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Notícias (110)

Notícias e atualizades das Religiões Afro-Brasileiras, Umbanda, Candomblé, Ifá...

Aluna candomblecista será indenizada por ter de orar e ler bíblia, decide TJ-SP

Em 2016, uma estudante de 3º ano fundamental de uma escola pública estadual de Campinas (SP) teve de participar de oração coletiva e anotar trechos da Bíblia, embora ela não fosse cristã.
A direção da escola e a professora sabiam que a jovem seguia a religião do candomblé.
A mãe da estudante recorreu à Justiça por ter havido intolerância religiosa.

A jovem ficou psicologicamente abalada porque, quando se recusava a rezar, havia bulling na sala de aula.
Agora, por decisão unânime, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) condenou o Governo do Estado a pagar uma indenização de R$ 8 mil por danos morais. Cabe recursos.
Em decisão proferida no dia 12 de fevereiro de 2019, a desembargadora Maria Laura Tavares, da 5ª Câmara de Direito Público, afirmou que a imposição do cristianismo na escola violou o direito de personalidade, principalmente em relação à “liberdade de pensamento, identidade pessoal e familiar”
“Agrava a situação, ainda, que a imposição de determinada vertente religiosa em aulas sem cunho religioso, ocorre em salas do ensino fundamental, com crianças entre 6 e 14 anos”, sentenciou a desembargadora.
“A escola pública não deve obrigar que as crianças permanecessem em ambientes religiosos com os quais não se identificam ou compactuam.”

 Com informação do TJ-SP.
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Supremo Tribunal Federal volta a julgar abate afro-religioso dia 28 de março

Por Claudia Alexandre

Após quatro meses, o Supremo Tribunal Federal confirmou para o dia 28 de março de 2019, às 14 horas, a continuidade do julgamento da constitucionalidade dos rituais de abate religioso por parte das religiões afro-brasileiras. No dia 9 de agosto, a ação recebeu dois votos a favor e pela manutenção do exercício da liberdade religiosa, dos ministros Marco Aurélio e Luiz Edson Fachin, mas Alexandre de Moraes decidiu pedir vista, adiando a sentença.

O abate de animais, parte de cadeia alimentar das religiões de matriz africana, também é praticado em outras denominações como judaísmo e islamismo, por isso os advogados de defesa também chamam a atenção para o racismo religioso caraterizado pelo recurso originado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. “A vida da galinha da macumba é mais importante do que a vida dos jovens negros da periferia”, ressaltou ao ocupar a tribuna o Dr. Hédio Silva Junior, jurista que representa a União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, ao lado dos advogados Antonio Basílio Filho e Jader Freire de Macedo Junior.

O ministro Marco Aurélio ponderou que não faz sentido “proibir religiões de sacrificar animais em ritos se a sociedade consome diariamente carnes de animais”. Além disso, ao falar em plenário Dr, Hédio também argumentou que a acusação de maus tratos não se confirma, já que nos rituais os abates são realizados sem violência e não podem ser comparados com a crueldade industrializada pelo segmento frigorífico. “Essa discussão é sobre as religiões africanas, onde prevalece a cor negra. É assim que coisa de preto é tratada no Brasil. Ou seja, a vida de preto não tem valor. Mas a galinha da religião de negro tem que ser radicalmente protegida.”, enfatizou Hédio Silva.

Em outubro, o ministro Alexandre de Moraes recebeu em seu gabinete os advogados Hédio Silva Júnior, Antonio Basílio e Jader Freire, que foram à Brasília entregar um novo documento, do Conselho Nacional de Procuradores Gerais de Justiça, que aprovou uma recomendação favorável ao abate religioso, em setembro. “Esse documento vai auxiliar na avaliação da ação. Mas de qualquer forma nossa expectativa é favorável e apostamos em uma vitória no dia 28 de março”, concluiu Dr. Hédio.

 

FONTE : ÁFRICAS

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Bandidos invadiram terreiro, roubaram e agrediram religiosos: 'Oxóssi chorou'

“Eles colocaram as armas nas cabeças dos orixás”. Foi com essa frase, falando com os olhos marejados e com a marca da violência no rosto que o babalorixá Rychelmy Imbiriba contou ao CORREIO como foram os minutos de terror que ele e mais 150 pessoas passaram na noite de sábado (12).

O machucado na face, fruto de uma coronhada, não foi nada comparado à dor que o pai de santo sentiu com o desrespeito ao sagrado, ao culto do candomblé e aos orixás que ali se encontravam no Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare, conhecido como Casa do Mensageiro.

Na noite destinada ao pai dos orixás, Oxalá, no primeiro festejo do ano, seis homens, pelo menos dois deles armados, invadiram o local, que fica na localidade de Barra do Pojuca, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, no meio da cerimônia e a transformaram em um cenário de violência, pânico e choro.

Eles entraram no templo pela porta principal, foram para o salão em que a festa estava acontecendo e deram ordem de assalto. Algumas pessoas, pouco mais de 20, conseguiram fugir para os fundos do terreno, lugar em que passa o Rio Pojuca.

O babalorixá Rychelmy Imbiriba levou uma coronhada no rosto (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Choro de orixá
Durante a ação, os bandidos ordenaram que todos deitassem no chão, o que, obviamente, não foi cumprido pelas pessoas que estavam incorporadas com os orixás. Após levar o celular dos adeptos que estavam deitados, os homens começaram a revistar os orixás e chegaram a chacoalhá-los e apontar armas em suas cabeças, em uma tentativa frustrada de fazer com que eles deitassem ao chão e acordassem. Após a ação, Oxóssi chorou.

Dentre as falas dos bandidos, que deixaram os presentes revoltados, estavam: “Vamos bater nesses macumbeiros”; “Vocês nem deveriam praticar essa macumba aqui”; “Isso não existe, manda ele (orixá) parar”, dentre outros.

Os xingamentos e atos para profanar a fé dos membros do terreiro foram realizados durante toda a ação criminosa. 

A coronhada que o babalorixá Rychelmy recebeu foi justamente por tentar impedir a truculência dos homens contra os orixás. “Eu vi o movimento. Nós contamos seis homens, alguns encapuzados, uns sem capuz. Quando eu percebi, fui até lá fora para tentar acalmar os meus e entender o que estava acontecendo. Foi aí que eu recebi a coronhada e começou a jorrar sangue. Fui tentar dizer que não precisava de nada daquilo, que eles podiam levar o que eles quisessem, mas que não mexessem em quem tivesse com o orixá, e foi aí que eu levei a coronhada”, contou o pai de santo, contendo as lágrimas.

 

Na saída, os homens conseguiram levar um carro e acabaram batendo em outros veículos que estavam no local. “Eles levaram inúmeros celulares, um carro, a câmera de um fotógrafo que estava aqui que acabou levando uma coronhada e três pontos na cabeça também, e alianças das pessoas”, narrou o babalorixá.

“Eu estava esperando qualquer movimento pior para poder reagir. Eu teria morrido, teria brigado porque é tudo aquilo que eu acredito, a minha ancestralidade que é forte. E eu sei que isso é uma coisa que já vem desde a escravidão. Essa perseguição não é de hoje. Nesses momentos, você fica em desespero e pronto para qualquer coisa. Ali é o nosso sagrado e você mexer no sagrado do outro...”, comentou Rychelmy.

Filhos de santo
Enquanto, de sua imponente cadeira esculpida em madeira, o pai de santo falava com o CORREIO, os iaôs e demais membros do terreiro sentavam ao chão para lembrar a história e adicionar seus depoimentos. As lágrimas, que tanto tentavam segurar, ousavam em cair. A violência não foi só física; também foi emocional e atingiu a ancestralidade daqueles que ali estavam.

Foto: Almiro Lopes/CORREIO

Quem estava incorporado no momento, de nada lembra. Os iaôs Laís Monteiro, Thamires Vitória e Rychardson Biriba foram alguns deles. Thamires relata que, quando acordou, sentiu um desespero, que ela não entendia de onde vinha. “Ele continua até agora. Na hora que eu acordei, não sabia por que estava assim. Só consegui ver o meu pai (o babalorixá Rychelmy) sangrando”, contou a iaô.

Para tentar mensurar sua dor e desespero, a iaô Amana Verena contou que durante seis anos estudou em um colégio municipal em que sofria preconceitos, diariamente, por conta de sua religião e de sua cor.

“Eu sofria todos os dias. Eles me batiam, falavam mal de mim e de minha religião. Mas esse sofrimento não foi tão grande quanto o que eu senti com essa invasão”, contou chorando.

A também iaô, Daisy Santos, reiterou a intolerância dos criminosos.

“Eles (assaltantes) falaram que aqui não deveria ter essa religião, que somos todos do demônio. Tentaram pegar até mesmo o celular das pessoas que estavam com orixás. A gente fica com uma consternação de saber que mesmo estando no seu espaço sagrado, que você não tem segurança e nem encontra apoio da comunidade local”, observou Daisy.

A iaô Muana Simões foi outra que detalhou a ousadia e desrespeito dos invasores. 

“Os bandidos chegaram a levantar as roupas de quem estava incorporado para ver se tinha celular. A gente avisava que eles estavam incorporados, mas eles continuavam e diziam que a gente nem deveria estar ali”, contou.

Saída pela mata
Já a ekedi Ana Conceição foi responsável por levar mais de 15 pessoas para os fundos do terreno em que o terreiro fica, onde está o Rio Pojuca e uma mata da Reserva de Sapiranga. "Nós fomos para o mato e nos escondemos. Como a roupa de todo mundo era branca, estava refletindo a luz da lua. Alguns tiveram que tirar a blusa e outros deitaram completamente no chão", contou ela.

Terreiro fica ao lado de mata e do Rio Pojuca (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Os momentos de terror se intensificaram quando um dos criminosos foi atrás.

"Em algum momento um deles chegou a vir conferir se tinha alguém e foi quando eu pedi que todos ficassem em silêncio. Eu estava com uma criança pequena, que também tive que tentar acalmar para que não chorasse", lembra Ana. 

Como fica
Apesar do culto a Oxalá ser o primeiro do ano, ele é o último do ciclo do candomblé. Agora, o terreiro irá parar suas atividades e só retornar em março, quando a primeira festa de um novo ciclo é realizada, a de Exu. 

O Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare tem 15 anos de história, mas está no local há quatro anos. Neste tempo, a casa nunca sofreu atos de intolerância religiosa, mas os integrantes relatam que sempre sofrem preconceito ao andar pela localidade.

Além da dor física, a insegurança de voltar a fazer festas no templo é grande. “A localidade é pequena, poucas pessoas entram aqui, que é um lugar de difícil acesso e com bastante mata em volta. Acredito que esse grande movimento, de carros chegando, pessoas de outros estados e ônibus, por exemplo, possa atrair os olhos desses ladrões como se aqui fosse um local com muito dinheiro durante as festas”, destacou o assogbá Gilmar Sampaio, que fez questão de afirmar que o episódio não abala, de forma alguma, a fé das vítimas.

Em nota de pesar, o terreiro afirma que o ocorrido foi um ato de intolerância religiosa e lembra da perseguição que a religião teve do Estado e da polícia. “Hoje (sábado), durante a cerimônia pública em louvor a Osalá, nossa casa foi invadida por bandidos armados que além de levar os pertences dos presentes (Egbé e convidados) profanaram a nossa fé, desrespeitaram nosso espaço sagrado, o nosso culto e agrediram o fisicamente o Babà Rychelmy Esutobi”, diz o comunicado, publicado nas redes sociais.

“Hoje somos alvo da violência que assola toda a nossa sociedade, acrescida da violência religiosa. Apesar de todo ocorrido estamos bem e continuaremos contritos em nossa fé conforme nossos antepassados nos ensinaram. Pedimos desculpas aos presentes na festa por terem vivido esse momento de aflição em nosso espaço que tanto remete a paz e segurança. Tomaremos as providências cabíveis para que fatos como esse não mais ocorram em nosso Ilê Axé”, acrescenta o terreiro na nota.

Foto: Almiro Lopes/CORREIO

Investigação
O caso foi registrado na Delegacia de Monte Gordo. As investigações estão em curso e o caso é tratada apenas como roubo, não como intolerância. Apesar dos membros do terreiro relatarem que uma viatura do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) foi ao local e mostrado fotos dos bandidos, a Polícia Civil afirma não ter indícios de quem são os autores da ação.

No entanto, o babalorixá Rychelmy destacou que, durante a presença dos policiais no local, foram mostradas fotos de criminosos que atuam na região e que alguns deles foram reconhecidos.

Os membros do terreiro irão registrar o caso no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, da Sepromi, no Ministério Público da Bahia (MP-BA) e entrar em contato com a Prefeitura de Camaçari.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedes) de Camaçari afirmou que soube do caso pelo CORREIO, mas que a pasta falaria com o terreiro. “Entrarei em contato colocando à disposição para recebê-los na Sedes”, informou uma representante da Sedes. 

Preocupação
Iraildes Andrade, coordenadora geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN) e ekedi da Casa de Oxumarê, afirmou que está “sensibilizada e preocupada com essa questão”. “Infelizmente, hoje vamos ter que ter muito cuidado. Essa é a conversa que venho tendo aqui em casa (de Oxumarê). Temos que ter cuidado com esses ataques que estamos sofrendo. Eu acho que a gente (os terreiros) precisa agora se fortalecer muito e ter muito cuidado, porque viveremos tempos muito difíceis”, disse.

“As pessoas estão achando que podem fazer o que querem. Que podem entrar e apedrejar os terreiros. A gente vai precisar de ter muita conversa, entendimento e paciência e espero que a gente possa contar com os poderes públicos para nos ajudar, porque viveremos tempos difíceis. Nós nos sensibilizamos e estamos ao lado do Babá Rychelmy. Agora, vamos ter que nos preocupar com a segurança das casas, porque elas estão sendo invadidas. Isso é muito sério”, destacou.

*Colaborou Thais Borges.

 

FONTE: CORREIO

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Após decisão da Justiça, filhos de santo retiram caixão de Mãe Stella de velório

Foi cumprida por volta das 13h desta sexta-feira (28) a decisão de Justiça de transferir o corpo da ialorixá Mãe Stella de Oxossí para Salvador. Um oficial de Justiça entregou a decisão na Câmara de Vereadores de Nazaré das Farinhas, onde o corpo dela estava sendo velado. Aos 93 anos, Mãe Stella morreu nesta quinta-feira (27) 

Após isso, filhos de santo e integrantes do terreiro Ilê Axê Opó Afonjá seguiram pelas ruas da cidade levando o corpo de mãe Stella em direção ao carro de uma funerária. Tudo isso aconteceu na presença de homens fortemente armados da Polícia Militar. 

O Tribunal de Justiça da Bahia em Nazaré determinou a transferência do corpo de Mãe Stella de Oxóssi para o Ilê Axé  Opô Afonjá,  em Salvador. Na decisão, a juíza Caroline Rosa de Almeida Velame Vieira  ainda determinou que o supultamento não seja realizado em Nazaré, onde  ocorre o velório ocorria deste quinta-feira (27). 

O pedido foi feito à Justiça pela Sociedade Cruz Santa, entidade civil que  mantém e administra o Ilê Axé  Opô Afonjá. As petições foram  protocoladas  durante a madrugada desta sexta. 

Na decisão, a juíza entendeu que "se deve conceder à comunidade o exercício do culto religioso, ante a supremacia do princípio que aqui seria violado, de forma irreversível, do exercício livre da religião da qual a Iya Stella de Oxossi era líder, bem como a proteção do patrimônio histórico e cultural do exercício da religião de matriz africana".

Ao comentar a decisão, a companheira de Mãe Stella, a psicóloga Graziela Domini, criticou a posição de Justiça. "A gente tinha recebido uma liminar e eu dei ciente. A gente poderia ter entrado com um recurso, mas eu não entrei. Vocês viram que eu estava convidando vocês para dar uma entrevista coletiva para dizer que do mesmo jeito que eu respeito a autoridade religiosa eu respeito a autoridade civil. Eu disse que se saísse uma liminar dizendo que era para levar o corpo eu simplesmente entregaria. Eu só não consigo entender com uma juíza dá uma liminar de um tema que ela não conhece. Mãe Stella é Maria Stella de Azevedo Santos, uma pessoa civil, que tem direito a escolhas. A juíza deu uma decisão de um assunto que ela não conhece, que é o candomblé. Com certeza ela não conhece por que é um assunto profundo", afirmou . 

A companheira de Mãe Stella criticou ainda a postura dos filhos de santo. "Eu poderia entrar com o recurso, mas eu não ia deixar o corpo de Mãe Stella rolando de um lado pra outro. Quando eu ia falar com a imprensa para avisar isso eu vi uma cena grotesca. Eu nunca vi isso. Eu nunca esperei ver isso [a retirada do caixão] já que eu iria liberar. Isso não é uma gerra. Não se tem motivo para comemorar. Isso é um erro. Eu não consigo entender de tirarem minha esposa de mim no enterro dela". 

Graziela afirmou ainda não vai para o Ilê Axé Opô Afonjá. "Mãe Stella está comigo para sempre. A vida, os ensimamentos, o que vivemos é nosso. Eu não tenho porque ir lá. Eu não frequento lugares grotescos.Eu sou pelo amor e pela paz. Eu não tenho como ir para um ambiente como esse". 

No pedido para a Justiça, a Sociedade argumenta que é necessário fazer as "obrigações religiosas referente a religião de matriz africana candomblé, o ritual do sepultamento e, subsequente, do axexê". 

"Nos ritos de religião de matriz africana, o sepultamento e o ritual do axexê é fundamental, sobretudo, para uma líder religiosa, para tal desiderato é necessário que seu corpo físico, mesmo que morto, esteja dentro do espaço religioso no qual foi  sacralizado, no caso de Mãe Stella de Oxóssi esse lócus é o terreiro do Ilê Opô Afonjá".

Eles ainda consideraram que o velório e sepultamento fora do terreiro é "uma afronta a toda a uma tradição religiosa Africana a eus acomunidade". A juiza afirmou, em sua decisão, que a não relização do ritual religioso seria uma "medida irreversível" e que poderia colocar em risco a "continuidade dos ritos religiosos" do terreiro.

"Nesse nessa monta, ante a precariedade da decisão vê-se que causará menos prejuízo se o velório se der em Salvador, visto que assim se estará evitando que todo um culto religioso seja violado ante a alteração do lugar do sepultamento da Iya Stella de Oxossi, ainda que indo contra o exercício da companheira de escolher o local de sepultar o corpo conforme direito que lhe assiste", acrescentou a juíza.

Em nota, a Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Bahia (OAB-BA) se manifestou afirmando que entende que a realização do velório e enterro deveria ser feito com o ritual religioso. 

"Assim, a prima facie, o conjunto de elementos próprios ao cerimonial fúnebre nos termos da profissão de fé da liderança religiosa deve ser rigorosamente respeitado, em consideração à memória e empenho sobre-humano da religiosa em testemunhar da religião de matriz africana de forma sensível e translúcida", diz a nota.

Fonte: Correio24horas

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Morre, aos 93 anos, Mãe Stella de Oxóssi

Morreu na tarde desta quinta-feira, 27, Maria Stella de Azevedo Santos, de 93 anos, conhecida como mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, em Salvador. A informação foi confirmada pela filha da sacerdotisa. Ela estava internada desde o último dia 14, no Hospital Incar, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, por causa de uma infecção. 

Mãe Stella havia dado entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém, no dia seguinte, foi transferida para o quarto. Segundo o último boletim de saúde, a ialorixá possuía um quadro estável. A última vez que a sacerdotisa tinha sido internada foi em novembro de 2017, quando passou seis dias no Hospital da Bahia, em Salvador. À época, apresentava fortes dores de cabeça e hipertensão arterial.

No dia 18 deste mês, surgiram boatos que de que a ialorixá havia morrido. A mesma informação foi desmentida pelo presidente da Sociedade Cruz Santa do Afonjá e administrador do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

"As diversas atividades que minha vida religiosa pede e, é claro, a minha avançada idade estão fazendo com que se torne difícil continuar escrevendo quinzenalmente para este conceituado jornal, que acolheu meus pensamentos e minha cultura religiosa com muito desprendimento. Não estou me despedindo do jornal A TARDE que, compreendendo minhas razões, deixou o espaço aberto para que eu escrevesse algum artigo quando assim pudesse e desejasse (...), continuarei escrevendo, mas no ritmo possível para meus 89 anos de idade".

Maria Stella de Azevedo Santos, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá

Memória

A ialorixá, que vivia com a companheira, Graziela Dhomini, na cidade de Nazaré, também no Recôncavo, foi articulista do Jornal A TARDE em 2011 e escreveu quinzenalmente na página de Opinião até o fim de 2014, quando anunciou, em artigo, que deixaria de publicar de forma fixa, permanecendo no entanto como colaboradora eventual.

Sacerdotisa desde 1976 do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos candomblés mais tradicionais do Brasil, de nação nagô-ketu, Mãe Stella também foi atuante no blog Mundo Afro. Graduada em Farmácia pela Escola Bahiana de Medicina, em 2009, ela recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Em 2013, a Ialorixá foi eleita imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB). Ele ocupou a cadeira 33 (Poltrona Castro Alves), que era do professor e historiador Ubiratan Castro, falecido em janeiro do mesmo ano. Foi a primeira vez que uma mãe-de-santo ocupou uma cadeira da entidade máxima da literatura baiana.

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Aprovada a Lei que proibe evangélicos de venderem o Acarajé como “Bolinhos de Jesus”

A Comunidade Candomblicista ganhou a liminar que proibe igrejas evangélicas de venderem o Acarajé, uma comida típica da Bahia dedicada a Iansã como “bolinho de Jesus”. O Acarajé é um patrimônio cultural brasileiro que muito contribui para a caracterização da identidade do brasileiro. Graças a esta ação as chamadas “Baianas” filhas deste orixá tão lindo e poderoso não sofreram mais com atitues tão preconceituosas por parte dos evangélicos!

Iansã terá assegurado novamente seu delicioso Acarajé sem ter que concorrer com o capitalismo desenfreado em que se encontram grande parte das igrejas evangélicas.

Iêparrei Iansã! Iê parrei!!!

Axé!

Fonte: Religiões Afro Brasileiras e Política

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Aumenta número de denúncias de discriminação contra adeptos de religiões de matriz africana em 2018 no país

Ministério registrou 71 denúncias de janeiro a junho; pai de santo e a secretária de Promoção de Igualdade Racial dizem que intolerância acontece por religiões serem associadas a negros.


Sacerdote de umbanda fala sobre violência contra adeptos de religiões de matriz africana

Sacerdote de umbanda fala sobre violência contra adeptos de religiões de matriz africana

 

O número de denúncias de discriminação religiosa contra adeptos de religiões de matriz africana no Brasil feitas pelo Disque 100, serviço de atendimento 24 horas do Ministério de Direitos Humanos, aumentou 7,5% em 2018. Foram 71 denúncias do tipo feitas de janeiro a junho deste ano, contra 66 no mesmo período de 2017.

Já as denúncias feitas por discriminação contra todas as religiões caíram de 255 para 210, queda de 17% no mesmo período.

Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Nesta terça-feira (20) é celebrado o Dia da Consciência Negra.

Em todo o ano 2017, foram 145 denúncias de discriminação religiosa em todo o país. São Paulo teve 29 denúncias por meio do canal. O estado só fica atrás do Rio de Janeiro, com 34 denúncias.

Nem todos os casos são denunciados pelo telefone do ministério. O G1 ouviu adeptos de religiões afro que sofreram violência, e nenhum deles conhecia o canal.

Imagem de preto-velho, entidade cultuada em religiões de matriz africana como a umbanda — Foto: Fábio Tito/G1

Imagem de preto-velho, entidade cultuada em religiões de matriz africana como a umbanda — Foto: Fábio Tito/G1

Ao mesmo tempo em que crescem as denúncias de violência, as religiões afro-brasileiras registraram crescimento de 43,8% no número de adeptos em São Paulo, de acordo com o estudo “Diversidade Étnico-racial e Pluralismo Religioso no Município de São Paulo”, publicado em dezembro de 2016.

Ao todo, 50.794 pessoas declararam ser de umbanda, 18.058 do candomblé e 854 de outras religiosidades afro-brasileiras. A soma representa 0,6% das 48 religiões ou convicções filosóficas declaradas. “Muitos de seus fiéis preferem não se identificar publicamente por receio de discriminação religiosa”, diz o estudo.

Alexandre Cumino posa no Colégio Pena Branca, terreiro de umbanda que ele está à frente no bairro do Ipiranga, Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Alexandre Cumino posa no Colégio Pena Branca, terreiro de umbanda que ele está à frente no bairro do Ipiranga, Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Invasão e destruição

A casa de candomblé Ilê Asé Ojú Oyá, localizada em Guaianases, bairro da Zona Leste da capital, foi atacada em março deste ano. Paula Torrecilha Ty Ayrá, 31 anos, conta que o local foi invadido, teve objetos furtados e quebrados.

"Quando chegamos, encontramos tudo revirado, todos nossos objetos sagrados no chão, espalhados, coisas vandalizadas, quebradas. Na cozinha jogaram todos nossos alimentos no chão. Muita coisa foi roubada", disse.

"Em um primeiro momento, ficamos bem fragilizados, com medo de que acontecesse novamente e nos tornasse vítimas de violência física, além da violência psicológica que um caso desses submete não só os integrantes da casa, mas toda a comunidade. Mexer com um acaba abalando o todo", conta Paula.

Segundo ela, a casa é formada majoritariamente por mulheres lésbicas, bissexuais, trans negras e periféricas. "Somos todas de luta. Esse ataque, que queria nos fragilizar, nos destruir, só serviu para nos unir e fortalecer. Descobrimos juntas um meio de restabelecer nosso Asé que foi profanado, reerguer tudo que foi levado e destruído."

 A casa de candomblé Ilê Asé Ojú Oyá, localizada em Guaianzes, Zona Leste da capital, foi atacada em março deste ano — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

A casa de candomblé Ilê Asé Ojú Oyá, localizada em Guaianzes, Zona Leste da capital, foi atacada em março deste ano — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Para Alexandre Cumino, sacerdote de umbanda e diretor da Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo (Aueesp), a intolerância religiosa é advinda do preconceito em relação ao negro, à cultura do negro e à religião do negro.

"Boa parte dos casos [de violência] está relacionada a segmentos religiosos que têm uma discriminação e um preconceito na sua pregação doutrinária e identificam o Deus do outro como o diabo", explica ele.

Cumino é autor do livro "Exu não é o diabo", que desmistifica a ideia de que o orixá Exu é o representante do mal e por isso deve ser combatido.

"Há pessoas de outras religiões que acreditam que nosso orixá o Exu é o diabo. Quando se identifica o nosso orixá como o diabo e o diabo como o responsável por todos os males, então na cabeça torpe e infame do ignorante, se acabar com a minha religião, vai acabar com o diabo"
Trabalho para Exu com ponto riscado, padê e vela no Colégio Pena Branca — Foto: Fábio Tito/G1

Trabalho para Exu com ponto riscado, padê e vela no Colégio Pena Branca — Foto: Fábio Tito/G1

Segundo Cumino, que é bacharel em ciências da religião, não existe diabo na umbanda e no candomblé. Essas religiões não 'culpam' o diabo pelo mal ou por seus erros.

"Diabo é principalmente uma criação judaico-cristã e mais especificamente católica. O Lúcifer é bem católico mesmo, ele não existe no judaísmo. Você tem lá o Satã ou o Shaitan, que é uma figura muito específica no Velho Testamento. No livro de Jó, Satã senta ao lado de Deus e eles estão conversando o que vão fazer com Jó. Então esse Satã judeu que é um opositor, ele não é nem de perto esse grande diabão que construíram e muito menos os Exus, os orixás, ou as entidades de umbanda ou de candomblé, religiões que não reconhecem nenhum diabo. Quando a gente [adeptos da religião] faz uma coisa errada é a gente mesmo [que fez]".Imagens negras do altar do Colégio Pena Branca, terreiro de umbanda no Ipiranga, Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Imagens negras do altar do Colégio Pena Branca, terreiro de umbanda no Ipiranga, Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

A yalorixá (mãe de santo) Gabriela Beck, 39 anos, do Centro Cultural Eyin Osun, na Vila Industrial, extremo Leste de São Paulo, conta que a confusão entre o orixá Exu com Satanás já lhe rendeu ameaças com faca.

"Temos um vizinho que cresceu comigo no bairro e agora é evangélico. Ele acredita que o Satanás está instalado na minha casa. É desesperador. O problema dele é a casa de candomblé, onde também moro com meu pai. Ele nos ameaça com faca, nos ofende. Eu acho que em grande parte porque meu pai é idoso eu sou mulher. Eu tenho medo dele fazer alguma coisa, colocar fogo na minha casa, matar meu pai", diz ela.

Gabriela Beck no Centro Cultural Eyin Osun, na Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Gabriela Beck no Centro Cultural Eyin Osun, na Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

"Racismo religioso"

A maioria dos adeptos de religiões afro-brasileiras na cidade de São Paulo é formada por pessoas brancas, de acordo com uma pesquisa da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. São 60,6% brancos, 13,1% pretos e 25,5% pardos.

Embora sejam frequentadas mais por brancos, as religiões de matriz africana são majoritariamente associadas e a negros por causa de suas origens, de acordo com a secretária executiva de Promoção de Igualdade Racial da prefeitura de São Paulo, Elisa Lucas Rodrigues.

"Tudo o que se refere a negros há um olhar extremamente preconceituoso aflorado. São crianças agredidas nas escolas e todo tipo de absurdo que vemos todos os dias na televisão, É engraçado porque se você vai a terreiros, vê maior quantidade de brancos. Eu mesma conheço médicos e advogados, gente da classe média, que está aderindo a essas religiões. mas eles também sofrem essas agressões por serem de uma religião que remete a negros", diz Elisa Lucas Rodrigues, secretária executiva de Promoção de Igualdade Racial da prefeitura de São Paulo
Integrantes do terreiro Ilê Asé Ojú Oyá, em Guaianazes, Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Integrantes do terreiro Ilê Asé Ojú Oyá, em Guaianazes, Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

O advogado e ex-secretário da Justiça do estado de SP, Hédio Silva Jr., 57 anos, adotou o termo "racismo religioso" para os casos de preconceito a adeptos de religiões de matriz africana.

"Não é tão comum ofensa a ateu, agnóstico, judeu, as ofensas são direcionadas a umbandistas e candomblecistas. E é assustador a apropriação de espaços públicos por grupos privados, por exemplo nas escolas, onde funcionários tornam a escola pública extensão do seu centro religioso", diz ele.Objetos ritualísticos usados em terreiro na Zona Sul de SP  — Foto: Fábio Tito/G1

Objetos ritualísticos usados em terreiro na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Segundo o advogado, o papel do estado pelo que determina a Constituição é o de assegurar que todos os segmentos religiosos possam se manifestar em clima de harmonia e paz. "O estado acaba sendo cúmplice na propagação dessas violências em um país como o nosso, que tem uma riquíssima geografia de identidade cultural".

Hedio criticou o primeiro pronunciamento de Jair Bolsonaro (PSL) que citou versículos da Bíblia sagrada no domingo (28), logo após ser eleito.

"Nós somos uma diversidade, somos um país plural inclusive do ponto de vista religioso. O primeiro mandatário do pais ignorar essa diversidade e assumir publicamente que tem compromisso com uma religião, significa que ele vai atuar por uma fé apenas e isso é péssimo. A crença ou a descrença são matérias do âmbito privado e da autonomia individual. As autoridades públicas não podem tomar uma atitude que afeta toda a população orientadas com base em normas religiosas e privilegiar um grupo com critérios religiosos porque aí já não é uma democracia.".A casa de candomblé Ilê Asé Ojú Oyá, localizada em Guaianzes, Zona Leste da capital, foi atacada em março deste ano — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

A casa de candomblé Ilê Asé Ojú Oyá, localizada em Guaianzes, Zona Leste da capital, foi atacada em março deste ano — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Punição

A impunidade é um dos motivos para que crimes de violência contra adeptos de religiões de matriz africana sigam acontecendo em todo o Brasil, de acordo com Hédio.

"O sistema penal funciona segundo os valores da elite branca, para eles esse tipo de crime não é relevante. Há uma subestimação da gravidade. De acordo com a ONU, 75% dos conflitos armados, em curso tem alguma motivação cultural ou religiosa, então é gravíssimo porque esse tipo de violência vulnera a dignidade e compromete a paz", opina.

Hédio relembrou o caso do pastor Sergio von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, que em 1995 chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante a apresentação do programa “Palavra de Vida” na Record.

"Não é porque achamos que o intolerante tem de ir pra a cadeia, mas é que a impunidade retroalimenta a intolerância. Há uma banalização e uma naturalização contra as religiões afro-brasileiras, coisa que não acontece com as demais religiões. Você se lembra da comoção social quando um pastor chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida? Fatos muito mais graves atingem cotidianamente os terreiros e não geram a mesma repercussão", diz Hédio.

Alexandre Cumino posa no altar do Colégio Pena Branca — Foto: Fábio Tito/G1

Alexandre Cumino posa no altar do Colégio Pena Branca — Foto: Fábio Tito/G1

Em São Paulo, a deputada estadual Leci Brandão tem um Projeto de Lei (226/2017, de 25/04/2017) que tramita na Alesp (Assembleia legislativa de São Paulo que dispõe sobre penalidades administrativas a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação por motivo religioso. A multa por reincidência pode chegar a R$ 77 mil.

"Existe uma dificuldade desse projeto ser aprovado porque não é de interesse de todos, mas acredito que com leis mais duras, casos de violência seriam coibidos. Quando a pessoa é obrigada a colocar a mão no bolso, percebe que aquilo não é uma brincadeira. A pessoa xinga e ofende, mas ninguém quer ser processado", opina Elisa.

Já existem leis que punem a intolerância religiosa. Os artigos 1º e 20 da Lei nº 9459, de 13 de maio de 1997 dizem que prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é passível de reclusão de um a três anos e multa.

Também há o artigo 208 do código penal e o artigo 5º da Constituição, que diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Para Hédio, o problema é a interpretação para o cumprimento das leis. "Nós temos boas leis para o enfrentamento da intolerância, o problema é a interpretação que o sistema penal dá a essas leis. Um dos desafios do período temeroso que vamos enfrentar é garantir uma interpretação dessas leis para que elas sirvam, de fato, para punição."

Altar do Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Altar do Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

 

Sacrifício animal é julgado no STF

Uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questiona uma lei do Rio Grande do Sul que, em 2006, autorizou o sacrifício de animais em cultos de religiões cuja matriz seja africana. O julgamento foi suspenso no dia 9 de agosto após dois votos serem apresentados.

Na ocasião, os ministros Marco Aurélio Mello e Edson Fachin votaram a favor da prática. Alexandre de Moraes pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. Ainda não há data para uma nova votação.

Para o Ministério Público do estado, a lei não pode dar tratamento privilegiado a um grupo religioso.

"Inúmeras outras expressões religiosas valem-se de sacrifícios animais, como a dos judeus e dos muçulmanos, razão pela qual a discriminação em favor apenas dos afro-brasileiros atinge frontalmente o princípio da igualdade, com assento constitucional", argumentou o MP.Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Para Cumino, há sacrifício animal em outra religiões, como o judaísmo, islamismo e hinduísmo, mas só o candomblé (a umbanda não faz sacrifício animal) é atacado por causa do ato.

"No Judaísmo também tem sacrifício animal, no Velho Testamento da Bíblia Deus explica como fazer. Mas o único sacrifício animal que incomoda é o sacrifício [da religião do] negro? O bicho que você come tem de morrer para você comer. Mas nas religiões africanas, o bicho que você vai comer, você sacrifica ele em ritual para depois você comer. As partes que você não come são entregues em oferenda a uma dividade, isso é lindo, é um ritual. Você não mata bicho a torto e a direito, nenhuma religião faz isso."

 Altar do Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Altar do Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Para Cumino, a intolerância é advinda do preconceito, que, por sua vez, provém da ignorância, que está disseminada.

"Isso se combate com informação, com esclarecimento e com alguns casos deve-se combater com a Justiça. Os adeptos das religiões afro-brasileiras, a umbanda e o candomblé principalmente, não agridem ninguém. Nós não acreditamos que a nossa religião é melhor do que a religião do outro, nós acreditamos que todas as religiões são importantes. A melhor religião é a que faz de você uma pessoa melhor. Agora como é que eu bato e agrido em nome de Cristo?"

Para o sacerdote, pessoas que cometem crimes em nome de Cristo estão "enganadas"

"Religião é a prática do bem, não importa qual religião. Todas as religiões praticam única e exclusivamente o bem, Isso vale para a religião judaica, cristã, o islã, o budismo, vale para todas as religiões de matriz africana, vale para a umbanda. Quando não for assim, é um engano. Agora, muitas pessoas estão enganadas, né? Há pessoas enganadas no cristianismo, há pessoas enganadas na umbanda, no candomblé, e ateus também. Todos têm o direito de viver como quer, mas tem o dever de respeitar como o outro quer viver."Gabriela Beck posa no terreiro, na Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Instagram

Gabriela Beck posa no terreiro, na Zona Leste de SP — Foto: Arquivo Pessoal/Instagram

 

Saiba como denunciar

Os tipos de violação relacionadas à discriminação religiosa de matriz africana recebidos pelo Disque 100 são:

  • Abuso financeiro e econômico/violência patrimonial
  • Discriminação
  • Negligência
  • Outras violações/outros assuntos relacionados a direitos humanos
  • Tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes
  • Violência física
  • Violência institucional
  • Violência psicológica
  • Violência sexual

O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular), bastando discar 100.

As denúncias recebidas são encaminhadas para o Ministério Público e para o Decradi - Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, onde também é possível denunciar.Alexandre Cumino posa no Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

Alexandre Cumino posa no Colégio Pena Branca, na Zona Sul de SP — Foto: Fábio Tito/G1

 

FONTE G1

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Pai de santo é assassinado durante reunião em terreiro de Nova Iguaçu

NOVA IGUAÇU - O pai de santo Leandro Souza de Jesus foi assassinado a tiros, na noite desta quarta-feira, em um terreiro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O crime aconteceu por volta das 22h, durante uma reunião que acontecia no barracão, que fica na Rua das Marrecas.
De acordo com testemunhas, dois homens em uma moto chegaram ao local, atiraram para o alto e quando a multidão se dispersou, a vítima foi executada. O crime teria sido motivado por causa de desavenças do pai de santo com outros terreiros da região.
Policiais do 20º BPM (Mesquita) foram chamados e estiveram no endereço. Eles acionaram agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que fez a perícia no local e está encarregada das investigações.
 
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Terreiro 'Tumba Junsara' é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil

O terreiro de candomblé Tumba Junsara, que fica no bairro do Engenho Velho de Brotas, em Salvador, foi oficializado como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O barracão tem quase 100 anos de resistência e representa o legado das religiões de matrizes africanas, como parte da preservação da cultura afro-brasileira. Tumba Junsara está entre os mais antigos de tradição Angola, no Brasil.

Fundado em 1919 pelos irmãos Manoel Rodrigues e Manoel Ciriaco, o terreiro começou em Santo Amaro, cidade do recôncavo baiano. Com o passar dos anos, ele foi trazido para Salvador e mudou de endereço algumas vezes, até se fixar, no Engenho Velho de Brotas.

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Bruno Tavares, explica a importância do reconhecimento. "O tombamento traz status de proteção. Não só proteção
física do território, mas de permanência desse terreiro no local, e possibilita também investimentos do governo na salvaguarda e preservação desse bem".

Segundo Bruno, o Tumba Junsara tem destaque por ser um terreiro matriz, que deu origem a outros barracões. "Ele passa a ter uma posição de destaque à frente dos demais terreiros pelo fato dele ser matricial, que é um dos terreiros matriz, que gerou uma série de outros terreiros espalhados pelo país. Só aqui em Salvador são cadastrados mais de dois mil terreiros", disse.

O esforço pelo tombamento do terreiro começou há 14 anos. A vitória é celebrada pela mãe de santo Iraildes Maria da Cunha, guardiã das tradições do terreiro. "Para mim foi uma alegria, foi muita emoção. Graças a Deus conseguimos e os inquisses também deu um empurrãozinho para que isso viesse a acontecer", disse ela.

Em cada canto do Tumba Junsara há traços da cultura afro-brasileira, como por exemplo a estrutura das paredes, que tem a forma do acarajé como inspiração. No barracão são reverenciadas as divindades africanas, que são os 'inquisses', e os ancestrais indígenas. A junção é chamada de milonga, é um caminho para manter a força da religião.

Com quase 100 anos de tradição Angola em Salvador, terreiro 'Tumba Junsara' é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil — Foto: Reprodução/TV Bahia

 

FONTE G1

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Festa, amor e devoção no Terreiro de Oxumaré, na Federação

Repórter Ronaldo Jacobina conta como foi a festa de Oxumaré, que reuniu filhos de santo de todo o país, para celebrar o Arco-Íris

São oito horas da manhã quando militantes ecológicos baianos e de outros estados se unem ao povo de santo e, juntos, hasteiam a bandeira do terreiro Ilê Ósùmàrè Aràká Àse Ògòdó, de  dinastia Ketu e conhecido como Casa de Oxumaré, na Federação.

Num púlpito, armado na área externa, defensores do meio ambiente fazem um alerta pela preservação da natureza. Convidados de fora e a comunidade local reverenciam o Arco-Íris, divindade protetora do terreiro, um dos mais antigos da Bahia e um dos mais tradicionais centros de culto afro-brasileiro do país.

A Iyalodê Marcelline Fadikpe, a mais importante sacerdotisa da cidade de Ketu, na República do Benin, que veio exclusivamente para a festa, acompanha a cerimônia ao lado do anfitrião, Babá Pecé, e de outros babalorixás e ialorixás de várias partes do Brasil que desembarcaram em Salvador na noite anterior para prestigiar a celebração que acontece sempre no terceiro sábado de agosto, em homenagem a Oxumaré, orixá que rege a casa, e é uma das mais importantes do calendário anual do terreiro.

Semente do Amanhã A pequena Raicha, de 5 anos, gosta das festas no Terreiro

Encerrada a cerimônia, em minutos, o cenário se modifica e surge uma enorme mesa de cerca de 50 metros de comprimento no centro do espaço que é rapidamente coberta com uma toalha dourada ricamente bordada.

Como numa linha de produção, filhos e filhas de santo vão surgindo com bandejas e mais bandejas de comidas que rapidamente lotam a superfície da mesa.

Foto de Renato Santana

Do lado de fora, dezenas de curiosos acompanham a agitação. Um filho de santo da casa chega até o portão e os convida a entrar. Imediatamente se misturam aos de casa e se fartam de queijos gruyére, brie, ementhal e outros frios, bolos, tortas salgadas e doces, banana da terra, farofa de carne de sol, frutas e muitas guloseimas. Tudo na maior fartura.

No barracão principal, Babá Pecé, ricamente paramentado, posa para fotografias com os visitantes. A maioria, filhos ou netos da casa que hoje comandam seus próprios terreiros em outros estados. A maioria branca.

Banquete: Mesa de 50 metros onde filhos e filhas de santo, netos do Terreiro e pessoas da comunidade festejaram Oxumaré

Verônica Moura, conhecida como Dofonitinha de Oxóssi, veio numa comitiva de 28 pessoas do Rio de Janeiro para reverenciar suas raízes. “Meu pai foi feito aqui, portanto sou neta da casa e, hoje, embora comande meu próprio terreiro, no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, necessito reverenciar minhas raízes porque o candomblé é uma religião de ancestralidade, preciso beber dessa fonte para me reenergizar”, conta.

Foto de Renato Santana

Respeito às Abás
Na sala de jantar da casa principal, convidados de honra têm direito a todos os acepipes que são servidos lá fora, mas com serviço à la carte, feito com esmero e reverência pelos filhos da casa.  Entre um gole e outro de café, servido em louça branca e prata com o símbolo do terreiro bordado em prata, conversam animadamente.

Líder espiritual: O Babá Pecé, que comanda a Casa de Oxumaré, deu as boas-vindas aos convidados. Segundo ele, 3 mil pessoas participaram da festa para o orixá regente do terreiro

A distinção, não tem a ver com segregação. “Estas senhoras são abás (as mais velhas) e, pelas posições que ocupam nos terreiros, devem ser reverenciadas, porque no candomblé há um sistema de hierarquia que valoriza os mais velhos, pelas suas posições conquistadas com o tempo de santo que têm”, explica Thales Henrique de Melo, filho de santo da casa.

Enquanto o lauto café da manhã é degustado, os preparativos para uma cerimônia religiosa reservada aos filhos de santo, seguem em ritmo acelerado. Tudo é sincronizado. Cada um sabe a sua função e a executa com dedicação.

Foto de Renato Santana

A pequena Raissa, de oito anos, veio de Brasília com a família para a cerimônia. Enquanto aguarda o início do ritual, faz amizade com outras crianças que conheceu ali.

Raissa conta que foi “feita” aos quatro anos de idade. Filha de Oxum e Oxalá, ela diz que era muito “doentinha”, e que hoje sua saúde é “ótima”. “Eu era muito agitada também, hoje sou tranquila”, diz.

Da ladeira que dá acesso ao terreiro, não para de descer gente. Durante os três turnos cerca de 3 mil pessoas passaram pelo terreiro.

Foto de Renato Santana

O nigeriano Raby Inocente, que vive há três anos na Bahia, aproveita o movimento para faturar. Estaciona seu carro Meriva próximo ao portão de entrada e retira do porta-malas tecidos africanos e trajes e mais trajes finos.

Rapidamente, uma pequena turma se põe a fuçar as novidades. Um conjunto de calça e bata bordado sai por R$ 100. Em festas como essa, ele diz que chega a vender até 20 indumentárias por dia.

Foto de Renato Santana

Do lado de dentro, também pode se ver uma banca com acessórios e panos da costa à venda. A pequena Raicha, de apenas cinco anos, fica encantada com um colar. Mas não leva. Filha de Obá, ela diz que adora as festas do seu terreiro quando se veste com os trajes mais bonitos. “Fico feliz aqui porque encontro meus amigos”.

As crianças são muito importantes para a religião. “Elas são a semente disseminadora de nossas tradições, das nossas crenças, explica um pai que carrega o primeiro filho, de um ano e meio, nos ombros, mas que prefere não se identificar. “Meu nome não é importante, deixe para lá”, ri.

Fartura: Muitas frutas também coloriram a mesa do café da manhã durante a festa religiosa

Serviço religioso
Os atabaques anunciam o início da cerimônia religiosa exclusiva para os filhos de santo. O Babá Pecé nos autoriza a ficar com a condição de não fotografarmos e de não escrever sobre o ritual. Claro que obedeceremos. Mas não sem antes relatar a emoção que vivi ao ouvir o primeiro acorde do clarim anunciando a entrada do babalorixá e seus filhos no salão.

Para o sertanejo aqui, criado nas tradições católicas, que o máximo que ouviu sobre o candomblé quando criança foi de que era coisa de negro, me senti privilegiado.

Foto de Renato Santana

Eu e meus irmãos, curiosos que éramos, morríamos de vontade de ir comer o caruru nas festas dos terreiros de Mãe Maurina ou de Pai Nezinho, os dois mais conhecidos da cidade, mas nunca nos foi permitida matar esta vontade. Nos contentávamos com os relatos de minha comadre Teresa, hoje com 90 anos, que quando atrasava para chegar no serviço, meu pai dizia: “Isso é porque passou a noite `dançando` candomblé”.

Ela ria feliz e nos contava sobre o ritual. Isso aguçava ainda mais a nossa curiosidade e fomentava nossa imaginação. Mais de 40 anos depois, cá estou vivenciando tudo isso e, tão encantado como nos tempos em que nos sentávamos em volta da sua saia rodada para escutar as histórias dos orixás.

Foto de Renato Santana

A música, a dança e a energia contagiam. Emocionam. Terminado o ritual, as pessoas seguem em direção aos salões do fundo onde uma feijoada completa está sendo servida. De forma ordenada, elas formam filas para se servirem no bufê.

Feijão, arroz, farinha, saladas, carnes variadas e lombo assado. De novo, muita fartura. Após o almoço, as pessoas dispersam, mas nada de descanso, minutos depois iniciam mais um trabalho religioso.

Enquanto isso começa a movimentação para os preparativos da noite, que será o ápice da festa em homenagem ao padroeiro da casa. Oxumaré. Lá pelas oito e meia da noite, a festa está pronta.

Foto de Renato Santana

Mesas decoradas com arranjos de rosas colombianas amarelas, castiçais com velas acesas, bufê com réchauds de prata, mesas de doces e um bolo de quatro andares decorado com o tema da festa, a natureza.

No alto do bolo, uma imagem do orixá dono da casa. As pessoas, que ao longo do dia, se vestiam de forma mais descontraída, voltam à festa, ricamente paramentadas.

Filhos da casa fazem, mais uma vez, o serviço. Circulam com bandejas de salgados e refrigerantes para lá e para cá. No barracão, os tambores ecoam e as pessoas se acotovelam para disputar um lugar lá dentro onde os filhos de santo, da casa e de fora, dançam e festejam Oxumaré. Fogos de artifício dominam o céu e o povo de santo festeja.

Foto de Renato Santana

Vítor Rachid Daher, o Vitinho de Oxóssi, veio de Uberaba (MG), onde comanda um terreiro com mais de 500 filhos de santo, para saudar a casa que o fez também filho de santo e depois babalorixá.

Ricamente vestido, ele agradece aos orixás a alegria que está vivendo de poder estar ali. “Não tinha como deixar de estar aqui para somar, para fortalecer a minha religiosidade e reencontrar as minhas raízes, a minha matriz. Hoje é dia de festa, amor e devoção”, emociona-se.

Me despeço dos amigos que fiz e volto para casa com uma certeza: vou voltar.

Foto de Renato Santana

A casa do orixá Arco-Íris

Origem
O Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó, conhecido como Casa de Oxumarê, foi fundado há 180 anos, sendo que há 112 está localizado na Federação. Faz parte do panteão das casas matrizes que construíram a religiosidade afro-brasi- leira

Território Cultural 
Em 2002, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a Casa de Oxumarê como território cultural afro- brasileiro. No final de 2004, o terreiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC como patrimônio material e imaterial da Bahia

Foto de Renato Santana

Projetos Sociais 
A Casa de Oxumarê é engajada em projetos sociais e culturais que auxiliam no desenvolvimento e inclusão das comunidades do entorno geográfico. Comprometida na luta contra o preconceito e a intolerância religiosa, possui histórico de realização de atividades e ações de valorização do legado cultural afrobrasileiro.

 

FONTE: CORREIO

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