas de Candomblé, em uma casa em separado, sendo homenageados diariamente uma vez que, como Exú, são considerados protetores da comunidade.

Existem Orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem as árvores sagradas que são as mesmas das religiões tradicionais africanas onde Orixás são cultuados pela comunidade como é o caso de Iroko, Apaoká, Akoko, e também os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do Orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o Orixá divinizado.

Ou seja uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual é uma parte daquele Xangô divinizado com todas as características, ou como chamam arquétipo.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o Orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

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Vocabulario Lucumí

Vocabulario Lucumí


El lucumí o lacumí es el lenguaje yoruba como es hablado en Cuba y los Estados Unidos.  El yoruba es un lenguaje tonal como el chino.  Los acentos se utilizan para hacer énfasis en los tonos para aquellos de nosotros que no estamos familiarizados con el lenguaje tonal.  También, algunos de los sonidos difíciles como el sonido de la letra "p" africana, el cual es pronunciado más o menos como el sonido de "kp" es aproximado utilizando "kp" o "cu".  El siguiente vocabulario sigue la ortografía española con unas pocas excepciones para ayudar a los de habla inglesa:

• La "ch" en español se usa sencillamente porque no existe el sonido "sh". En inglés se usa "sh".

• La "y" en española tiene un sonido que se aproxima al sonido de la "j" en inglés y en yoruba. 

• El sonido de la "ñ" es usado muy escasamente aquí, y es usualmente substituído en la siguiente lista por la "y".

• Como en el español, el acento es en la segunda o última sílaba a menos que haya un acento sobre otra sílaba.

Debo aclarar que el lacumí es una tradición oral y que las versiones escritas fueron hechas más bien como "forros" o "trampas" y no como otra cosa, y no deben ser utilizadas como "prueba" de la descomposición del lenguaje.  Los que hablan lukumí en Matanzas y otras áreas, lo hacen muy parecido a como hablaría un yoruba.  He hablado en lacumí con personas que hablan yoruba nacidos en Nigeria sin ninguna clase de dificultad.  De hecho, en una ocasión fuí saludado por un asombrado yoruba al que le estaba hablando, con la frase llena de sorpresa "tú hablas Yoruba!!!"
A continuación, una lista de palabras lucumí para que vaya aprendiendo:

Abó Adié: Gallina
Abó: Carnero
Abebé: Abanico
Aberinkulá: Una persona o cosa no iniciada
Abure: Hermano, hermana
Adé: Corona
Afefé: Viento
Agó: Pedir permiso, tocar a una puerta
Agogó: Campana, hora
Agoya: Entre
Aikú: Salud, larga vida
Ayuba: Nosotros le saludamos....
Akukó: Gallo
Ala: Tela blanca
Ala: Sueño
Alagba, Agbalagba: Respetado
Aleyo: Intruso, extraño
Aná: Camino
Ara: Trueno
Arayé: Envidia, mala fé
Arun: Enfermedad
Achá: Cigarro, tabaco
Aché: Así sea, El Poder Espiritual del Universo, Talento
Achelú: Policía
Acheogún Otá: Victoria Sobre Enemigos
Achere: Maraca, maruga
Acho: Tela
Ataná: Vela
Awó: Secreto
Ayán: El Orisha de los Tambores
Babá: Padre
Babalawo: Padre de los Secretos
Babalocha: Padre de Orisha, Sacerdote
Busi: Bendecir
Didé: Levántese
Dudu: Obscuro
Egun: Los Muertos
Eiyele: Paloma
Ejá: Pescado
Eje: Sangre
Ejo: Caso de Cortes
Ekó: Harina de maíz
Ekú: Jutía, Hutía
Ekún: Leopardo
Ekpó: Aceite de Palma
Ení: Estera
Ení: Persona
Ese: Pie
Eyín: Huevo
Fe:  Amor
Foribale: Postrarse para saludar
Fun: Para, dar
Funfún: Blanco
Gbogbo: Todos
Gidigidi: Mucho
Iñá: Fuego
Ibú: Arroyo, río
Ibaé Bayé T'orún: Descanse en Paz (Saludo a los muertos)
Igba: Calabaza
Ikú: Muerte
Ilé: Casa
Ilé: Tierra, suelo
Ilekún: Puerta
Iré: Bendiciones
Irawo: Estrella
Ichu: Boniato africano
Iworo: Sacerdote
Iyá: Madre
Iyalocha: Madre de Orisha, Sacerdotisa
Iyawó: Esposo/Esposa
Kosí: No haya
Kunlé: Arrodillarse
Lo: Ir
Maferefún: Alabado sea...
Mi: Mi
Mo: Yo
Moducué: Gracias
Moforibale: Yo te saludo postrándome
Moyuba: Yo te saludo
Nlo: Va
Obá: Rey
Obí: Coco, Nuez Obí Kola
Obirín: Mujer
Odo: Río
Ododó: Flor
Ofún: Yeso (hecho de cáscaras de huevo)
Ofo: Pérdida
Ogun: Brujería
Okún: Mar, Océano
Oke: Montaña
Oko: Hombre, esposo
Olo: Dueño, el poseedor...
Oluwo: Señor de los Awos (Babalawo que previamente fué un sacerdote de los
orishas)
Omí Dudu: Café
Omí: Agua
Omo: Hijo, niño
Ona: Camino
Oni: Dueño de...
Opolopo: Suficiente
Orí: Cabeza
Orí: Manteca de Cacao
Orún: Cielo, Paraíso
Orún: Sol
Oshe: Hacha doble
Osogbo: Influencia negativa
Otí: Ron
Owó: Dinero
Owú: Algodón
Oyín: Miel
Chiché: Trabajo
Surefun: Bendecir
Temí: Mi, mío
Tie: Tu, su
Timbelese: Al pie de...
Tobí: Que parió
Tutu: Fresco
Wa: Ven
Waní: El que viene
Yeye: Mama
Yuba: Saludo

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Língua iorubá

Língua iorubá

O iorubá ou ioruba (Èdè Yorùbá, "idioma iorubá") é um idioma da família linguística nigero-congolesa, e é falado ao sul do Saara, na África, dentro de um contínuo cultural-linguístico, por 22 milhões a 30 milhões de falantes.

A língua iorubá vem sido falada pelo povo iorubás há muitos séculos. Ao lado de outros idiomas, é falado na parte oeste da África, principalmente na Nigéria, Benim, Togo e Serra Leoa.

No continente americano, o iorubá também é falado, sobretudo em ritos religiosos, como os ritos afro-brasileiros, onde é chamado de nagô, e os ritos afro-cubanos de Cuba (e em menor escala, em certas partes dos Estados Unidos entre pessoas de origem cubana), onde é conhecido também por lucumí).

Classificações linguísticas

O iorubá faz parte da sub-família linguística benue-congo, pertencente à família nígero-congolesa. No tocante à fonética, o iorubá é um idioma tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar dois fonemas.

A ordem básica dos constituintes é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO).

Iorubá como segunda língua

O idioma oficial da Nigéria é o inglês no entanto muitas pessoas também falam outros idiomas, os principais deles sendo igbo ou ibo e hausa ou hauçá. O inglês funciona mais é como língua franca no país, e possui características próprias bem distintas. Portanto, falantes de iorubá da Nigéria muitas vezes utilizam curtas expressões em inglês, intercaladamente, em suas conversações no idioma materno.

A maior parte das publicações e projetos online, como dicionários e gramáticas, visando auxiliar as pessoas interessadas no aprendizado do idioma iorubá, se encontram nas combinações linguísticas iorubá-inglês e iorubá-francês (e vice-versa).

No entanto, existem vários projetos similares de português-iorubá, especialmente dicionários, sendo estes reconhecidos por instituições culturais nacionais renomadas, como a Fundação Cultural Palmares, etc. As referidas obras, por serem produzidas no Brasil, geralmente abordam este idioma africano dentro do contexto da experiência cultural-religiosa afro-brasileira.

Ortografia iorubá

A B D E F GGb H I J K L M N O P R S Ş T U W Y
a b d e f ggb h i j k l m n o p r s ş t u w y

As letras c, q, v, x, z não são usadas.

Letras que se utiliza o ponto embaixo: Ọ, Ẹ e Ş

  • Ş com ponto embaixo tem o som de X ou CH
  • Ọ e Ẹ com ponto embaixo tem som aberto

As vogais são sete: A, E, Ẹ, I, O, Ọ, U, quando seguidas de N terão som nasal.

A acentuação é utilizada da seguinte forma: o A é pronunciado com som aberto (agudo); o Ẹ é pronunciado com som aberto (agudo); o E é pronunciado com som fechado (grave); o Ọ é pronunciado com som aberto (agudo); o O é pronunciado com som fechado (grave); o U é pronunciado com som aberto (agudo); o acento agudo é pronunciado em tom alto; o acento grave é pronunciado em tom baixo; a ausência de acentuação é pronunciada em tom médio; o til significa a repetição da vogal (ã = aa, õ = oo); o sublinhado sob uma vogal indica que seu som é aberto; o sublinhado sob a consoante S

  Fonemas Vogais            
  Consoantes A E I O U
  B bi
  D di
  F fi
  G guê gué gui
  GB güá güê güé güi güô güó güú
  H rrá rrê rré rri rrô rró rrú
  J djá djê djé dji djô djó djú
  K quê qué qui
  L li
  M mi
  N ni
  P puá puê pué pui puô puó puú
  R ri
  S ssá ssê ssé ssi ssô ssó ssú
  Ş xi
  T ti
  W
  Y

Uma mesma palavra só depende do tom para ser distingüida:

Ọkò = carro, espada

Ọko = marido

Ọkó = enxada

Números

  1 - Ení, Ókan 6 - Èfà 11 - Ókànlà 16 - Érìndinlógún
  2 - Èjì 7 - Èje 12 - Éjìlà 17 - Étàdinlógún
  3 - Èta 8 - Èjo 13 - Étàlà 18 - Éjìdinlógún
  4 - Èrin 9 - Èsàn 14 - Érìnlà 19 - Ókàndinlógún
  5 - Àrùn 10 - Èwà á 15 - Èdogún 20 - Ogún

 

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Religiões tradicionais africana na Diáspora

Religiões tradicionais africana na Diáspora

A Mitologia Africana foi levada para as Américas pelos africanos escravizados, as que mais se tem notícia são: a mitologia fon daomeana, mitologia yorubá, mitologia igbo, mitologia fanti, mitologia ashanti, mitologia angola, mitologia congo, mitologia bantu, que mais tarde tornou-se uma mitologia mestiça nas religiões afro-americanas, religiões afro-cubanas, religiões afro-brasileiras.

A mitologia fon daomeana que cultua os Vodun no Vodun da África Ocidental foi para as Américas e Caraíbas formando assim as religiões do Vodou haitiano no Haiti e República Dominicana, Regla de Arará em Cuba, o Voodoo nos Estados Unidos, Obeah na Jamaica e Trinidad e Tobago, Winti no Suriname, e o Candomblé Jeje no Brasil, todas parte das religiões afro-americanas

A mitologia congo é mais frequente ser encontrada na diáspora africana de diversos países, na Kumina da Jamaica, na Regla de Palo em Cuba, noa Voodoo dos Estados Unidos e no candomblé bantu no Brasil.

A mais conhecida é a dos Orixás mitologia yorubá, onde se encontra a gênese de religiões como a Santeria ou Lukumí através da Regla de Ocha, Candomblé ketu e de várias nações, Xangô do Nordeste, Batuque, Xambá, Omolokô e outras.

O que a todas é comum é o ritual aos Nkisis, Orixás e Voduns, o que diverge entre elas é a maneira de fazer esse culto, as cores das roupas, fio-de-contas e as línguas utilizadas nas rezas e cantigas.

Zambi Deus nas nações Angola e Congo Candomblé Bantu

Olorun Deus na nação Ketu Candomblé Ketu

Mawu Deusa na nação Jeje Candomblé Jeje

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Mitologia Africana

Mitologia africana

A mitologia africana é muito diversificada tendo em vista a extensão do território que é dividido em regiões, países, estados, cidades, tribos, culturas, grupos lingüísticos e grupos étnicos.

Poucos destes cultos e mitologias africanas vieram para o Brasil, os mais conhecidos no Brasil foram as mitologias em destaque abaixo:

África do Norte

corresponde ao norte do Saara e corre ao longo da costa do Mediterrâneo (por vezes, sendo considerado o Sudão);

O Mitologia berbere

O Mitologia Egípcia (Pré-cristã)

África Ocidental

é a porção ocidental desde aproximadamente a longitude 10° leste, com excepção do Norte de África e o Magrebe

O Mitologia Akan (Gana, Costa do Marfim)

O Mitologia Ashanti (Gana)

O Mitologia Dahomey (Fon), Mitologia Fon

O Mitologia Efik (Nigéria, Camarões)

OMitologia Igbo (Nigéria, Camarões)

O Mitologia Isoko (Nigéria)

OMitologia Yoruba (Nigéria, Benin)

África Oriental

estende-se ao longo do Oceano Índico, do Mar Vermelho e Corno de África até Moçambique, incluindo Madagascar, mas excluindo o sul do continente.

O Mitologia Akamba (East Kenya)

O Mitologia Dinka (Sudão)

O Mitologia Lotuko (Sudão)

O Mitologia Masai (Kenya, Tanzânia)

África Central

é a grande massa planáltico no centro de África;

O Mitologia Bushongo (Congo)

O Mitologia Bambuti (Pygmy) (Congo)

O Mitologia Lugbara (Congo)

África Meridional geralmente consiste na porção sul da latitude 10° Sul, e das grandes florestas tropicais do Congo.

África do Sul

O Mitologia Khoikhoi

O Mitologia Lozi (Zâmbia)

O Mitologia Tumbuka (Malawi)

O Mitologia Zulu (África do Sul)

Nas tribos onde os dirigentes corriam o risco de serem destronados se não seguissem as vontades divinas. Estes deuses seguem padrões muito diferentes e irregulares e são divididos em deuses criadores, semideuses e espíritos. Muitos nomes divinos são encontrados nas mitologias da África Ocidental: Ngewo, deus dos Mende de Serra Leoa, Amma dos Dogon do Mali, Mawu dos Éwés no Abomey; Olodumare ou Olorun dos Yorubás, Chukwu dos Igbo, Soko dos Nupe, Nzambi ou Zambi dos povos de Angola e Congo Bantus.

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Mitologia Yorubá

Mitologia Yorubá

A mitologia dos yorubas engloba toda a visão de mundo e as religiões dos iorubás, tanto na África (principalmente na Nigéria e na República do Benin) quanto no Novo Mundo, onde influenciou ou deu nascimento várias religiões, tais como a Santería em Cuba e o Candomblé no Brasil em acréscimo ao transplante das religiões trazidas da terra natal. A mitologia Iorubá é definida por Itans de Ifá.

Mito da criação Na mitologia yoruba o deus supremo é Olorun, chamado também de Olodumare. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove espaços do Orun.

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Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras. Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse o homem.

Oxalá criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra - era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retornou ao que era, apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho sem êxito.

Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se à beira do rio, de onde Nanã emergiu indagando-o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre o seu insucesso. Nanã mergulha e retorna da profundeza do rio e lhe entrega lama. Mergulha novamente e lhe traz mais lama. Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida.

Na mitologia yoruba, Olodumare também chamado de Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades, chamadas de orixás no Brasil e irunmole na Nigéria, para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses, são considerados ancestrais divinizados após à morte.

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Mitologia bantu

Mitologia bantu

As referências dos Jinkisi/Akixi e algumas referências aos Orixás yorubá mais conhecidos, entendamos estas semelhanças como caminhos, e não como individualidades.

No Brasil os cultos que prevalecem nos candomblés Angola, Congo (com algumas variações de casa para casa ou de família para família de culto).

Pambu Njila - Nkosi - Katendê - Mutalambô - Nsumbu - Kindembu - Nzazi - Hongolo - Matamba - Ndanda Lunda - Mikaia - Nzumbá - Nkasuté Lembá - Lembarenganga

Os mais velhos trouxeram cantigas, rezas, tudo em Quimbundo e Quicongo (algumas também em Umbundo e outros dialetos). Muita coisa se perdeu até mesmo por haver a associação com as tradições Jeje nagô, que foi em ultima instância prejudicial para as tradições bantu.

Não que estas sejam mais certas ou mais erradas, mas que cada tradição deve ser mantida e respeitada, pois faz parte da história da própria humanidade, de como nos organizamos, como desenvolvemos outros falares, de como nos organizamos como sociedade, etc. e ao que parece, tínhamos um culto primitivo comum que com as distâncias das eras e também geográficas foi se modificando e incorporando novos elementos.

Acima de tudo está Nzambi Mpungu (um dos seus títulos) Deus criador de todas as coisas. Alguns povos bantu chamam Deus de Sukula outros de Kalunga e outros nomes ainda associam-se a estes.

O Culto a Nzambi não tem forma nem altar próprio. Só em situações extremas eles rezam e invocam Nzambi, geralmente fora das aldeias, em beira de rios, embaixo de árvores, ao redor de fogueiras. Não tem representação física, pois os Bantu o concebe como o incriado, o que representa-lo seria um sacrilégio, uma vez que Ele não tem forma.

No final de todo ritual Nzambi é louvado, pois Nzambi é o princípio e o fim de tudo.

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Jarê

Jarê

Jarê é uma variação do Candomblé de Caboclo presente em cidades da Chapada Diamantina, notadamente em Lençóis. Pode ser considerado um amálgama das nações bantu e nagô, as quais se uniram o culto aos caboclos.

O Jarê das Lavras Diamantinas vertente do candomblé pouco estudada e reconhecida no Brasil. Atualmente, com quase duas décadas de proibição oficial do garimpo na região, houve uma grande evasão dos garimpeiros que viviam nas serras, e muitas Casas de Jarê já não mantêm mais suas práticas. O filme percorre o universo mítico da cura, da relação com a natureza e dos conhecimentos ancestrais que os curandeiros detêm sobre a medicina natural.

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Toré

Toré

Toré é uma religião ameríndia, na qual as pessoas buscam remédios para as suas doenças, procuram conselhos com os caboclos que baixam. Já o mestre defuma, receita e aconselha. Certamente é o mesmo Catimbó dos arredores das capitais e grandes cidades nordestinas, onde os destituídos da fortuna procuram como oráculo para minorar os penares e desditas.

História

De acordo com Alceu Maynard Araújo, em O Folclore Nacional, volume III, Toré seria o mesmo que Catimbó, Pajelança, Babassuê ou a Encanteria do Piauí. No vasto Brasil as denominações de uma dança, de uma cerimônia variam de região para região. Em Alagoas, na foz do Rio São Francisco, em Piaçabuçu, Toré é o mesmo Catimbó onde além das funções medicinais fitoterapêuticas são encontrados os elementos fundamentais deste, herdadas do índio: a jurema e a defumação curativa.

No Toré, faz-se a procura do nome da moléstia e adivinhação mágica. Além da defumação usam ervas e dentre elas se destaca a jurema em cujos poderes mágicos os sertanejos acreditam piamente. É, portanto, medicina mágica cujo oficial e executor é o presidente do Toré, também chamado "mestre".

No Toré de Piaçabuçu, os "caboclos" para "baixarem na terrêra", precisam ser chamados na "piana" por meio de um canto, "linho" ou linha e batidas do maracá. O mestre, dirigente do Toré, não usa indumentária especial a não ser um cocá de penas, chamado por ele de "capacete de índio". Os membros do Toré se reúnem às quartas-feiras e sábados, logo após o sol se pôr. É a reunião, a "chamada". Após a reunião em que várias pessoas tomam parte, há uma outra, que é o "trabalho da ciência", assistido por cinco ou seis membros mais importantes, ou melhor, mais adiantados no "trabalho". A este "serviço de mesa" aos não iniciados não é permitido participar, a não ser o que "tem sangue de índio, sangue reá". Há uma outra reunião, às vezes anual, que é a do "banquete dos maracá", "onde só os antigo pode cumê", reservada exclusivamente para os provados frequentadores "filho dos filhos de aldeias". Estas práticas e outros traços culturais deixados pelos índios, como a fitoterapia, podem ser constatados na região do baixo São Francisco.

Uma das características do atual Toré que se relaciona bem de perto com as crenças indígenas é o processo de manifestação dos caboclos no terreiro. São espíritos de vivos que se encontram em aldeias distantes. "Quando são chamados, lá na aldeia onde moram (os vivos) caem em sonolência para poder comparecer onde foram chamados". No Toré não há a invocação de "espírito branco", isto é, espírito de pessoas que morreram. Nisto diferem do Espiritismo, onde invocam o espírito de pessoas que desencarnaram. No Toré, no entanto, descem somente os caboclos e alguns juremados. Juremado é o que está nos ares, quando ainda vivo bebeu jurema ou ao morrer está sob uma juremeira. É um espírito em processo de "caboclização" (santificação), mas não é perigoso como o espírito branco. O juremado pode frequentar aldeias e descer nos torés. Nos torés trabalham somente aqueles que têm sangue de índio. Branco ou negro nele não entram. Os juremados são os que têm sangue índio e tomaram jurema estarão ao pé da juremeira, uma espécie de purgatório católico romano, onde com o auxílio e trabalho dos demais membros do toré poderá tornar-se um espírito benéfico, isto é, um caboclo. Seria uma mistura de crença católica romana, existência de purgatório e espírita, isto é, o desenvolvimento do espírito através da reencarnações, processo da juremação.

O caboclo é chamado no toré através de seu "linho", de seu canto, porém, quando desce um juremado, embora não seja chamado não é repelido porque para ele será feito um trabalho que o aperfeiçoará. O aperfeiçoamento do juremado começa pelo fato de ele ser ir compondo um "linho". O momento que seu "linho" fique conhecido, basta um dos presentes lembrar um pedaço da melodia para que ele se manifeste no terreiro. O juremado tem que ter sangue índio. Branco ou negro que tenha tomado jurema não ficará juremado. "Os mestiços deles com indígenas sim, porque terá um pouco de sangue de índio". Negro e branco quando morrem são espíritos brancos aos quais recusam receber no toré. Para que estes não se aproximem, nas "pianas" colocam flechas, assim o espírito branco não pode chegar. A jurema, árvore sagrada, só será benéfica aos que possuem sangue de índio. Anualmente, um dos membros do Toré, de sangue índio poderá participar da reunião, matecai, na aldeia de Ouricuri, lá pelas bandas de Porto Real do Colégio, como não há mais aldeias de índios nos arredores do Piaçabuçu para lá se dirigia um antigo membro do Toré, hoje falecido.

Outro traço indígena encontrado é a presença de caboclos ou encantados que tem que apresentar a sua coroa, isto é, um feixe de cabelo no alto da cabeça, cabelo duro, estirado de índio. "A pessoa canta quando o encantado baixa nele". "Todos encantado têm que motrá sua coroa". Adianta o informante Durval Farias: "não se pode trabalhá cum nada no bolso e nem nada nos pé, porque quando os caboclinho desce queé sé como era vivo, cum os pé descalço, e nóis arregaça as calça para ela não sujá porque os caboclinho também não querê roupa, tano livre, fica enramado".

O dirigente do Toré é o presidente. Há sempre um ajudante, um acólito. Ao presidente "compete assistir a reunião. Enquanto os outros ficam manifestados, ele fica de lado para evitar atrapalhações, é para evitar os cantadores de linha, isto é, os que cantam e não sabem dar definição do que cantaram. A direção está realmente em suas mãos. Ele é o dirigente.

O presidente, o acólito e demais membros do Toré, de sexo masculino, afirmam não ter contato sexual com mulher nos dias anteriores às reuniões e trabalhos no terreiro. Isto deve ser observado, afirma Artur Francisco da Cruz, para "poder pegar o encanto". Também nesse dia não se pode bebê bebida alcoólica, e é preciso tomar banho. É a ablução, portanto influência moura. Índio também gosta de banho. Facilitou o sincretismo.

No Toré não há indumentária especial. Há apenas o "capacete de índio" que é um cocar que o presidente usa durante os "trabalhos", além disso, coloca a tiracolo um enfeite de penas, tira os sapatos ou "bostocos" (tamancos), dobra as barras da calça até à altura dos joelhos. Os demais colocam um rosário, são os cintos dos meninos, usam dar uma volta só, "apoiado", isto é, a tiracolo. O rosário de duas voltas é nagô de Candomblé, por isso cuidam dar uma "volta só pra os caboclinho". Os que recebem o encantado, colocam antes o rosário apoiado (a tiracolo), defesa para não receber espírito branco que às vezes pode querer se manifestar, zombando mesmo das flechas que estão sobre a piana. Estes podem entrar pelas "esquerdas", daí não permitir sua entrada.

Antes das perseguições dos "perna preta" (soldados da polícia) o Toré era realizado no terreiro, ao ar livre, num espaço entre a porta da casa e um cruzeiro. Atualmente, a reunião se faz no interior da casa. Num canto da sala há uma mesa coberta por um dossel onde predomina a cor vermelha e há enfeites de papel de seda. Este conjunto, mesa e sobrecéu, é chamado "piana". Sobre a mesa há uma tábua onde estão riscados o signo de Salomão (aqui é um estrela de sete pontas) e uma cruz. Uma "campa de campos verdes", isto é, uma sineta, um cachimbo, "gaita", para defumação, um maracá, três velas cada qual pertencendo a um guia: Cruz Roxa, Serra Grande e Zé de Lacerda, uma vela de juremado que queima e não deixa cair pingo. Há um copo d'água que é a vitrina, charutos, azeite de dendê, mel de abelha, duas estatuetas de barro de índios com flechas, jurema, latinhas contendo pó de jurema, fumo, incenso, benjoim e alecrim queimados no "gaita" (cachimbo) para a defumação. Pregado no dossel há santos "em registro" (gravura) de São Jerônimo, Santa Bárbara, Santo Onofre, São Cosme e Damião, Senhor do Bonfim, São Jorge, Santa Teresa, Santo Antonio de Lisboa (que é do imperador e depende da pedra), Padre Cícero, um retrato de Allan Kardec e um quando onde se vê a artista de cinema Maureen O'Hara, num filme no deserto, dizendo o informante que ela é de outra "aldeia", e um crucifixo. Sob a piana há uma vela acesa, é "a vela que dá firmeza aos trabalhos".

O Trabalho

Para ter início o "Trabalho", nome que dão à reunião, o presidente aproxima-se da mesa, sobre a vitrina (copo d'água) coloca sete pingos de vela "que é o traço que representa a cruz do Cristo. Outra vezes, coloca coloca pingos na vitrina para formar a coroa de São Jorge. No Toré há o pedido do auxílio de Jesus e dos Santos, ao passo que no Candomblé não. No Toré, ouvem-se muitas frases correntias no culto católico romano, no Candomblé não.

Trabalhando com sete aldeias, Laje Grande, Barro de touá (que é o massapê), Jurema, Pedra Branca, Urubá ou Urubatã, Amazona e Iemenjá, o presidente observa na vela que é para o Ogum de Ronda, e o semblante da vela é que dá o sinal do que vem para enramar se é contra ou a favor. Isto é preciso porque de vez em quando aparece um espírito branco, com o qual precisam ter cuidado. Atira um pouco d'água de uma quartinha sobre a piana, reza um Padre-Nosso, uma Ave-Maria, uma Salve Rainha em intenção dos bons trabalhos, persigna-se e começa a cantar:

   "Em campos verdes (bis)

   ó meu Jesus (bis)

   Em campos verdes (bis)

   ó meu Jesus (bis)

   Madalena baixada

   aos pé da cruz,

   rezando este bendito

   implora a Jesus."

Enquanto cantam, dançam com o corpo curvado, ficando o tronco quase horizontal ao solo. Cantando fazem o sinal-da-cruz, benzendo-se:

   "Abre-te mesa, em campos verde,

   Cruzêro, cruzêro divino,

   Com as forças de Santa Barba

   e os de sino meu pai Sinhô,

   Jesuis Sinhô, Pai Criadô

   em tronco de Jurema

   sinhores mestre confessô

   abrindo os tronco da Jurema".

Balançam os maracás na altura da cabeça. No Toré não há a presença de membranofônios como acontece no Candomblé. Ali está presente o indiofônio herdado dos índios, maracá (mbaracá dos guaranis) que acompanha alguns dos cantos. Quando algum caboclo está relutando em baixar, o maracá é tocado com mais intensidade e mais próximo do ouvido da pessoa que irá receber o "encantado". Ele mesmo balança o maracá, tirando som e dando ritmo. A parte agógica inicia do moderatto quase alegretto até alcançar o vivace. Na dinâmica começa num pianíssimo crescendo até o forte. E o canto continua com outra melodia:

   "Santo Antonio de Lisboa

   que morô no imperadô

   que no dia vinte e nove

   mucho coró me custô

   abre campana das campinas azu

   os caboclo de Jurema

   vem guiado por Jesuis."

Cantam com a sineta na mão. Entre um canto e outro, o acólito faz soar a sineta como se faz na hora da consagração da missa católica romana. O som das sinetas, sinos e campanas, desde a Idade Média, acreditam ter o poder de afastar o demônio. Por isso permanecem nos cerimoniais religiosos.

   "Malunguinho, ó Malunguinho

   caboco índio reá

   com as forçade sinhá luxa

   e o nosso Pai Celestiá,

   abre as as porta qu'eu te mando

   sete pedra imperiá,

   com a força de Salomão

   nosso pai celestiá."

Malunguinho é o dono da chave, o que abre os caminhos, sua presença é necessária. Com este caboclo presente para abrir as portas da jurema, para abrir os caminhos e portas da direita (lado bom) e fechar o da esquerda, por onde podem penetrar os maus, se dá, no Toré o sincretismo com as forças católicas representadas em Santa Bárbara ao abrir a mesa e Malunguinho, uma espécie de ligação entre os espíritos e os que ali estão presentes, é a ponte sobrenatural, mágica. Será Malunguinho uma espécie de acólito ou de sacristão que auxilia no cerimonial? Ele é o "caboclo índio reá", isto é, índio verdadeiro.

Ao terminar este canto, o contramestre do Toré, que está com a palma da mão direita na água que foi espargida da moringa sobre a mesa, acaba caindo em transe. O presidente diz que seu auxiliar ficou "enramado" e o caboclo que baixou é Pedra Roxa. O "encantado" diz: "meu dengo, meu coró". O presidente propicia jurema ao caboclo que baixou bebendo-a com indizível prazer. A seguir pede o "meu gaita", isto é, o cachimbo. Vai ter início a defumação.

A defumação medicinal

No fornilho do cachimbo são colocados pedaços de folha de jurema, tabaco, alecrim, incenso. Aceso o cachimbo, é colocado ao contrário na boca do contramestre. Na boca coloca o fornilho, assopra, fazendo a fumaça sair pelo canudo (cânula) do "gaita". A defumação é feita primeiramente da cabeça, desta para os pés, depois braço direito, a seguir esquerdo, parando mais tempo na esquerda, por onde podem entrar os maus. Vira depois o defumado e faz as defumações pela frente da cabeça aos pés. Em algumas pessoas, o presidente, depois de defumado pelo auxiliar, pega nas mãos e dá três puxões para baixo. A defumação é um processo de cura e também para livrar de maus-olhados, função preventiva e curativa.

Ao defumar uma pessoa não lhe é permitido ter os pés calçados e deve também desmanchar os cabelos. Desceu um caboclo, e ao defumar o pesquisador disse: "Os bostocos". Imediatamente o presidente esclareceu que era para ficar descalço, pisando no chão: - "O chão é sagrado, só se pisa nele com os pés descalços", disse mestre Artur. Tal ordem é idêntica à: "Solve calceamentum de pedibus tuis lucus enim, in quo stas, terra Sancta est."

Cantou-se o "linho" de Pedra Roxa e o caboclo se retirou, ficando o aparelho que o recebeu com os braços para cima. Assim é preciso disse o presidente, para que ele siga o caminho dos ares para chegar em sua aldeia.

O "linho" cantado:

   "Vamo apanhá

   a cinza Roxa

   interêco,

   corta pau, machadim,

   tira o mé,

   esta é a abelha uçu

   esta não é."

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