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Notícias (59)

Notícias e atualizades das Religiões Afro-Brasileiras

Vândalos depredam centro de candomblé Destaque

Vândalos depredaram um centro de umbanda e candomblé na Vila Toninho na tarde desta quinta-feira, 16, em Rio Preto. Eles quebraram ofertas e objetos utilizados nos rituais religiosos.

De acordo com uma das responsáveis pelo centro Caboclo Sete Flechas, criminosos arrombaram as portas do local, invadiram diversas salas e destruíram objetos. Depois, fugiram levando apenas um botijão de gás. “Mas não entraram para roubar. Entraram para fazer maldade”, disse a mãe de santo Sônia Medeiros.

Segundo ela, o centro funciona no local há 22 anos e nunca houve nenhuma situação parecida. “Estamos muito abalados com o que aconteceu. Nunca incomodamos ninguém”, afirma a mãe de santo, que atribui o ataque à intolerância religiosa.

A tesoureira do local disse que ainda não contabilizou o prejuízo material. “Mas isso não é o que conta. O maior prejuízo que tivemos aqui foi o espiritual”, afirmou Edvânia Ferreira.

Segundo ela, os praticantes da religião são, com frequência, alvos de preconceito. “Só queria que as pessoas se conscientizassem que cada um tem sua fé. Basta respeitar”, disse.

A Polícia Militar esteve no local e orientou os responsáveis pelo centro a procurarem a delegacia mais próxima nesta sexta-feira, 17. O crime pode ser registrado como dano ao patrimônio e, comprovada a motivação por preconceito, os suspeitos, se forem identificados, podem responder por intolerância religiosa, que prevê pena de dois a cinco anos de prisão.

 

FONTE: DIÁRIO DA REGIÃO SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

 

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Lista terreiros de candomblé na BA e dicas para frequentar templos Destaque

Asogbá do Terreiro Ile Axé Oyá Tolá indica como visitar espaços sagrados.
Existem 1.165 terreiros cadastrados em Salvador por centro de estudos.

 

O mistério e a curiosidade que envolvem o candomblé, religião brasileira de matriz africana que resiste no país, torna os espaços sagrados pontos culturais em Salvador e região metropolitana. De acordo com o Centro de Estudos Afro-Orientais, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), são 1.165 terreiros cadastrados na capital, que podem ser consultados por meio do portal do CEAO na internet. Em entrevista ao G1, Maurício Reis, Asogbá do Terreiro Ile Axé Oyá Tolá, que fica em Candeias, na região metropolitana de Salvador, destaca algumas dicas para frequentar um terreiro de candomblé.

"A orientação necessária para conhecer um espaço sagrado de terreiro de candomblé é a utilização de roupas adequadas a um espaço religioso, evitar roupas na cor preta", orienta. Ele diz também que não há um dia específico para a visitação.

"As portas estão sempre abertas aos visitantes que queiram conhecer a sua histórica, cultura, o pertencimento de um povo que contribuiu para a formação da sociedade brasileira. No entanto, é importante que comunique com antecedência à liderança religiosa a data da visita para que possa ser bem acolhido", alerta. O frequentador também deve evitar uso de bebida alcoólica e roupas curtas.

Ainda segundo Maurício Reis, o que o visitante irá encontrar em um terreiro de candomblé é a manutenção do que é mais sagrado, a preservação da natureza, o respeito ao próximo e o compromisso com a religião. "Todas as pessoas são bem-vindas em um terreiro, independentemente da religião, raça, etnia, orientação sexual, partido político, desde que respeitem esse espaço como sagrado.

Para encerrar a série de matérias do Novembro Negro, o G1 listou alguns terreiros em Salvador e região metropolitana. Confira abaixo:

Terreiro do Gantois fica no bairro da Federação, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro do Gantois fica no bairro da Federação, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê (Terreiro do Gantois)
Endereço: Alto do Gantois, 33, Federação
Telefone: (71) 3331-9231

Terreiro de Pai Balbino fica em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador (Foto: Alex Ferreira/Arquivo pessoal)
 
Terreiro de Pai Balbino fica em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador (Foto: Alex Ferreira/Arquivo pessoal)

Ilê Axé Opô Aganjú
Endereço: Rua Sakete 32 (nome dado em homenagem a uma cidade em Benin), Alto da Vila Praiana, Lauro de Freitas
Telefone: (71) 3378-2972

Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá fica no bairro do Cabula (Foto: Reprodução/TV Bahia)
 
Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá fica no bairro do Cabula (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Ilê Axé Opó Afonjá (Terreiro de Mãe Stella)
Endereço: Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, 557, Cabula
Telefone: (71) 3384-5229

Terreiro da Casa Branca é o mais antigo de Salvador (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro da Casa Branca é o mais antigo de Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Terreiro da Casa Branca)
Endereço: Avenida Vasco da Gama, 463, Engenho Velho da Federação
Telefone: (71) 3335-3100

Terreiro em Candeias  (Foto: Andréa Montenegro/Arquivo pessoal)
 
Terreiro Ilê Axé Oyá Tolá, em Candeias (Foto: Andréa Montenegro/Arquivo pessoal)

Terreiro Ilê Axé Oyá Tolá
Endereço: Rua da Escola, Alto do Candomblé, 125, Passagem dos Teixeiras – Candeias-BA CEP. 43.800-994 (Referencia: Entrada, após o pedágio de Simões Filho, sentido Feira de Santana)
Telefone: (71) 3607-1087
Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Terreiro fica no bairro do Curuzu, em Salvador (Foto: Thamires Tavares/ Divulgação)
 
Terreiro fica no bairro do Curuzu, em Salvador (Foto: Thamires Tavares/ Divulgação)

Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe
Endereço: Rua do Curuzu, 222, Bairro da Liberdade
Site: http://terreirovodunzo.wixsite.com/savalu

Terreiro de Alaketu fica no bairro de Brotas, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro de Alaketu fica no bairro de Brotas, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Ilê Maroiá Lájié (Terreiro de Alaketu ou Olga de Alaketu)
Endereço: Rua Luis Anselmo 67 – Matatu de Brotas
Telefone: ( 71) 3244-2285

Terreiro Casa de Oxumaré fica na Avenida Vasco da Gama, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro Casa de Oxumaré fica na Avenida Vasco da Gama, em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó (Casa de Oxumaré)
Endereço: Avenida Vasco da Gama, 343, Federação
Telefone: (71) 3237-2859
Site: www.casadeoxumare.com.br

Terreiro do Bate Folha fica no bairro da Mata Escura, em Salvador (Foto: Vanessa Avelar/AECC UFBA)
 
Terreiro do Bate Folha fica no bairro da Mata Escura, em Salvador (Foto: Vanessa Avelar/AECC UFBA)

Mansu Bandu Kenkê (Terreiro do Bate Folha)
Endereço: Travessa de São Jorge 65, Mata Escura
Telefone: (71) 3261-2354

Terreiro no bairro do Curuzu (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro no bairro do Curuzu (Foto: Egi Santana/G1)

Ilê Axé Jitolú (Ilê Aiyê)
Endereço: Rua do Curuzu, 231, Liberdade
Telefone: (71) 3386-2148
Site: http://www.ileaiyeoficial.com/

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Terreiro do Pilão de Prata (Foto: Egi Santana/G1)
 
Terreiro do Pilão de Prata (Foto: Egi Santana/G1)

Ilê Odô Ogê (Terreiro do Pilão de Prata)
Endereço: Estrada do Curralinho – Boca do Rio CEP: 41720-390 – Salvador – BA
Telefone: (71) 3341-9055
Site: http://www.pilaodeprata.com.br/
*Tombado pelo Ipac

 

FONTE G1

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Pastora que quebrou imagem de santa em SP sofre parada cardíaca Destaque

Após a repercussão negativa de um vídeo publicado nas redes sociais em que uma pastora de uma igreja evangélica de Botucatu, no interior de São Paulo, aparece quebrando imagens de Nossa Senhora Aparecida com um martelo, a responsável pelo ato, identificada como pastora Zélia.

A pastora sofreu uma parada cardíaca na noite de quinta-feira(12), em sua casa. Zélia foi levada as pressas para hospital municipal de Botucatu e está fora de perigo. A equipe de reportagem do Portal Atualizado conversou com a pastora por telefone.

 Segundo a própria pastora, ela conversou com anjos antes de ''voltar a terra'. ''Eu conversei com anjos, me arrependo do que fiz, tenho que respeitar e espalhar amor, essa é minha missão na terra.'' publicamente, Zélia também pediu desculpas aos católicos pelo episódio.

 

Fonte: Com informações do Portal Atualizado

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Terreiro Vodun Zo Kwe é tombado pelo município Destaque

Terreiro Vodun Zo Kwe é tombado pelo município

 

"O Rio nasça onde nascer, todo ele vai para o mar, somos todos iguais", esta foi a frase com que o sacerdote Doté Amilton  marcou, nesta sexta-feira, 15,  a cerimônia de tombamento do Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, no Curuzu, bairro da Liberdade.

"O tombamento visa preservar não só o espaço físico, mas também todo o legado cultural e a tradição, e aqui também tem a questão ecológica", disse o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro.

O terreiro, localizado na rua Direita do Curuzu, é conhecido como mancha verde, pois a região possui a única área verde preservada do bairro com  maior população  negra da cidade.

Durante a cerimônia, Doté Amilton destacou os 30 anos de projetos sociais desenvolvidos no local, com  o ensino de capoeira para crianças da comunidade.

"Muitas crianças carentes  cresceram e foram para a Europa e levaram o que aprenderam aqui", disse,  emocionado com o reconhecimento do trabalho que tira jovens de situação de risco. O sacerdote renunciou à própria residência para montar uma biblioteca.

O ato desta sexta representou a primeira ação municipal da capital com base na Lei de Preservação do Patrimônio Cultural do Município (8.550/2014), de autoria do vereador Léo Prates (DEM). A ação foi executada pelo setor de patrimônio do município, criado neste ano, sob a responsabilidade da Fundação Gregório de Mattos (FGM).

"Essa lei chegou com muito atraso para uma cidade com imenso patrimônio histórico. Os tombamentos são feitos a partir da demanda da sociedade civil. Não é uma escolha da fundação, eles nos procuram e fazem a solicitação. Uma comissão de técnicos avalia. Já temos uma lista grande que inclui, por exemplo, a pedra de Xangô, em Cajazeiras. Mas, até agora, o Vodun Zo foi o único terreiro que fez o pedido para tombamento na cidade de Salvador", explicou o gestor da FGM.

"É um ato de reconhecimento da ancestralidade, da cultura e religião africana, que fazem parte da formação do nosso ser. A religião e a fé de cada um têm que ser respeitadas", disse o prefeito ACM Neto, que assinou a certidão oficial de tombamento e prometeu uma creche-escola para o local, reivindicada pelo terreiro.

O encerramento do ato contou com performance da Banda Aiyê, do bloco afro Ilê Aiyê.

Raridade

De 12 mil m² de área, restaram  ao terreiro apenas 2 mil m². Ao longo de 40 anos em  que o sacerdote está no local, houve invasões com derrubada de árvores, depredação da fonte, problemas com especulação imobiliária e dificuldade de manutenção das instalações - motivos que foram elencados no ofício para formalizar o pedido de tombamento protocolado e documentado pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA).

"Temos aqui uma raridade de culto, que não há em nenhum outro local. Tínhamos que tomar alguma atitude drástica para proteger esse espaço vivo de memória", pontuou Leonel Monteiro, presidente da AFA.

Como único da nação Jeje Savalu, o Vodun Zo  preserva os ritos originais da linhagem, bem como o dialeto africano ewe-fon, nos cânticos, rezas e no cotidiano da comunidade do Curuzu, no bairro da Liberdade.

Fonte:

http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1739656-terreiro-vodun-zo-kwe-e-tombado-pelo-municipio

Por: Yuri Pastori

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Criança vítima de intolerância religiosa Destaque

A agressão a uma criança de 11 anos no último domingo domingo (14), atingida por uma pedrada quando voltava de um ritual de candomblé, expõe um problema que é mais comum no Rio de Janeiro do que em outros estados do país, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH): a intolerância religiosa.

Um levantamento feito pelo G1 com números de 2014 do Disque 100, que recebe telefonemas anônimos sobre vários tipos de violência (da doméstica à homofobia), mostra que o estado liderou naquele ano o registro de denúncias relacionadas à religião em todas as faixas etárias. Além disso, entre 2011 e 2014, o Rio foi a unidade da federação com maior número de discriminação religiosa contra crianças e adolescentes.

Durante esses quatro anos, foram 16 denúncias de intolerância religiosa contra os jovens. O segundo estado com maior número de casos nesta faixa etária é São Paulo, com 11. Em terceiro, aparecem Bahia e Ceará, com menos da metade das denúncias do Rio: sete.

Os dados do Disque 100 vão somente até 2014 – já que são divulgados somente ao final do ano em curso. Naquele ano, o Rio também ficou à frente no ranking geral. Entre todas as idades, foram 39 denúncias. O registro é o maior em números absolutos, mas também é o maior na proporção de denúncias por 100 mil habitantes: 0,24. A inglória primeira colocação foi alcançada após um aumento considerável de casos no estado. De 2011 para 2012, saltou 500%; e de 2012 a 2013, 116,67%.

No ano seguinte, os registros ficaram estáveis no estado e diminuíram em São Paulo – até então o estado com mais casos de discriminação religiosa. Com isso, o Rio acabou passando à frente.

Segundo a pesquisa, a maior incidência de registros ocorre entre vizinhos. No entanto, não são raros os casos entre pai, mãe, familiares próximos e até mesmo professores e diretores de colégio. Outro dado curioso mostra que, muitas vezes, a discriminação acontece na casa da vítima. A rua, como foi o caso da jovem de 11 anos do último domingo, fica em segundo lugar.

'Fecho o olho e vejo tudo de novo'
A marca da violência está na cabeça de Kailane Campos, que é candomblecista e foi apedrejada na saída de um culto, na Vila da Penha, Subúrbio do Rio, no último domingo (14). 

“Achei que ia morrer. Eu sei que vai ser difícil. Toda vez que eu fecho o olho eu vejo tudo de novo. Isso vai ser difícil de tirar da memória”, disse nesta terça-feira (16) a menina de 11 anos.

Na delegacia 38ª DP (Brás de Pina), o caso foi registrado como preconceito de raça, cor, etnia ou religião e também como lesão corporal, provocada por pedrada. Os agressores fugiram em um ônibus que passava pela Avenida Meriti, no mesmo bairro. A polícia, agora, busca imagens das câmeras de segurança do veículo para tentar identificar os dois homens.

A avó da criança lançou uma campanha na internet e tirou fotos segurando um cartaz com as frases: “Eu visto branco, branco da paz. Sou do candomblé, e você?”. A campanha recebeu o apoio de amigos e pessoas que defendem a liberdade religiosa. Uma delas escreveu: “Mãe Kátia, estamos juntos nessa”.

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/rj-lidera-denuncias-de-discriminacao-religiosa-contra-criancas-16-em-4-anos.html

 

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Tia de menina apedrejada no Rio diz que agressores 'acham que são Deus' Destaque

Iara Jandeiro é candomblecista. Ela é tia de uma menina de 11 anos e testemunha da agressão sofrida pela criança, atingida por uma pedrada no domingo (14), quando saía de um culto religioso. Os autores, segundo ela, seriam dois jovens que aparentam ter 20 anos. Apesar de adepta da religião afro-brasileira, Iara faz alusão a uma frase comum aos católicos para pregar a paz entre os crentes de várias matizes.

"'Amai-vos uns aos outros, como vos amei', está escrito na Bíblia. Eles (os agressores) acham que são Deus, que o Deus deles é melhor que o nosso. Cada um tem sua religião, independente de ser budista, cristão, católico, candomblecista, judeu. Cada um tem que respeitar a religião do próximo. Não somos deus para julgar", diz a autônoma.

O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional) na 38º DP (Irajá).

De acordo com a unidade policial, parentes prestaram depoimento. A menor de 11 anos foi ouvida e encaminhada a exame de corpo de delito. Os agentes realizam diligências para localizar imagens e testemunhas que possam auxiliar na identificação da autoria do crime.

Fonte:

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/acham-que-sao-deus-diz-tia-de-menina-apedrejada-apos-culto-no-rio.html

Gabriel BarreiraDo G1 Rio

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Pastor manda tirar boneca africana de creche e dispara: "É macumba"

O pastor João Brito, da Igreja Evangélica Batista de Vitória, pediu que um painel feito por crianças que contém bonecas negras fosse retirado de uma creche de Jardim da Penha. Segundo o religioso, a boneca é "símbolo de macumba por se originar de uma religião africana”.

A arte em questão foi feita no Centro Municipal de Ensino Infantil (Cmei) Professora Cida Barreto. O painel foi confeccionado por uma professora que dá aulas sobre a cultura do povo africano e também sobre a cultura afro-brasileira. O projeto chama Abayomi e faz parte do programa da institucional da escola: “Diversidade”, que trata da questão étnica-racial.

Abayomi era uma boneca criada por mães africanas que rasgavam retalhos de suas saias e confeccionavam através de tranças ou nós. As bonecas são símbolo de resistência e serviam para acalentar os filhos durante as viagens em navios de pequeno porte que realizavam o transporte de escravos entre África e Brasil.

O prédio em que a escola funciona pertence à igreja, mas é alugado pela Prefeitura Municipal de Vitória. O espaço onde são expostos os trabalhos dos alunos é de uso compartilhado entre o Cmei e a igreja. "Aquilo era um quadro com entidade de macumba. Se colocar qualquer símbolo religioso que confronte a Bíblia eu tiro, eu tirarei e, se repetir, eu tiro de novo", enfatiza o pastor.

E continuou: "Quando foi feito o convênio com a prefeitura, ficou acordado que não iríamos intervir em nada. A escola é laica. Em contrapartida a escola também não deveria fazer nada que contrariasse os princípios evangélicos. Pra quê essa boneca? Tanta coisa para ensinar. Por que ensinar isso?", questionou Brito.

O religioso disse que este foi um caso isolado. Mas, segundo uma pessoa que não quis se identificar, essa seria a segunda vez que um projeto de origem africana é retirado. O primeiro caso foi em maio.

A Secretaria de Educação de Vitória informou o projeto está em conformidade com as diretrizes curriculares nacionais da Educação Infantil. A secretária da pasta, Adriana Sperandio, afirmou que será marcada uma reunião com o pastor Brito. "Estamos agendando um diálogo junto ao pastor Brito na próxima semana para conversarmos sobre o ocorrido. A gente entende que, promovendo o diálogo, há perspectiva de avançarmos nesse sentido, sempre reconhecendo que a escola tem um projeto pedagógico cuja ação é voltada para a formação para a cidadania e isso, sem dúvida, deve ser assegurado".

Adriana Sperandio acredita que o diálogo é o melhor caminho para resolver a situação e garantir o cumprimento da proposta pedagógica da escola. "Acreditamos que, dialogando, podemos superar esse desafio registrado, respeitando a instituição, mas sabendo que a unidade escolar terá de cumprir seu papel na formação dos estudantes".

A professora responsável não quis falar sobre o assunto.

ORGANIZAÇÕES CRITICAM POSTURA

O Conselho Municipal do Negro (Conegro) afirma que já foi ao local e irá tomar providências, e acrescenta que as escolas públicas e privadas são, por lei, obrigadas a ensinar a história e a cultura afro-brasileiras. O conselheiro e integrante da Comissão Executiva do Conegro, Moacir Alves Rodrigues, afirma que não é a primeira vez que isso acontece. "Dessa forma, a igreja perpetua o racismo e a discriminação”. comenta.

INTOLERÂNCIA

Para a zeladora de umbanda e conselheira estadual de Igualdade Racial Yara Marina é perceptível a intolerância religiosa no caso. Ela afirma que é preciso conhecer para julgar. “Se outros segmentos religiosos se permitissem estudar e conhecer nosso povo, não cometeriam esse crime voltado contra nossas comunidades tradicionais de matriz africana. Mantemos nossa tradição e queremos ser respeitados. Para que isso aconteça estamos com a porta dos terreiros abertas”, afirma.

Ela acrescenta que o poder público tem uma parcela de culpa em relação ao desconhecimento de religiões de origem africana, pois o tema é pouco discutido. “O governo não capacita os professores para discutir essa temática e quando há boa vontade do professor de aplicar o tema, ele é obrigado a sofrer esse tipo de desrespeito dentro da própria escola”, finaliza.

ANÁLISE

"A questão da religião não está desvinculada de todo o processo que a humanidade criou dentro de um processo de supremacia rica, hétero, branca e cristã. O cristianismo é criado como um padrão dentro dessa supremacia. Tudo que for diferente será banido e, nesse caso, o diferente vem da África. A 'macumba' vem da cultura africana e foi associada a algo ruim para manter uma supremacia. Faz parte da discriminação racial não aceitar a religião africana. O racismo é tão forte que a religião dos negros também é associada a algo ruim. Ensinar a cultura negra é importante para saber sobre os antepassados e compreender uma outra cultura. Não respeitar a outra religião é intolerância". [ Nilda Pereira, filósofa e pós-doutoranda da UVV ]

ENTREVISTA COM O PASTOR BRITO

O que aconteceu?

Eu mandei retirar a boneca. Ela era feita em navios negreiros e passou a ser objeto de adoração e macumba. Qual é a origem da macumba? Vem do sincretismo religioso. Se colocar qualquer símbolo religioso eu tiro e tirarei e, se repetir, eu tiro de novo.

É uma forma de racismo?

A gente retirou por ser símbolo de uma religião de cunho afro-brasileira. Não é pela cor da boneca. Nós não temos preconceito com cor, na igreja, inclusive, há muitas pessoas negras.

É intolerância religiosa?

Com certeza. Eu não posso tolerar que dentro da igreja se implante símbolo de outra religião. Eu tolero a convivência, mas cada um no seu lugar. Eu não vou no centro de macumba e nem na igreja católica quebrar imagens, mas não aceito aqui. Em nenhuma hipótese vou tolerar símbolo religioso que confronte com os ensinamentos da Bíblia. É um desrespeito.

A escola não é livre?

Nós não dependemos do colégio aqui, nós abrimos as portas a pedido da comunidade e da secretaria e temos prazer de servir. Não vamos nos dobrar diante de uma professora que por onde passa tem criado problema.

Fonte: Gazeta On Line

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Nigerianos protestam contra o fim do Consulado em SP

São Paulo – A notícia de que o Consulado Geral da Nigéria irá encerrar suas atividades em São Paulo  mobilizou a comunidade nigeriana na última terça-feira, dia 1º.  Uma passeata coordenada pelo Centro Cultural Africano partiu do Largo do Anhangabaú, região central e seguiu até a avenida Brasil, onde funciona escritório consular. Hoje, mais de 10 mil cidadãos nigerianos vivem no Estado de São Paulo.

De acordo com o presidente do Centro Cultural Africano, Otunbá Adekunle Aderonmu (Jimi), a decisão é do governo da Nigéria, que alega problemas econômicos, mas provocará muitos transtornos para os que vivem na capital paulista, que representam 85% dos nigeriano no Brasil.  “Será um sofrimento, pois teremos que nos deslocar à Brasília, por cada pequena coisa que quisermos resolver”, disse Adekunle.

Outro problema, segundo ele, é que a notícia chega em um momento em que a NIGERIANS IN DIASPORA ORGANIZATION AMERICAS está trabalhando arduamente para criar mais consciência das oportunidades de negócios entre o Brasil e a Nigéria, especialmente no desenvolvimento agrícola. “O Consulado em São Paulo torna mais fácil para a NIDOA BRASIL organizar reuniões com os parceiros brasileiros”, explicou.

Até o momento, nem a Embaixada e nem mesmo o  Governo da Nigéria haviam respondido ao manifesto.  “Com o encerramento do Consulado uma boa parte do sonho de uma melhor relação comercial entre os dois países será destruído”. Concluiu Adekunle Aderonmu.

 

Agência Áfricas de Notícias – por Claudia Alexandre

 

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Umbandista denuncia perseguição e intolerância religiosa, em Outeiro

Uma moradora do distrito de Outeiro, em Belém, relatou ao DOL que vem sofrendo constantes ameaças de um vizinho por questões religiosas.

Patrícia Mendes alega que o vizinho ameaça processá-la, e que pretende fazer um abaixo assinado para que seja retirada de sua casa.

"Isto é intolerância religiosa", denuncia Patrícia Mendes. "Ele não respeita e faz constantes ameaças. Já registrei Boletim de Ocorrência e espero que façam algo, pois tenho minha casa, meu terreiro e não perturbo ninguém.”

Patrícia também gravou um vídeo relatando a situação, onde afirma que este vizinho disse que ela representa um risco para a sociedade. “A Justiça agora vai escutar as duas partes e isso não pode ficar impune. Esse homem precisa aprender a respeitar ao próximo", finalizou.

Vizinho deve prestar esclarecimentos

O DOL entrou em contato com a Polícia Civil, que confirmou que o caso foi registrado e está sendo investigado pela Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH).

A polícia disse ainda que o acusado já foi intimado e deverá comparaecer à delegacia nesta quinta-feira (13) para prestar os devidos esclarecimentos sobre o caso.

Intolerância aos 11 anos de idade

Em 2015, uma criança de apenas 11 anos de idade foi apedrejada, no Rio de Janeiro, por populares por andar na rua usando um turbante, acompanhada de um grupo de religiosos.

A menina perdeu muito sangue e chegou a desmaiar.

O caso chocou a opinião pública e, em especial, aos umbandistas e afrodescendentes, que iniciaram uma campanha pela paz nas redes sociais.

(Foto: reprodução)

Intolerância religiosa é crime

De acordo com a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, "serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

A pena para este tipo de crime é de reclusão de um a três anos e multa.

(DOL)

 

FONTE: DIÁRIO ON LINE DO PARÁ

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Angola: Centro histórico de Mbanza-Kongo é eleito Patrimônio da Humanidade

Neste sábado (8 de julho), o centro histórico de Mbanza-Kongo, em Angola, foi inscrito, pela UNESCO, na lista de Patrimônios da Humanidade. Capital política e espiritual do antigo Reino do Kongo (região onde hoje estão localizados Gabão, República do Congo, Angola e República Democrática do Congo), Mbanza-Kongo representa a troca profunda causada pela introdução do cristianismo e chegada dos portugueses (final do século XV), na África Central. Por dentro da África publicará uma série de reportagens sobre a região. Leia em “Saiba mais” nos links abaixo ou acompanhe a nossa página nas redes sociais.

Um reino que crescia e influenciava parte da África, no século XIII, representa uma civilização de riqueza cultural inestimável.  Formado inicialmente por 144 tribos, esse Império construiu a história e cultura de países como Angola, Congo, República Democrática do Congo e Gabão.

– O reconhecimento do Mbânz’a Kongo é positiva para o mundo, e não apenas para Angola. Milhares do Kongo foram escravizados e levados para as Américas e Europa, por exemplo. O patrimônio da humanidade é material (sítios arqueológicos, monumentos históricos, etc.) e imaterial (línguas, danças, religião, etc.). Por um lado, esse reconhecimento criará condições para rentabilizar o turismo e a pesquisa; por outro, auxiliará nas sobrevivências religiosas de países como Brasil, Cuba e EUA, que também se beneficiarão com essa classificação – conta em entrevista exclusiva ao Por dentro da África Patrício Batsikama, especialista no Reino do Kongo, que há quase duas décadas se debruça sobre essa parte da nossa História.

Leia mais aqui – Herança do Império do Kongo: reconhecimento de M’banza-Kongo beneficia a humanidade

Foi de lá que partiu a maioria dos africanos escravizados desembarcados nas Américas, foi de lá que saiu o primeiro embaixador africano enterrado no Vaticano, também foi lá onde a primeira igreja católica (Kulumbimbi) da África Subsaariana foi erguida.

Em Angola com destaque para Mbanza Kongo
Em Angola com destaque para Mbanza Kongo

– O Kôngo era um Estado muito influente quando os portugueses chegaram. Já havia democracia, como comprovavam  os relatórios de viagem em 1491 (durante a evangelização). Foram os próprios portugueses que, depois de se familiarizarem com os Kôngo, nos chamaram de gregos de África! A região recebeu a primeira Catedral na África Subsaariana, os cidadãos do Kôngo foram ensinar Humanidades em Portugal, já nos séculos XVI e XVII, já uma vez que existiam escolas de qualidade em Mbânz’a Kôngo – disse  Batsîkama.

Saiba mais: “O Kôngo vivia em democracia quando os portugueses chegaram no século XV”, diz Patrício Batsîkama

Com o compromisso de pesquisar e compartilhar a história e os símbolos da cidade, o arqueólogo Bruno Pastre Máximo, colaborador do Por dentro da África, lançou um site baseado em uma vasta pesquisa de campo.

-O site é resultado do interesse em tentar popularizar e divulgar narrativas históricas baseadas na tradição para o grande público, assim como expor como foram interpretadas as histórias dos participantes da pesquisa – disse ao Por dentro da África o brasileiro que contou com a ajuda do produtor local congolês Blaise Matondo.

As histórias de Mbanza-Kôngo: Arqueólogo lança site sobre a capital do antigo Reino do Kongo

 

Fonte: http://www.pordentrodaafrica.com/cultura/angola-mbanza-kongo-patrimonio-da-humanidade

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