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Culturas e religiões têm entendimentos específicos sobre Dia de Finados

Culturas e religiões têm entendimentos específicos sobre Dia de Finados

Nesta quinta (2) é lembrado em grande parte dos países cristãos o Dia de Finados, data que oferece um momento de reflexão e lembrança aos nossos entes queridos já falecidos. Diversas culturas e religiões do mundo enxergam, porém, o período de maneira diferente, sendo que determinados casos o dia não tem o mesmo significado ou até mesmo não existe. O RDnews listou como alguns outros povos entendem a data e o próprio conceito da morte, em si.

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Os japoneses lembram dos mortos na data chamada de Obon, 2ª data mais importante

Os japoneses, em sua grande maioria adeptos ao budismo, lembram dos mortos na data chamada de Obon, que é a segunda mais importante para os orientais, atrás somente do Ano Novo, e diferentemente dos ocidentais é lembrada em agosto. Na crença budista, o espírito da pessoa falecida passa a proteger os entes mais próximos após a morte.

“É uma época bem importante para os japoneses, tanto que eles ficam em feriado durante uma semana. Quem mora fora acaba viajando para ficar junto da família. Eles acreditam que nesse período o espírito da pessoa que faleceu se junta às pessoas mais queridas para realizar essa grande comunhão”, explica a administradora Vilma Takahashi, que é professora voluntária da Associação Nipo-Brasileira de Tangará da Serra e morou por 10 anos no Japão.

Durante o Obon, os budistas costumam levar as bebidas e comidas favoritas ao local onde as cinzas – os budistas são cremados em vez de enterrados – do familiar estão depositadas. Vilma pontua que no Japão, os mortos são velados nas casas dos parentes, onde ficam até o 49º dia. Após essa contagem, os budistas acreditam que a alma já se desprendeu do corpo físico.

Outras nações, como o México, literalmente comemoram a data. Em 2 de novembro, os nossos vizinhos de continente lembram o Dia de Los Muertos. Joelza Ester Domingues, mestre em História Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), explica em seu blog que a festa feita pelos mexicanos reflete uma visão e uma relação diferente que eles têm com a morte.

A professora pontua que essa percepção é um resquício da cultura dos povos nativos das Américas, como os maias e astecas. Esses povos enxergavam a morte como o fim de um ciclo e imediato começo de outro, sendo que eles não consideravam que a morte era o fim de tudo.

Por causa desse entendimento, que permanece semelhante hoje em dia, atualmente o Dia de Finados é comemorado pelos mexicanos com banquetes e muitas decorações de caveiras coloridas. Tudo isso se justifica porque nessa data, segundo eles, os mortos e os ancestrais retornam para festejar junto com os vivos.

Catolicismo

Os católicos, vertente cristã mais popular no Brasil e que em Cuiabá representa cerca de 60% da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproveitam o Dia de Finados para visitar os parentes e amigos falecidos.

“A morte é um uma passagem dessa vida para a morada eterna junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Então o Dia de Finados serve para os católicos lembrarem desses entes queridos, que já estão usufruindo da vida ao lado de Deus”, afirma o padre Felisberto Samoel da Cruz.

Ele lembra que nesta data os grandes cemitérios da Capital, como o da Piedade, do Porto, Parque Bom Jesus e Coxipó, realizarão missas, que também serão rezadas em igrejas. O Dia de Finados é comemorado no dia 2, porque em 1º de novembro é lembrada a festa de Todos os Santos, que celebra os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.

Os cerca de 49 cemitérios de Cuiabá e Várzea Grande devem receber a visita de aproximadamente 180 mil pessoas nesta quinta.

Candomblé

O candomblé, uma religião de matriz africana, aproveita o Dia de Finados para reverenciar a ancestralidade e todos os entes queridos que partiram para o Reino da Glória, chamado de Órun Rere.

“Cultuamos nossos antepassados porque entendemos que todos somos resultados das pessoas que passaram por aqui antes de nós. Antes de nós existiram milhares e milhares de indivíduos e na data podemos lembrar do espírito deles”, diz Jupirany Ty Odé, da Associação Casa de Oxóssi de Cuiabá.

Como os católicos, os candomblecistas visitam os familiares e amigos nos cemitérios - que eles chamam de campos santos - colocam flores, velas e realizam rezas. Ao contrário dos católicos, por exemplo, os adeptos da religião africana utilizam o branco em sinal de luto, ao invés do preto.

 

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Sentado Babalorisa PC, agachado Jupirany, e em pé Mogba Sidnei Sango do Ilé Oluaiye

Após a morte de uma pessoa os candomblecistas realizam o ritual de axexê. “É um jeito de venerar nossos irmãos falecidos. Nós fazemos cantigas, cantadas na linguagem ioruba, e dentre o ritual nós levamos o alimento favorito da pessoa que morreu”, ressalta Juripany, que justamente em lembrança aos antepassados faz questão de lembrar que é filho de Mogba Sidnei Sango do Ilé Oluaiye Àṣẹ Ògòdò, em São Paulo, e neto do Babalorisa PC do Àṣẹ Osumare, em Salvador.

Espiritismo

O espiritismo, uma doutrina codificada por Allan Kardec e que tem aspectos religiosos, científicos e filosóficos, entende que a morte é apenas um rito de passagem e que a vida não termina no momento em que o coração para de bater e que cessam as atividades cerebrais.

“A morte é um corredor para a vida. É como você atravessar as pontes entre Cuiabá e Várzea Grande. Quando você chega do outro lado, não deixa de ser você. Apesar de termos só uma vida na Terra, nosso espírito é imortal”, conta Lacordaire Faiad, presidente da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT).

Por causa desse entendimento de continuidade, os espíritas não têm o hábito de visitar os mortos nos cemitérios, sendo que nessa época para eles o importante é que sejam feitas orações em nomes dos que morreram. A doutrina entende que os corpos são apenas casulos de uma força não material que é o espírito, que reencarna em outros receptáculos quando chegada a hora.

Lacordaire lembra que a religião considera que nessa época de Finados, de acordo com o que está escrito no Livro dos Espíritos, é importante envolver o espírito na oração diária e entrar em sintonia com a energia cósmica que chega para os entes queridos que já morreram.

Islã

No islamismo, a religião que mais cresce no mundo atualmente e que pode ser a maior do mundo em 2070, de acordo com o Instituto Pew Research, não tem nenhuma data específica para lembrar os mortos e, por isso, o Dia de Finados não consta no calendário islã, pontua a jornalista cuiabana e muçulmana Lina Omar.

Contudo, os muçulmanos periodicamente incluem em suas orações os mortos, lhes desejando uma boa vida ao lado de Alá (Deus em árabe), complementa Limia Ali, que é divulgadora do Islã na América Latina, graduada pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Islâmicos (ILAEI).

Apesar dessa diferenciação, por causa de certa dose de sincretismo religioso, alguns muçulmanos que moram no Brasil acabam visitando os falecidos nos cemitérios também, segundo a jornalista. Lina relata ainda que Cuiabá, além de uma Mesquita, tem um cemitério islâmico, localizado no bairro Parque Atalaia, atrás do Cemitério Parque Bom Jesus de Cuiabá. 

A morte para os islâmicos é um rápido momento de passagem que prepara o falecido para ressuscitar no dia do juízo final. A jornalista explica ainda que após a morte, os muçulmanos passam por um ritual de lavagem do corpo e são enterrados nus envoltos em um véu branco, sem um caixão, como no caso dos cristãos.

 

FONTE: http://www.rdnews.com.br/cidades/culturas-e-religioes-tem-entendimentos-especificos-sobre-dia-de-finados-confira/91908

Última modificação emSexta, 03 Novembro 2017 01:37

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