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O legado do Nzo Tumbansi para posteridade é a reaproximação do candomblé kongo-angola à sua matriz africana

O legado do Nzo Tumbansi para posteridade é a reaproximação do candomblé kongo-angola à sua matriz africana

O legado do Nzo Tumbansi para posteridade é a reaproximação do candomblé kongo-angola à sua matriz africana. Alguns questionamentos andam sendo feitos em torno do uso ritual das máscaras no candomblé banto, sobretudo no Nzo Tumbansi de Itapecerica da Serra (SP).

Todo o questionamento é proveitoso, pois no momento em que é feito, nos convida a uma investigação interessada sobre a realidade dos fatos questionados.

Todavia, há espécies de questionamentos que proveem de raízes psíquicas alheias a investigação honesta sobre a verdade. São aqueles posicionamentos intransigentes que parecem ter apenas o interesse de minimizar uma ação em uma estratégia de disputa por poder.

Por exemplo, recentemente foi veiculado na internet, uma fala de um representante de uma tradicional casa de candomblé angola , o autor da fala dizia convictamente sobre a linhagem das casas do Tumbenci /Tombensi aludia que dentro dessa linhagem “pura” o Nzo Tumbansi era uma espécie de fraude e usurpação e mais ainda, imputava a essa casa a distorção dos ritos tradicionais do candomblé angola, no momento em que se introduz o uso das máscaras como paramento dos nkisses.

Lamentavelmente os participantes desse fala em um canal do youtube, apresentaram não somente uma profunda ignorância sobre o reconhecimento e importância do resgate do legado africano nos ritos dos candomblés, mas também uma flagrante disposição mesquinha ao tentar deslegitimar as ações de reafricanização dos cultos dos nkisses.
Há uma concepção apresentada nessa fala que se apresenta bastante ofensiva pra nós, descendentes dos africanos da diáspora. Trata–se da tentativa de silenciar a vasta memoria africana ao colocar um corte em sua continuidade. Esse corte é o momento da escravidão nas Américas. Em dado momento do vídeo, um dos debatedores afirma que não importa mais aquilo que se era feito em África antes da escravidão. O que importa é aquilo que os escravizados começaram a fazer aqui. Como se antes da escravidão não houvesse nenhuma historia e nenhuma especificidade dos povos africanos. Lástima!

Nosso pensamento e postura são absolutamente contrários e confrontadores a isso. No entendimento da dinâmica das tradições religiosas nosso movimento não é aquele que caracteriza o projeto modernizador no ocidente que faz com que tudo se torne uma mercadoria pra atender ao grande tropel de potenciais consumidores e clientes. Nosso movimento gira os olhos para o nosso passado ancestral e nesse olhar procuramos resgatar toda a sua potência original. E seguiremos com esse intuito a despeito das más línguas.

Além disso,temos que lembrar que tudo que se faz aqui nas Américas em geral é no Brasil em particular como tradições afrodescendentes vem de África, é uma lembrança do que já existiu na África, é uma tradição que teve uma fonte, uma lógica ancestral que por acidente de história da escravidão, chegava aqui. E durante essa travessia do oceano, os Africanos não tiveram possibilidade para transportar os objetos rituais como estátuas, máscaras, os tecidos rituais.

Mas eles trouxeram só o conhecimento tradicional, os saberes tradicionais. De repente, podemos afirmar que eles tiveram os conhecimentos para fazer máscaras as que por medo e por falta do tempo,eles não fizeram máscaras, nem estátuas.
De repente, tudo que nós usamos hoje no Candomblé Congo Angola, e mesmo das outras nações, como rituais, é uma criação da Senzala.

Nos quilombos sendo meios de resistência, a gente começou a usar estátuas, máscaras, não forme atual mas uma outra forma que tem nada a ver como estátuas atuais. A forma atual uma forma da pós escravização.

De repente, se hoje a gente não quer usar máscaras, portanto não precisa também usar estátuas, pois nem estátua, nem máscara veio nos navios para cá.
Mas se estiverem essa possibilidade para trazer os objetos,eles deveriam trazer isso.

Como agora, somos livres, sem cadeias, então precisa voltar nas fontes para adequar se com a verdadeira tradição africana. Temos tempo,para conhecer nossa verdadeira tradição com máscaras, pois nas tradições, os cultos aos Ancestrais se fizeram com máscaras. Pretender perpetuar as tradições afrodescendentes sem volta na África e sem copiar a verdadeira lógica da África, é como ser padre sem querer fazer uma oração em latim.

Toda tradição tem uma alma, e a alma da tradição afrodescendente é a África e seus rituais. As máscaras são tradições africanas, e nós como descendentes Africanos, têm que seguir como nossos ancestrais africanos fizeram e fazem até hoje.
E a palavra é clara, religião de matriz africana, então a matriz é África. Se nossos antepassados tiverem tempo, livres, e todas possibilidades que temos hoje, eles deveriam voltar na África e fazer como eles fizeram antes.

O quilombo mesmo é incarnação de volta, para África, copiar África para cá com todas as características com máscaras, apesar o tempo faltou. Por isso, eles fizeram coisas como equivalente de máscaras. E nós agora, com a década dos afrodescendentes, tem que fazer fazer como África e suas tradições lógicas.

O que fica evidenciado e o que é estarrecedor, percebe-se claramente que o falante e os promotores dessa ação nefasta parecidas as do movimento neo-pentecostais, é que no candomblé, no candomblé sim, exista pessoas fazendo o papel dos “Idis-Mais-Cedo”, que ao invés de fortalecer a luta no combate ao racismo religioso e toda forma de intolerância correlata, se presta ao papel de instigar o ódio, a discórdia. Fica um alerta para os adotadores nas Máscaras etc, corre-se o risco de ter sua Inzo invadida e ateada fogo em função de introdução das máscaras ou outros elementos da cultura tradicional africana bantu no candomblé congo angola que eles dizem que não existe e que não atravessou.

 

Fonte: Portal Áfricas

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